Indústria e comércio impulsionarão alta nos consórcios em 2019

A expectativa do mercado é que a volta do consumo dê um novo fôlego aos consórcios de veículos e imóveis, carros chefes do sistema.

O mercado de consórcios chegará ao crescimento de dois dígitos em 2019. A expectativa do mercado é que a volta do consumo impulsione os setores da indústria e do comércio e dê um novo fôlego às cotas de veículos e imóveis, carros chefes do sistema total. De acordo com o presidente regional da Associação Brasileira das Administradoras de Consórcios (Abac) para a região Sul, José Roberto Luppi, a volta gradativa da confiança e a maior consciência sobre a necessidade de proteção financeira no futuro são parte fundamental do crescimento do setor. “A melhora dos indicadores e a volta da discussão da reforma da Previdência, por exemplo, são fatores que devem alavancar o mercado no ano que vem”, explica o executivo e pondera que o movimento de recuperação, inclusive, já é visto no segmento. “Neste ano, as projeções indicam um aumento de 7%, mas é bastante razoável acreditar em um crescimento de 13% a 15% para o ano que vem”, completa Luppi.

Novas cotas de consórcios

Segundo a Abac, no acumulado do ano até outubro, a venda de novas cotas atingiu 100,5 mil unidades, um valor 6,3% superior ao observado em igual intervalo de 2017 (94,57 mil) e 13,9% maior do que o visto no mesmo período de 2016 (88,16 mil). “Considerando toda a definição política e expectativas macroeconômicas, o consumo será favorecido, bem como os setores de indústria e comércio. Isso traria um incremento importante para o consórcio de automóvel, por exemplo”, diz o diretor vice-presidente de operações e planejamento da Embracon, Luis Toscano. Ele ressalta o aumento não apenas pelos chamados “consorciados clássicos”, como também os denominados “consorciados investidores”.

Segundo a diretora superintendente da Ademilar, Tatiana Schuchovsky Reichmann, a mira desses investidores está em cotas de imóveis e os consorciados não usam o produto apenas para ter uma renda extra com aluguéis como também acabam vendendo cotas contempladas em um tipo de mercado secundário. “Grande parte dos investidores apostam na venda da cota contemplada para ganhar no ágio, por exemplo. Essa é uma tendência cada vez mais forte para os consórcios de imóveis”, afirma a executiva. Conforme a especialista, a grande maioria dos clientes nesse âmbito são de empresários que, inclusive, tiveram um crescimento de 30% na compra de cotas no ano até novembro. “O consórcio como investimento é uma tendência e já representa 40% da intenção no nosso total de vendas”, conclui Reichmann.

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Serviços - contratoSegmento de serviços

Os especialistas, porém, reforçam que dentre os destaques do sistema ao longo deste ano está o consórcio de serviços. De acordo com as últimas informações da Abac, a modalidade atingiu os 71,5 mil participantes ativos em outubro, um aumento de 44,4% em relação ao mesmo mês de 2017 (49,5 mil). No total do sistema, porém, a participação do produto é de apenas 1%. Segundo Toscano, apesar do potencial, a complexidade do produto ante os consórcios de veículos e imóveis ainda limita a adesão das administradoras. O motivo, segundo o diretor, é a grande variedade de serviços – que vão desde procedimentos cirúrgicos e estéticos até viagens e reformas. “Há uma complexidade para a administradora, mas a demanda veio com tudo para o ramo de serviços, que tem mostrado crescimento de 30% há alguns meses e deve continuar crescendo bem acima das demais modalidades”, avalia.

O segundo maior crescimento do setor foi o consórcio de eletroeletrônicos e outros bens duráveis cujos participantes ativos avançaram 29,5% em outubro ante igual mês de 2017, para 39,5 mil. Depois vieram as cotas para veículos pesados (+8,2% para 302 mil), seguidas pelas de imóveis (+6,7% para 877 mil) e veículos leves, com aumento de 4% (para 3,6 milhões). Os consórcios para motocicletas e motonetas registraram queda de 2,25%, para 2,17 milhões. “A linha de serviços é um pouco mais nova do que os outros e precisa estar mais madura para se consolidar. O mercado ainda se adapta, mas o produto já demonstra uma forte tendência”, conclui Luppi.

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