Ford fecha fábricas no Brasil e reforça investimentos na Argentina

O “novo modelo de negócios” da Ford deixou cerca de 5 mil desempregados no Brasil e gerou o investimento de U$ 580 milhões para a Argentina

Na última segunda-feira (11), a Ford fechou fábricas no Brasil após 100 anos de operação no país, nas cidades de Camaçari (BA), Taumbaté (SP) e em Horizonte (CE). Apesar da decisão, a empresa reforçou o investimentos na Argentina, a partir disso, o mercado nacional passa a ser atendido pela produção de montadoras da Ford de outros países da América do Sul, além de importações da fábrica norte-americana.

 

Por quê o Brasil é visto como uma economia tão frágil quanto a Argentina? | Ford fecha fábricas no Brasil e reforça investimentos na Argentina

 

O presidente Jair Bolsonaro justificou a decisão da empresa com a falta de subsídio ao setor automotivo. Para economistas e especialistas, as razões vão além, e afirmam que existe uma aparente contradição em ampliar investimentos em uma economia menor como a Argentina. O país sul-americano possui uma cadeia de produção formatada para atender ao desejo da reestruturação global da Ford, com foco em SUVs e utilitários.

 

Reestruturação global da Ford

 

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O novo foco da montadora, anunciado em 2018, visava a ampliação de investimentos em SUVs, picapes e utilitários comerciais. Na mesma época, a Ford afirmou que encerraria a produção de sedãs populares como Fusion, Fiesta e Taurus.

 

A nova Ranger, por exemplo, é um dos modelos da empresa que é produzida em Buenos Aires. O país é conhecido como o berço das picapes na América do Sul, e além da Ford, o país também produz para as rivais Toyota Hilux, Nissan Frontier, e Volkswagen Amarok. A Hilux, por exemplo, é o carro mais vendido no mercado argentino, à frente de populares como Onix e Gol.

 

As fábricas no Brasil, por sua vez, focavam na produção dos modelos Ka e EcoSport, compactos que fogem da prioridade de planos da reestruturação da Ford, além de serem modelos defasados, de acordo com baixos números de vendas. Ambos os modelos compartilhavam a plataforma do Fiesta, outro modelo descontinuado.

 

O desempenho do mercado brasileiro | Ford fecha fábricas no Brasil e reforça investimentos na Argentina

 

Segundo especialistas ouvidos pelo G1, existe também uma frustração em relação ao desempenho do Brasil como um enorme mercado. Anos atrás, os planos automotivos do país incentivaram a construção de um parque industrial para a produção de 5 milhões de carros ao ano, que hoje produz apenas metade disso.

 

O entrave para a decisão da Ford foi derrubado com o atual acordo de livre comércio de carros entre Brasil e Argentina, assinado em 2019. O país sul-americano é o maior cliente da indústria brasileira no setor automotivo, mas a crise no mercado argentino tem gerado queda nas vendas. Desta forma, a empresa fez o caminho inverso, pois há imposto de importação para veículos produzidos do outro lado da fronteira. Ainda que seja uma questão pequena, a rentabilidade maior dos produtos compensa o envio da produção internacional para o Brasil.

 

Em termos de comparação, os mercados de ambos os países não têm grandes diferenças, e ambos tem o mercado consumidor enfraquecido devido as recentes crises econômicas. Contudo, a Argentina reuniu a especialização em picapes com uma postura que favorece a ampliação dos mercados. São pequenas diferenças que favorecem o auemento de rentabilidade da Ford. O “novo modelo de negócios” deixou ao Brasil cerca de 5 mil desempregados e gerou o investimento de U$ 580 milhões para a Argentina.

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