Fábrica histórica de SP fecha as portas após 75 anos com centenas de funcionários
Fábrica produzia materiais para isolamento térmico e acústico de construções
Foto: Respira, Santo Amaro!/@respira_santoamaro/Instagram
Uma fábrica que fazia parte da história industrial de Santo Amaro, na zona sul de São Paulo, encerrou a produção depois de 75 anos de atividade. A unidade da Isover, marca do grupo francês Saint-Gobain, deixou de fabricar lã de vidro em julho de 2026, colocando fim a uma operação que começou em 1951 e atravessou diferentes momentos da indústria brasileira. O espaço, no entanto, não será desativado: a empresa pretende aproveitar a estrutura para uma nova finalidade.
A mudança representa o fim de uma era para a unidade, que durante décadas produziu materiais utilizados principalmente no isolamento térmico e acústico de construções. A fábrica também mantinha uma relação direta com trabalhadores e empresas que prestavam serviços no local. Segundo informações divulgadas sobre o encerramento, cerca de 100 funcionários diretos estavam ligados à operação, além de aproximadamente 50 trabalhadores indiretos.
Fábrica que fechou em São Paulo funcionava desde 1951
A história da unidade começou ainda na década de 1950, quando Santo Amaro tinha características bastante diferentes das atuais. Desde então, a região passou por uma intensa transformação urbana, enquanto a fábrica continuou funcionando e produzindo lã de vidro para o mercado brasileiro.
O material fabricado pela Isover é utilizado em diferentes projetos de construção justamente por suas propriedades de isolamento. Ao longo dos anos, a produção abasteceu obras residenciais, comerciais e industriais, além de aplicações que exigem controle de temperatura e redução de ruídos. Com o encerramento da atividade, a fabricação deixa definitivamente o endereço onde permaneceu por mais de sete décadas.
A produção foi encerrada em 4 de julho de 2026, conforme o cronograma estabelecido em um acordo firmado entre a empresa, o Ministério Público de São Paulo (MPSP) e a Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb). O forno utilizado no processo de fabricação também foi desligado posteriormente, encerrando a etapa industrial da unidade.
Decisão veio após reclamações de moradores
O fechamento da fábrica está relacionado a uma situação que vinha sendo discutida havia anos. Moradores da região apresentaram reclamações relacionadas aos impactos provocados pela atividade industrial, incluindo relatos envolvendo ruídos, odores e emissão de poluentes. O caso acabou sendo acompanhado pelos órgãos responsáveis pela fiscalização ambiental e pelo Ministério Público.
Em dezembro de 2025, a Saint-Gobain, o MPSP e a Cetesb chegaram a um acordo que estabeleceu as condições para o encerramento da produção. A medida determinou um prazo para que a atividade industrial fosse interrompida e estabeleceu também providências relacionadas à desativação dos equipamentos utilizados no processo.
Com o cumprimento do cronograma, a unidade deixou de funcionar como fábrica. A decisão, entretanto, não significa que o grupo francês tenha abandonado o endereço ou encerrado suas atividades no país.
Espaço terá uma nova função
Em vez de ser completamente desocupado, o imóvel será utilizado pela própria empresa como centro de distribuição. A mudança permite que a Saint-Gobain mantenha uma operação no local, mas sem a atividade industrial que marcou a história da unidade desde a década de 1950.
Na prática, isso significa que a fábrica deixa de produzir lã de vidro, mas o espaço continua integrado à estrutura da multinacional. A transformação também muda completamente a rotina do endereço, que passa de uma área de produção para uma operação voltada à armazenagem e distribuição de produtos.
A Saint-Gobain segue presente no Brasil e mantém milhares de funcionários no país. O grupo possui negócios em diferentes segmentos ligados à construção civil e à indústria, de modo que o encerramento da unidade de Santo Amaro não representa uma saída da companhia do mercado brasileiro.
O que acontece com os funcionários?
O encerramento da produção também teve impacto sobre os trabalhadores que atuavam diretamente na unidade. Além dos funcionários contratados pela empresa, a operação movimentava prestadores de serviços, fornecedores, transportadoras e outros profissionais que dependiam da atividade industrial para trabalhar.
A mudança ocorre em um momento em que antigas áreas industriais de São Paulo vêm passando por transformações à medida que os bairros se tornam cada vez mais ocupados por imóveis residenciais e comerciais. No caso de Santo Amaro, a presença de uma fábrica que começou a operar em 1951 atravessou justamente esse processo de urbanização e mudança no perfil da região.
Agora, o endereço terá uma função diferente. A produção que existia havia 75 anos chegou ao fim, enquanto a estrutura será aproveitada para atividades de distribuição. Para a Saint-Gobain, a alteração representa uma mudança na operação; para Santo Amaro, marca o encerramento de uma das antigas atividades industriais que ainda permaneciam no bairro.
A fábrica da Isover, portanto, não desaparece simplesmente do mapa. O que termina é a produção industrial no local, depois de mais de sete décadas de funcionamento. A partir de agora, o mesmo espaço passa a fazer parte de uma nova etapa da operação da multinacional no Brasil.
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