Produção industrial recua 1,8% em junho e tem segunda queda seguida, aponta IBGE
Bens de consumo semiduráveis e não duráveis tiveram o maior recuo
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A produção industrial brasileira recuou 1,8% em junho, na comparação com maio, segundo dados divulgados pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Esse foi o segundo resultado negativo consecutivo do setor em 2026, após a queda registrada no mês anterior. Apesar do desempenho mensal, a indústria ainda acumula alta de 1,5% no primeiro semestre e avanço de 0,7% nos últimos 12 meses.
Na comparação com junho de 2025, porém, o cenário foi positivo. A produção industrial cresceu 1,7%, depois de ter registrado alta de apenas 0,2% em maio. O resultado mostra que, embora a atividade tenha perdido força no curto prazo, o setor ainda apresenta crescimento quando comparado ao mesmo período do ano passado.
O recuo de junho foi disseminado entre os principais segmentos da indústria. Das quatro grandes categorias econômicas pesquisadas pelo IBGE, todas apresentaram queda na comparação com maio. Bens de consumo semiduráveis e não duráveis tiveram o maior recuo, de 4,1%, seguidos pelos bens de consumo duráveis, com queda de 3,2%. Bens de capital e bens intermediários registraram retração de 1,1% cada.
Quais setores mais contribuíram para a queda da indústria
O principal impacto negativo veio do setor de coque, produtos derivados do petróleo e biocombustíveis, cuja produção caiu 5,9% no mês. Foi o segundo recuo consecutivo da atividade, que acumulou perda de 11,8% nesse período. Entre as atividades pesquisadas, 16 das 25 registraram queda na produção em junho.
Também contribuíram para o resultado negativo os setores de produtos químicos, com queda de 4,3%, e produtos alimentícios, que recuaram 1,9%. A indústria de produtos farmoquímicos e farmacêuticos teve retração de 11%, mesma variação registrada pela confecção de artigos do vestuário e acessórios.
Outros setores que apresentaram quedas expressivas foram equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos, com recuo de 8,9%, outros equipamentos de transporte, que caíram 8,6%, e produtos de borracha e material plástico, com baixa de 2,8%. As indústrias extrativas tiveram queda mais moderada, de 0,6%.
Na direção oposta, nove atividades apresentaram crescimento em junho. O destaque foi a produção de celulose, papel e produtos de papel, que avançou 5,4% e registrou o terceiro mês consecutivo de alta. No período, o setor acumulou crescimento de 7,3%. Também tiveram desempenho positivo os segmentos de impressão e reprodução de gravações, com alta de 20,2%, e metalurgia, que cresceu 1,4%.
Indústria cresce 1,7% em relação a junho de 2025
Apesar da queda mensal, a comparação anual mostra uma situação mais favorável para a indústria brasileira. Em relação a junho de 2025, a produção aumentou 1,7%. O resultado foi acompanhado por crescimento em 15 dos 25 ramos industriais pesquisados pelo IBGE.
Os maiores impactos positivos vieram da fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias, que cresceu 16,5%, e das indústrias extrativas, com alta de 5,2%. No primeiro caso, o avanço foi puxado principalmente pela maior produção de automóveis, autopeças, carrocerias para ônibus, caminhões e veículos destinados ao transporte de mercadorias.
Também houve crescimento relevante em máquinas, aparelhos e materiais elétricos, que avançaram 7,6%, metalurgia, com alta de 4,4%, impressão e reprodução de gravações, com 20,5%, e produtos de minerais não metálicos, que cresceram 3,7%.
Por outro lado, alguns segmentos impediram um avanço maior da indústria. Equipamentos de informática, produtos eletrônicos e ópticos tiveram queda de 14,1%, enquanto produtos químicos recuaram 3,8%. Também registraram retração outros equipamentos de transporte, vestuário, produtos têxteis, máquinas e equipamentos e alimentos.
Automóveis ajudam a indústria de bens duráveis
Entre as grandes categorias econômicas, os bens de consumo duráveis apresentaram crescimento de 5,2% na comparação com junho de 2025. O desempenho representa uma aceleração em relação à alta de 1,5% registrada em maio.
A fabricação de automóveis foi um dos principais motores desse resultado, com crescimento de 16,3%. Também houve aumento na produção de eletrodomésticos da chamada linha branca, que avançou 15,9%, outros eletrodomésticos, com alta de 18,2%, e móveis, que cresceram 2,1%.
O resultado positivo, no entanto, foi parcialmente limitado pela queda na fabricação de motocicletas, de 15,3%, e de eletrodomésticos da linha marrom, que recuou 21,5%.
Os bens intermediários também tiveram desempenho positivo na comparação anual, com crescimento de 2,7%. Esse foi o sexto resultado consecutivo de alta nessa comparação, impulsionado principalmente pela produção relacionada aos setores automotivo, extrativo, metalúrgico e de derivados de petróleo.
Produção industrial acumula alta de 1,5% no primeiro semestre
Nos seis primeiros meses de 2026, a produção industrial brasileira acumula crescimento de 1,5% em relação ao mesmo período de 2025. O resultado positivo foi sustentado principalmente pelas indústrias extrativas, cuja produção aumentou 7,4%, pelo setor de coque, derivados de petróleo e biocombustíveis, com alta de 4,3%, e pela fabricação de veículos automotores, reboques e carrocerias, que avançou 5,3%.
A indústria de produtos farmoquímicos e farmacêuticos também apresentou crescimento importante no acumulado do ano, de 9,7%, enquanto os produtos alimentícios avançaram 1%.
Entre os setores que ficaram no vermelho no primeiro semestre, o principal destaque negativo foi máquinas e equipamentos, com queda de 7,6%. Também registraram retração produtos químicos, vestuário, produtos de metal, equipamentos de informática e eletrônicos, celulose, papel e produtos de papel e artefatos de couro e calçados.
Na análise por categorias, os bens intermediários acumulam alta de 2,2% no ano, enquanto os bens de consumo duráveis cresceram 1,4% e os semiduráveis e não duráveis avançaram 1,3%. Já os bens de capital tiveram o pior desempenho, com queda de 5,4% no primeiro semestre.
Média trimestral também aponta perda de ritmo
Outro indicador acompanhado pelo IBGE mostra que a indústria perdeu força no trimestre encerrado em junho. A média móvel trimestral da produção industrial recuou 0,5%.
Entre as grandes categorias, os bens de consumo semiduráveis e não duráveis tiveram queda de 2%, enquanto os bens de consumo duráveis recuaram 1%. A produção de bens de capital caiu 0,5%, interrompendo uma sequência de três meses de resultados positivos.
Já os bens intermediários registraram estabilidade na média trimestral, com variação de 0%, interrompendo uma trajetória de crescimento iniciada em janeiro de 2026.
Os dados do IBGE indicam, portanto, um cenário de desaceleração no curto prazo, marcado pela segunda queda mensal consecutiva da produção industrial. Ao mesmo tempo, o crescimento registrado na comparação anual e o avanço acumulado de 1,5% no primeiro semestre mostram que a indústria ainda mantém saldo positivo em 2026, embora com desempenhos bastante diferentes entre os setores.
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