Clarice Lispector: trajetória e frases em seu centenário

Em 10 de dezembro de 2020, a Internet foi tomada por homenagens ao centenário de Clarice Lispector, uma das autoras mais celebradas da literatura brasileira. Embora sua vida tenha sido relativamente curta (ela faleceu com apenas 56 anos), a escritora publicou mais de 20 obras e marcou seu nome na história do país.

Em 10 de dezembro de 2020, a Internet foi tomada por homenagens ao centenário de Clarice Lispector, uma das autoras mais celebradas da literatura brasileira. Embora sua vida tenha sido relativamente curta (ela faleceu com apenas 56 anos), a escritora publicou mais de 20 obras e marcou seu nome na história do país.

Por isso, considerando a importante data e o impacto da autora, o DCI explica abaixo sua trajetória, separa as principais obras e, claro, frases da autora registradas em livros ou entrevistas.

A trajetória de Clarice Lispector

Nascida em 1920 em uma cidade da Ucrânia, Clarice Lispector e sua família mudaram-se ao Brasil quando ela tinha apenas dois anos; a mudança ocorreu como resultado da Guerra Civil e da perseguição por judeus. Apesar do local de nascimento ser a Ucrânia, Clarice sempre se entendeu como brasileira e chegou a afirmar: “Naquela terra eu literalmente nunca pisei: fui carregada de colo”.

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Desde os sete anos mostrava propensão para escrever, mas só publicou um texto para o público em 1940. Supõe-se que o primeiro trabalho publicado em revista seja o conto “Triunfo” [disponível na coletânea Todos os Contos]. Entre os sete e os vinte anos, Clarice perdeu prematuramente seus pais; experiências que certamente marcaram a maneira da autora enxergar sua vida.

Antes de dedicar-se plenamente à literatura, Clarice tentou cursar direito, mas acabou trocando de carreira e escolheu o jornalismo. Na área, enfrentou muitas dificuldades, pois mulheres não eram comuns dentro da profissão. Contudo, isso não a impediu de conseguir publicar contos e começar a repercutir. 

Seu primeiro livro, “Perto do Coração”, foi lançado em 1943, causando grande rebuliço da crítica literária, pois não era comum que um livro brasileiro discutisse questões existenciais da maneira inovadora de Clarice Lispector. A obra rendeu-lhe o prêmio de “melhor romance de estreia” pela Fundação Graça Aranha – surpreendentemente, ela descobriu que havia ganhado o prêmio por meio de um telegrama (ela estava na Itália durante Segunda Guerra Mundial).

Depois do primeiro livro, Clarice Lispector só evoluiu e cresceu em sua carreira, produzindo contos, romances, crônicas e até livros infantis. Em muitas de suas histórias, inspirava-se em aspectos de sua própria vida ou mente; sempre refletindo sobre a experiência de ser humano. Infelizmente, um dia antes de seu aniversário de 57 anos, faleceu em decorrência de um câncer no ovário detectado tarde demais.

Clarice morre, no Rio, no dia 9 de dezembro de 1977, um dia antes do seu 57° aniversário. Queria ser enterrada no Cemitério São João Batista, mas era judia. O enterro aconteceu no Cemitério Israelita do Caju.

Principais obras da escritora

Começar a ler a obra de Clarice Lispector pode ser uma tarefa e tanto, pois ela publicou livros de diferentes estilos em sua vida. Fora isso, o catálogo da autora possui mais de 20 livros publicados por ela em vida (e algumas coletâneas e obras póstumas). Por isso, indicamos abaixo os livros de Clarice Lispector que são considerados fundamentais: 

  • A Paixão Segundo G.H.
  • A Hora da Estrela
  • Água Viva
  • Laços de Família

Frases de Clarice

Embora a publicação de frases isoladas não dêem todo o valor que uma obra de Clarice Lispector possui, é inegável que muitas de suas frases são perfeitas para questões existenciais. Inclusive, no atual contexto de redes como Instagram e Twitter, tais frases encaixam-se perfeitamente no modelo de postagens. 

Mas Clarice também preocupava-se muito com o ato de escrever, e discutiu-o em diversas entrevistas e textos. Por isso, separamos abaixo algumas das principais frases de Clarice Lispector sobre escrever:

“Enquanto eu tiver perguntas e não houver resposta continuarei a escrever”

“Escrever” existe por si mesmo? Não. É apenas o reflexo de uma coisa que pergunta. Eu trabalho com o inesperado. Escrevo sem saber como e por quê – é por fatalidade de voz. O meu timbre sou eu. Escrever é uma indagação.” – (publicada em “Um Sopro de Vida”)

 

“A palavra é o meu domínio sobre o mundo. Eu tive desde a infância várias vocações que me chamavam ardentemente. Uma das vocações era escrever. E não sei por quê, foi esta que eu segui. Talvez porque para as outras vocações eu precisaria de um longo aprendizado, enquanto que para escrever o aprendizado é a própria vida se vivendo em nós e ao redor de nós. É que não sei estudar. E, para escrever, o único estudo é mesmo escrever. Adestrei-me desde os sete anos de idade para que um dia eu tivesse a língua em meu poder. E no entanto cada vez que vou escrever, é como se fosse a primeira vez. Cada livro meu é uma estreia penosa e feliz. Essa capacidade de me renovar toda à medida que o tempo passa é o que eu chamo de viver e escrever.”

 

“Todas as pessoas têm sempre alguma coisa de bom para contar, das mais catedráticas às mais fúteis.”

 

“Penso que, apesar de não estar na moda ou ultrapassada, ainda não acabei. O fim é a perda de um estilo, o esquecimento do leitor, a pausa imposta, diferente do descanso de trabalho.”

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