Política monetária brasileira é seguida por poucos países

são Paulo – Desde que cortou a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual no dia 31 de agosto, o Banco Central (BC) brasileiro encontrou respaldo apenas das autoridades monetárias da Armênia, Tunísia e Sérvia, enquanto outros 15 bancos centrais mantiveram os juros inalterados, de modo a não endossar o cenário de forte deterioração da economia mundial descrita pelo BC brasileiro. Entre os que decidiram esperar antes de baixar os juros para ver o que acontece com a economia global estão o Banco Central Europeu (BCE) e os BCs da Austrália, do Japão, do Canadá, da Suécia e do Reino Unido. Já os BCs da Uganda e da Bielorrússia elevaram fortemente a taxa de juros.”Isso é uma evidência que o nosso Banco Central está se antecipando a uma piora no cenário da economia internacional que, na verdade, não aconteceu ainda, razão pela qual esses outros bancos centrais ainda não agiram”, disse o diretor de pesquisa de mercados emergentes para Américas da Nomura Securities, Tony Volpon. Ele lembrou que, apesar de a fonte principal da instabilidade dos mercados financeiros mundiais ser a crise da dívida da zona do euro, o BCE não cortou juros. “O que se questiona é até que ponto um banco central deve apostar num cenário que não é aquele base do mercado e dos outros bancos centrais”, acrescentou Volpon. “O BC brasileiro foi prematuro”, analisou.Ao justificar a sua decisão de manter os juros inalterados em 4,75%, no dia 6 de setembro, o presidente do BC australiano, Glenn Stevens, disse que sua preocupação principal era com a perspectiva para a inflação na economia do seu país.Mesmo no centro da crise mundial, o Banco Central Europeu manteve uma avaliação bem menos pessimista do que o BC brasileiro. Ao manter a taxa de juros da zona do euro em 1,50%, no dia 8 de setembro, o BCE disse que trabalha com um crescimento econômico da zona do euro ainda moderado e não recessão.Na América Latina, o banco central do Peru preferiu adotar uma postura mais cautelosa antes de tomar uma decisão. O BC peruano manteve a taxa básica de juros inalterada em 4,25%, também no dia 8, alertando que a decisão levou em conta a desaceleração da economia mundial e a intensificação dos riscos financeiros do mercado internacional. Nos próximos dias, espera-se que o banco central da Nova Zelândia mantenha os juros inalterados em 2,5%, decisão semelhante também esperada para os BCs da Índia (que deverá manter os juros em 8%) e da Suíça (manutenção dos juros entre 0 e 0,25%).Na contramão da maioria dos BCs mundiais, e endossando a posição do Brasil, encontram-se os BCs da Armênia, da Tunísia e da Sérvia, todos reduzindo os juros em 0,5 pp. Por outro lado, o BC da Bielorrússia elevou ontem a taxa básica de juros em 3 pp para 30%, enquanto que o de Uganda subiu os juros em 2 pp para 16%.”)

são Paulo – Desde que cortou a taxa básica de juros em 0,50 ponto percentual no dia 31 de agosto, o Banco Central (BC) brasileiro encontrou respaldo apenas das autoridades monetárias da Armênia, Tunísia e Sérvia, enquanto outros 15 bancos centrais mantiveram os juros inalterados, de modo a não endossar o cenário de forte deterioração da economia mundial descrita pelo BC brasileiro.

Entre os que decidiram esperar antes de baixar os juros para ver o que acontece com a economia global estão o Banco Central Europeu (BCE) e os BCs da Austrália, do Japão, do Canadá, da Suécia e do Reino Unido. Já os BCs da Uganda e da Bielorrússia elevaram fortemente a taxa de juros.

“Isso é uma evidência que o nosso Banco Central está se antecipando a uma piora no cenário da economia internacional que, na verdade, não aconteceu ainda, razão pela qual esses outros bancos centrais ainda não agiram”, disse o diretor de pesquisa de mercados emergentes para Américas da Nomura Securities, Tony Volpon. Ele lembrou que, apesar de a fonte principal da instabilidade dos mercados financeiros mundiais ser a crise da dívida da zona do euro, o BCE não cortou juros. “O que se questiona é até que ponto um banco central deve apostar num cenário que não é aquele base do mercado e dos outros bancos centrais”, acrescentou Volpon. “O BC brasileiro foi prematuro”, analisou.

Ao justificar a sua decisão de manter os juros inalterados em 4,75%, no dia 6 de setembro, o presidente do BC australiano, Glenn Stevens, disse que sua preocupação principal era com a perspectiva para a inflação na economia do seu país.

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Mesmo no centro da crise mundial, o Banco Central Europeu manteve uma avaliação bem menos pessimista do que o BC brasileiro. Ao manter a taxa de juros da zona do euro em 1,50%, no dia 8 de setembro, o BCE disse que trabalha com um crescimento econômico da zona do euro ainda moderado e não recessão.

Na América Latina, o banco central do Peru preferiu adotar uma postura mais cautelosa antes de tomar uma decisão. O BC peruano manteve a taxa básica de juros inalterada em 4,25%, também no dia 8, alertando que a decisão levou em conta a desaceleração da economia mundial e a intensificação dos riscos financeiros do mercado internacional.

Nos próximos dias, espera-se que o banco central da Nova Zelândia mantenha os juros inalterados em 2,5%, decisão semelhante também esperada para os BCs da Índia (que deverá manter os juros em 8%) e da Suíça (manutenção dos juros entre 0 e 0,25%).

Na contramão da maioria dos BCs mundiais, e endossando a posição do Brasil, encontram-se os BCs da Armênia, da Tunísia e da Sérvia, todos reduzindo os juros em 0,5 pp. Por outro lado, o BC da Bielorrússia elevou ontem a taxa básica de juros em 3 pp para 30%, enquanto que o de Uganda subiu os juros em 2 pp para 16%.

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