Domènec Torrent: quem é o novo técnico do Flamengo e como jogam seus times

Ex-auxiliar de Pep Guardiola, o espanhol Domènec Torrent é a aposta rubro-negra para manter o estilo ofensivo de jogo

Depois que Jorge Jesus deixou o Flamengo para voltar ao Benfica, o clube carioca saiu à procura de outro treinador europeu com DNA ofensivo. Mirou os portugueses Leonardo Jardim, Carlos Carvalhal e José Peseiro. Mas acabou ficando com o espanhol Domènec Torrent, que abraçou o projeto rubro-negro e animou a torcida com  sua chegada.

Apesar de ser pouco conhecido no Brasil até então, Domènec Torrent já trabalhou com alguns dos melhores jogadores do mundo. Afinal, ele foi auxiliar de Pep Guardiola por mais de dez anos, passando por Barcelona, Bayern de Munique e Manchester City. No time alemão, aliás, ele conheceu o lateral Rafinha, hoje no Flamengo.

Assim como outros atletas que já trabalharam com Domènec Torrent, Rafinha o chama de Dome, e lembra que era ele quem passava os treinos para os jogadores no Bayern de Munique; Guardiola apenas observava e corrigia. Sua filosofia de jogo é igual à do antigo chefe, baseada na escola do holandês Johann Cruyff. Sua experiência como primeiro técnico, no entanto, é curta.

Trajetória de Domènec Torrent

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Nascido na Catalunha há 58 anos, Domènec Torrent começou a carreira como jogador aos 18, no Unió Esportiva Olot, que jogava na quarta divisão. O jovem meia também passou pelo Guixols, mas já pensava em ser técnico desde cedo. Ele era fã do Barcelona e de Johann Cruyff. Na época, em meados dos anos 1980, a lenda holandesa fazia carreira como treinador e aplicava seus conceitos de futebol ofensivo no Ajax e no próprio Barça.

Assim, com apenas 27 anos, Torrent decidiu encerrar a carreira como jogador e começou a estudar para ser técnico. Em 1991, teve sua primeira experiência no Farners, clube de sua cidade natal. Passou por uma série de clubes regionais até chegar ao Girona, onde foi campeão da quarta divisão espanhola em 2006. No ano seguinte, foi convidado por Pep Guardiola para ser seu analista no Barcelona B, que disputava a quarta divisão.

Quando Guardiola foi promovido ao time principal do Barcelona, em 2008, Torrent foi junto. E passou a trabalhar com astros do calibre de Lionel Messi, Xavi e Iniesta. Com eles, comemorou três Campeonatos Espanhóis e duas Champions League. A rotina de grandes times e conquistas continuou no Bayern e no City. Mas Domènec Torrent queria um desafio só dele.

Experiência nos EUA

Em 2018, assumiu o New York City FC, uma espécie de filial do Manchester City nos Estados Unidos. Ele substituiu o ex-jogador francês Patrick Vieira, que comandou o clube por dois anos e foi chamado para treinar o Nice, da França. Assim, Domènec Torrent tinha sua primeira experiência como técnico titular desde que deixou de trabalhar com Pep Guardiola.

Em 60 jogos no time nova-iorquino, Dome somou 29 vitórias, 15 empates e 16 derrotas. No começo, teve problemas para ajustar a defesa. Mas conseguiu acertar o time na segunda metade da temporada de 2019 e fez o New York City se classificar em primeiro lugar na Conferência Leste, pela primeira vez na história.

O feito rendeu uma vaga na Concacaf Champions League e a classificação direta para as semifinais dos playoffs da Major League Soccer, que o time acabou perdendo para o Toronto FC. Ainda assim, o New York City nunca tinha ido tão longe na competição.

Domènec Torrent e Pep Guardiola
Divulgação/New York City FC

Estilo de jogo

Assim como o mentor Pep Guardiola, Torrent é adepto do chamado “jogo de posição”, em que os jogadores são orientados a ocupar determinadas posições no campo de acordo com a movimentação da bola. Logo, seus times jogam um futebol ofensivo, intenso, com a marcação alta. Normalmente, ele usa três homens no ataque, seja com o esquema 4-3-3 ou 3-4-3.

Em seus primeiros treinos no Flamengo, Domènec Torrent chamou atenção da torcida e da imprensa por elevar a intensidade das atividades. Cobrando os jogadores a todo momento, ele prioriza o foco na recuperação da posse de bola e a troca de passes rápidos para chegar ao gol.

Além disso, ele tem feito hora extra para assistir a vídeos de jogos e analisar dados dos jogadores. Já pediu, inclusive, para que os treinos do Flamengo passem a ser filmados. Resta saber se esse novo estilo vai se transformar em resultados na tentativa do rubro-negro de defender seus títulos do Campeonato Brasileiro e da Libertadores.

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