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Os juros futuros fecharam a sessão regular da última sexta-feira com taxas em queda na ponta longa e estáveis nos vencimentos curtos, na contramão da alta do dólar.

A sexta-feira foi de liquidez fraca, refletindo o compasso de espera pelo encontro entre o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o presidente da China, Xi Jinping, que pode trazer novidades sobre um possível acordo comercial entre os dois países, e uma série de indicadores domésticos sem surpresa.

A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2020 fechou em 6,990%, de 6,982% na quinta-feira no ajuste, e a taxa do DI para janeiro de 2021 fechou em 7,94%, de 7,953% na quinta no ajuste. A taxa do DI para janeiro de 2023 caiu de 9,123% para 9,07% no ajuste anterior. A taxa do DI para janeiro de 2025 terminou em 9,57%, de 9,632%.

Breno Martins, economista da Mongeral Aegon Investimentos, afirma que, num dia de poucos destaques, o ambiente externo positivo ajuda a ponta longa a fechar. "Lá fora está um pouco melhor com todos esperando o que vai vir do fim de semana. Se sair um acordo para encerrar a guerra comercial, os emergentes devem se beneficiar, principalmente após o discurso de Powell esta semana", disse.

Trump e Xi Jinping se reúnem em jantar no sábado às 19h30, em Buenos Aires, onde está sendo realizada a reunião do G20. Acompanhando Trump, o representante de comércio dos EUA (USTR, na sigla em inglês), Robert Lighthizer, disse que ficaria surpreso se o encontro do republicano com o presidente da China não fosse um sucesso.

Tanto o PIB do terceiro trimestre quanto o superávit do setor público consolidado não tiveram impacto nas taxas. O PIB subiu 0,8% ante o segundo trimestre, variação que coincidiu com a mediana das estimativas. Já o setor público fechou outubro com saldo positivo de R$ 7,798 bilhões em outubro, acima do teto de R$ 6,3 bilhões, o que também não surpreendeu, pois na quinta o resultado do governo central, que compõe boa parte do setor publico, já havia superado as estimativas.

Por fim, também a Aneel confirmou o que já era esperado e retirou a cobrança de tarifa extraordinária nas contas de energia em dezembro.

Volatilidade no pregão

O Ibovespa teve um pregão de instabilidade nesta sexta-feira, 30, e por pouco não emplacou sua quarta alta consecutiva. Depois de ter subido 4,87% em três dias de ganhos e de ter renovado seu pico histórico, o índice alternou altas e baixas ao longo de todo o pregão e acabou por fechar em baixa de 0,23%, aos 89.504,03 pontos.

A alta no mês aconteceu em meio a uma forte volatilidade dos preços das commodities, observa o analista. Na contramão do Ibovespa, os papéis da Petrobras encerraram novembro com perdas de 6,93% (ON) e de 7,51% (PN). Na sexta-feira, essas ações subiram 1,01% e 1,15%, respectivamente.

No pregão, as altas mais significativas ficaram principalmente com as ações do setor de commodities. Além de Petrobras, subiram Vale ON (+1,54%) e as siderúrgicas, com destaque para Usiminas PNA (+4,12%). Suzano ON avançou 5,03%, como reflexo da conclusão da fusão com a Fibria. As ações do setor financeiro passaram por ajustes e Bradesco ON recuou 2,98%. No câmbio, o dólar à vista encerrou cotado a R$ 3,8588, em alta de 0,14%. No mês, a divisa valorizou em 3,5%. /Estadão Conteúdo