Renner leva tombo na Bolsa e perde terreno para C&A e Riachuelo; veja o que aconteceu
C&A e Riachuelo ganham espaço
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A Renner, uma das principais empresas do varejo de moda do Brasil, enfrenta um momento de maior pressão no mercado. Depois de anos mantendo uma posição de destaque no segmento, a companhia viu suas concorrentes avançarem mais rapidamente nas vendas e ainda precisou reduzir sua expectativa para 2026. O movimento teve reflexo direto nas ações. Na sexta-feira, 7 de agosto, os papéis da Renner (LREN3) chegaram a cair 15,13% durante o pregão e terminaram o dia com baixa de 8,09%, cotados a R$ 12,39.
O contraste com C&A e Riachuelo chama atenção principalmente quando são analisadas as vendas nas mesmas lojas, indicador utilizado para medir o desempenho de unidades que já estavam em funcionamento no período anterior. No segundo trimestre, as vendas de vestuário da Riachuelo cresceram 7,8% nessa comparação. Na C&A, a alta foi de 4,1%. A Renner, por outro lado, registrou avanço de apenas 1,5%.
Apesar da perda de ritmo, os números não significam que a Renner tenha deixado de ser uma das empresas mais eficientes do setor.
A companhia continua apresentando uma produtividade superior por metro quadrado. Segundo estimativa do Itaú BBA citada na análise, as lojas maduras da Renner vendem aproximadamente 39% mais por metro quadrado do que as unidades da C&A.
A diferença também aparece nas margens. No segundo trimestre, a margem bruta do vestuário ficou próxima entre as três companhias: 59,2% na Riachuelo, 59,1% na C&A e 58,7% na Renner.
Ou seja, o principal problema da Renner neste momento não está necessariamente na eficiência operacional, mas na capacidade de transformar essa eficiência em crescimento de vendas.
C&A e Riachuelo ganham espaço
Enquanto a Renner desacelerou, C&A e Riachuelo conseguiram apresentar uma evolução mais forte no período. Na C&A, a receita com vestuário chegou a R$ 1,9 bilhão no trimestre, crescimento de 5,6% em relação ao mesmo período do ano anterior. A empresa também vem sendo apontada por analistas como uma companhia que continua conquistando participação no mercado.
A Riachuelo, por sua vez, teve desempenho ainda mais forte nas vendas mesmas lojas de vestuário. A empresa também vem investindo na modernização de unidades e na expansão de seu modelo de lojas. Esse avanço aumenta a disputa justamente em um momento em que o consumidor brasileiro está mais pressionado pelo endividamento e pelos juros elevados.
A pressão sobre as vendas levou a Renner a revisar suas expectativas para o ano. A empresa reduziu a projeção de crescimento da receita líquida em 2026. A faixa anterior, de 9% a 13%, passou para uma estimativa entre 4% e 8%. Entre os fatores apontados pela companhia estão o ambiente macroeconômico mais difícil, o menor fluxo de consumidores nas lojas durante a Copa do Mundo e a trajetória dos juros, que vem sendo mais lenta do que o esperado.
Para o segundo semestre, a varejista aposta em uma combinação de bases de comparação mais favoráveis, novas lojas, reaberturas após reformas e ações comerciais para tentar recuperar parte do ritmo perdido.
O que acontece com a Renner daqui para frente?
A situação coloca a Renner diante de um desafio: manter sua tradicional vantagem operacional enquanto tenta recuperar o crescimento perdido para as concorrentes. Já a C&A e Riachuelo, por outro lado, entram na segunda metade do ano com sinais de maior velocidade nas vendas. A disputa pelo consumidor promete ficar ainda mais acirrada, especialmente diante de um cenário de crédito caro e famílias com orçamento comprometido.
Por isso, embora a Renner ainda mantenha vantagens importantes em produtividade e rentabilidade, os resultados mais recentes mostram que a distância para suas principais concorrentes está sendo pressionada.