Startups digitalizam por completo processo de locação de carros

Novas plataformas são uma alternativa ao processo tradicional de locação de carros, mas a proposta precisa ser assimilada pelos brasileiros.

SÃO PAULO – Com a proposta de agilizar e propor uma alternativa ao processo tradicional de locação de carros, startups pretendem estimular o conceito de economia compartilhada por meio de plataformas on-line e modelos de carsharing. Entre as iniciativas com esse viés, estão startups como a Moobie e a Parpe. Ambas nascidas em São Paulo, as plataformas seguem o modelo de carsharing , ou seja, oferecem um sistema on-line para que seus usuários consigam alugar carros diretamente com seus respectivos proprietários.

Neste modelo, para realizar um anúncio, o dono do veículo – que é também quem estabelece o preço da diária pelo aluguel – deve enviar os documentos e informações básicas do carro para validação do cadastro.  Em seguida, o local de retirada e a entrega do automóvel é definido entre as partes. “Temos modelos anunciados desde R$ 70 até R$ 400”, diz Tamy Lin, CEO da Moobie. Ainda de acordo com a empreendedora, a plataforma registra cerca de 40 mil usuários interessados em alugar algum veículo e, na outra ponta, três mil pessoas anunciando seus carros no Estado de São Paulo.

No caso da Parpe, além da atuação no Brasil, existe também operação em Portugal. Segundo o diretor comercial da empresa, Lúcio Gomes, o país pode servir como porta de entrada para o mercado europeu. “No ano passado, vimos um número muito grande de brasileiros indo para Portugal e estamos surfando nesta onda”, diz Gomes, lembrando também que, embora o mercado no país lusitano seja bem menor, o modelo de carsharing na Europa já é conhecido. As iniciativas cobram uma taxa de 20% sobre o valor que o dono do carro recebeu pelo negócio fechado. Ambos os empreendedores afirmaram acreditar que o novo modelo, no Brasil, ainda é embrionário e que a proposta precisa ser assimilada pelos brasileiros de forma gradual, como uma alternativa a mobilidade urbana.

Gomes pondera que os grandes players do setor, como, por exemplo, a Localiza, não veem os novos modelos como uma ameaça comercial, podendo até trabalhar em parceria com essas companhias. “Podemos ver até as grandes locadoras participando do capital destas empresas”, declara. Tanto a Moobie quanto a Parpe não divulgaram números de receita. Para o professor da Fundação Getulio Vargas (FGV) Beijamin Rosenthal, no Brasil, o conceito de economia compartilhada e modelo de carsharing podem jogar a favor dos players já consolidados no mercado, pois atendem clientes com demandas diferentes. De acordo com o especialista, o novo modelo atinge um público que necessita de um carro para situações pontuais no cotidiano, a fim de utilizá-lo por algumas horas. “Um concorrente direto da Moobie poderia ser o taxi”, exemplifica. “Este é um negócio bastante sinérgico por não conceber o carro como posse, mas sim estimular o hábito de abandonar o veículo e alugá-lo”, diz.

- CONTINUE DEPOIS DA PUBLICIDADE -

Locadoras de carro Digitais

CarrosAs empresas paulistanas Zazcar e Urbano, que têm suas próprias frotas de veículo, também aboliram a necessidade do cliente de se deslocar até um guiché ou ponto fixo para alugar um carro. Em ambas as iniciativas, o processo de locação ocorre totalmente no ambiente digital, permitindo que o cliente localize, reserve e ligue o carro – além de efetuar também o pagamento.   No caso da startup Urbano, que entrou no mercado em novembro de 2017, dispõe de uma frota própria de veículos elétricos e também à combustão.  Os automóveis ficam espalhados por nove bairros da cidade, denominadas como home zones – cuja função é tornar mais flexível e prático o processo de retirada e entrega do carro. Por ora, as regiões cobertas são: Jardim Europa, Moema, Vila Olímpia, Vila Nova Conceição, Vila Madalena, Chácara Santo Antônio, Brooklin, Berrini e aeroporto de Congonhas. Dentro destes perímetros o usuário pode, por exemplo, deixar o veículo em qualquer esquina. Caso o usuário devolva o veículo elétrico em algum ponto de recarga da startup – Moema, Jardins e Vila Nova Conceição -, há desconto de 30% no valor do aluguel.

Assim como a Zazcar, os clientes da Urbano têm acesso ao carro por meio do aplicativo. O valor para locação do veículo é calculado por tempo de uso. Tanto para os automóveis elétricos como aqueles à combustão, o usuário pagará R$ 1,20 por minuto; por uma hora fechada, o valor cai para 1,02 por minuto; cinco horas de uso saem por R$ 306; e a diária é de R$ 350. A empresa trabalha com dois modelos de carro: Bmw i3 (elétrico) e o Smart (combustão). Ainda para este ano, vamos importar 40 carros elétricos e 60 à combustão , afirma Leonardo Domingos, CEO da Urbano. Segundo ele, atualmente, a empresa tem uma frota de 65 veículos, dos quais 10% são elétricos. Além disso, a empresa pretende aumentar esse percentual, até o final de 2018, para 30%. No que diz respeito ao faturamento, a empresa espera faturar neste ano entre R$ 5 milhões e R$ 8 milhões. Com planos de se consolidar primeiro em São Paulo com uma frota de 300 veículos, o empreendedor prospecta futuramente expandir a operação para Curitiba, Porto Alegre, Florianópolis e Brasília. Já o sistema Zazcar, por meio do aplicativo, identifica a localidade do usuário e disponibiliza cerca de 130 opções de carros – distribuídos em 103 estacionamentos conveniados na cidade de São Paulo – para locação. Assim como a Urbano, o cliente da Zazcar consegue ter acesso ao veículo pela plataforma on-line. Os valores pela locação são divididos em pacotes e são calculados pelo tempo e quilometragem percorridos. A empresa não declarou o faturamento.

Este site usa cookies para melhorar sua experiência. Vamos supor que você esteja de acordo com isso, mas você pode optar por não participar, se desejar. Aceito Mais detalhes