Onda de calor pode potencializar incêndios ambientais

Massa de ar quente ajuda a alastrar focos de fogo na vegetação seca, espalhando incêndios; Pantanal registra recorde histórico de focos de incêndio

Os últimos dias têm sido quentes por conta da onda de calor em praticamente todo o Brasil. Somente nesta sexta-feira, dia 2, várias cidades registraram sensação térmica acima dos 40 graus.

Se o fenômeno climático já causa transtornos com a elevação das temperaturas nos centros urbanos, a situação no meio ambiente pode ser ainda mais catastrófica.

Somente no mês de setembro, o Pantanal teve 8.106 focos de incêndio, de acordo com dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe).

Foi o pior índice mensal já registrado desde 1998, quando começaram a registrar os casos. Assim, as ondas de calor e a estiagem atrapalham o combate ao fogo.

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Cidades de Mato Grosso do Sul registraram temperaturas bem acima dos 40 graus. Brigadistas de outros estados, como Santa Catarina e Distrito Federal, seguem para combater o fogo.

 

O que dizem os especialistas?

O professor de biologia Alexandre Almeida explica que mesmo que a onda de calor não seja provocada pelos incêndios ambientais, há interferência na manutenção do fogo. “Geralmente o deslocamento de massa de ar quente pode trazer esse processo. No caso, faz uma influência somatória aos incêndios”, explica.

Segundo o professor, fenômenos climáticos são os responsáveis pelo forte calor dos últimos dias. “O ciclo do El Niño, por exemplo, foi bem intenso e traz calor. Com o tempo seco, desloca-se massas de ar com mais lentidão e, consequentemente, retém o calor por mais tempo”, diz Almeida.

 

Situação vista em outros países

No ano passado, uma forte onda de calor ajudou a propagar incêndios florestais na Austrália. Em dezembro de 2019, a temperatura por lá chegou a 47ºC.

Este ano, em agosto, ondas de calor trouxeram mais trabalho aos brigadistas americanos, que lutavam contra os incêndios florestais na Califórnia. Milhares de moradores precisaram sair de suas casas, que foram consumidas pelas chamas.

Segundo o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet), os próximos cinco dias devem registrar temperaturas até 5ºC acima da média no Mato Grosso do Sul. Um alerta foi emitido às autoridades locais e a Defesa Civil.

Nesta sexta-feira, representantes dos principais órgãos envolvidos no combate aos incêndios florestais naquele estado se reuniram e informaram precisar “reforçar a fiscalização e trabalho integrado no combate às queimadas no Pantanal”.

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