Copom se reúne no fim de janeiro para definir a primeira Selic de 2026
Previsão é que juros continuem no mesmo patamar
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O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central se reúne nos dias 27 e 28 de janeiro para definir a taxa básica de juros da economia brasileira. A expectativa do mercado é de manutenção da Selic em 15% ao ano, patamar vigente desde o fim de 2025.
Analistas avaliam que, na primeira reunião de 2026, o cenário ainda não permite cortes nos juros. A possibilidade de redução da Selic só deve ganhar força nos encontros seguintes, dependendo do comportamento da inflação e dos indicadores econômicos no início do ano.
A decisão do Copom será divulgada após as 18h30 do dia 28 de janeiro. O anúncio é acompanhado de perto por investidores, economistas e pelo setor produtivo, já que a Selic influencia diretamente os juros de empréstimos, financiamentos e investimentos.
Como o Banco Central decide a Selic?
A definição da taxa Selic segue o sistema de metas de inflação. Desde 2025, a meta passou a ser contínua em 3% ao ano, com tolerância de variação entre 1,5% e 4,5%.
Como a inflação permaneceu acima do teto da meta por seis meses consecutivos, o Banco Central foi obrigado a divulgar uma carta explicando os fatores que pressionaram os preços.
Outro ponto importante é que os efeitos dos juros altos não são imediatos: levam de seis a 18 meses para impactar consumo, inflação e geração de empregos. Por isso, o Copom já considera projeções para 2027 ao tomar decisões em 2026.
De acordo com o Boletim Focus, as estimativas para os próximos anos são:
- 2026: 4,30%
- 2027: 3,9%
- 2028: 3,7%
Mesmo com a desaceleração prevista, todas as projeções continuam acima da meta central de 3%.
Na ata da última reunião, divulgada em agosto, o Banco Central destacou sinais de desaceleração da economia. O chamado hiato do produto, diferença entre o potencial de produção e o nível atual da economia, ainda é positivo, indicando atividade acima do nível considerado neutro para a inflação.
Segundo o BC, os juros elevados já contribuem para esfriar a economia e devem impactar, nos próximos meses, a geração de empregos.
Próximas reuniões do Copom em 2026
O Banco Central divulgou o calendário oficial das reuniões do Copom para 2026. Em cada encontro, a decisão sobre a Selic é anunciada no segundo dia da reunião, geralmente às 18h30, com a ata publicada na semana seguinte.
Reunião | Anúncio da Selic | Publicação da Ata |
|---|---|---|
27–28 de janeiro | 28 de janeiro (quarta) | 3 de fevereiro (terça) |
17–18 de março | 18 de março (quarta) | 24 de março (terça) |
28–29 de abril | 29 de abril (quarta) | 5 de maio (terça) |
16–17 de junho | 17 de junho (quarta) | 23 de junho (terça) |
4–5 de agosto | 5 de agosto (quarta) | 11 de agosto (terça) |
15–16 de setembro | 16 de setembro (quarta) | 22 de setembro (terça) |
3–4 de novembro | 4 de novembro (quarta) | 10 de novembro (terça) |
8–9 de dezembro | 9 de dezembro (quarta) | 15 de dezembro (terça) |
O que é a Selic e quem define a taxa?
A Selic, sigla para Sistema Especial de Liquidação e Custódia, representa a taxa média dos juros praticados entre instituições financeiras em operações lastreadas em títulos públicos. Ela serve como referência para praticamente todas as taxas de juros do país e tem como principal função controlar a inflação.
A meta da Selic é definida pelo Comitê de Política Monetária (Copom), formado pelo presidente do Banco Central e seus diretores, que se reúnem periodicamente para analisar dados econômicos e decidir se os juros devem ser mantidos, elevados ou reduzidos.