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Sob o monitoramento silencioso do Banco Central, o dólar fechou em alta de 1,45% no mercado à vista e atingiu R$ 4,1203 ontem, o terceiro maior valor desde o Plano Real.

O dólar emplacou ontem sua sétima alta consecutiva, que resultou do mau humor no mercado internacional, combinado com o desconforto dos investidores com o cenário eleitoral interno.

Em sete altas consecutivas, o dólar "spot" já subiu 6,69%, levando o acumulado de agosto para uma elevação de 9,72%. O valor de fechamento é o maior desde 21 de janeiro de 2016. Naquele dia, a divisa havia fechado aos R$ 4,1705.

O silêncio do Banco Central diante da nova escalada do dólar foi considerado por diversos analistas como um fator de incerteza para o mercado. Para os profissionais, a falta de uma sinalização da autoridade monetária deixa em aberto qual seria o "teto" da moeda. Por conta disso, afirmam, os negócios no mercado à vista se retraem, enquanto a pressão no mercado futuro se mantém firme, o que leva o dólar a galgar novos patamares a cada dia.

"A maior parte do nervosismo veio do exterior, mas o fato de o Banco Central não se pronunciar leva o dólar a subir novos degraus. O mercado não está conseguindo enxergar até onde a cotação chegará", disse José Carlos Amado, operador da Spinelli Corretora.

A opinião é compartilhada por Hideaki Iha, da Fair Corretora. Ele ressalta a forte influência do cenário internacional, num dia de alta do dólar e queda das commodities, além da expectativa pelo discurso do presidente do Federal Reserve, Jerome Powell, hoje (24) no seminário de Jackson Hole. No entanto, ele afirma que o cenário eleitoral doméstico continua a motivar a busca por dólares, com incertezas sobre até onde irá a cotação.

A quinta-feira foi de alta generalizada do dólar ante moedas emergentes, em meio a uma série de temores, a maioria relacionados aos Estados Unidos. Um dos pontos de tensão foi o início da vigência de novas tarifas dos EUA contra a China, ao mesmo tempo em que o gigante asiático acenou com retaliação e anúncio de ingresso de ação na Organização Mundial de Comércio. Temores de elevação de juros nos EUA e ruídos na Itália também influenciaram a aversão ao risco no mercado externo.

O cenário doméstico não trouxe grandes novidades, depois dos dias de agitação por conta da divulgação de pesquisas eleitorais. Nem por isso a cautela do investidor se dissipou, uma vez que a percepção é de que pode ser grande o desafio de Geraldo Alckmin (PSDB) de chegar ao segundo turno da eleição presidencial.

Ibovespa em baixa

Os investidores importaram o mau humor externo em um contexto ruim que segue em torno das incertezas com a corrida eleitoral. Assim, o Ibovespa marcou 75.633,77 pontos, em baixa de 1,65%.

Entre as blue chips, as ações de Itaú PN perderam 3,89%, seguidas pelas Units do Santander (-3,50%). Bradesco PN e Banco do Brasil ON perderam 2,50% e 2,53%, respectivamente. Os papéis da Petrobras recuaram 1,36% (ON) e 2,23% (PN). Exceção ficou com as empresas exportadoras da carteira teórica, que se beneficiam da alta do dólar, como Vale, Fibria, Klabin e Braskem.

A B3 informou que os investidores estrangeiros ingressaram com R$ 335,948 milhões no pregão do dia 21 de agosto. Em agosto, o saldo estrangeiro está positivo em R$ 2,442 bilhões. /Estadão Conteúdo