Vacina contra covid-19: veja quais estão em testes no Brasil

Há cerca de oito meses o mundo entrou em estado de emergência por conta da pandemia do coronavírus. Portanto, além das medidas de prevenção, diversos estudos começaram a ser direcionados para procurar e criar uma vacina contra a COVID-19. Especialistas já afirmam que a única maneira de nos vermos livres da doença que assolou o planeta é com um imunizante eficaz. Por isso, nos encontramos em uma corrida pela vacina. Algumas já são consideradas promissoras pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Entre elas, temos representantes sendo testadas no Brasil. Confira como está a corrida pelo imunizante mais cobiçado no mundo no território brasileiro.

Vacinas contra a COVID em teste no Brasil

Vacina contra COVID: CoronaVac

Ainda ontem (20), o Ministério da Saúde assinou um protocolo de intenções para adquirir 46 milhões de doses da Coronavac. O anúncio foi feito nesta terça-feira (20) pelo ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, em reunião com os 27 governadores. Em resposta a tal ato, o presidente Jair Bolsonaro postou em sua conta no Facebook que a vacina chinesa não será comprada pelo Brasil e acusou o ministro da saúde de traição em seu governo.

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Essa vacina funciona com o método do vírus inativo, ou seja, esses imunizantes são feitos a partir do próprio vírus. Quando entram em contato com nosso corpo, o organismo começa a criar defesas contra o agente infeccioso.

A CoronaVac está sendo desenvolvida em conjunto por sete instituições, com uma parceria entre a empresa chinesa Sinovac Biotech e o Instituto Butantan, em São Paulo. O governo do estado de São Paulo está animado com as pesquisas e testes que vem sendo feitos com a vacina chinesa.

Na coletiva de imprensa em que foi feito o anúncio, foi apresentado um comparativo com outras quatro vacinas também em teste no Brasil, desenvolvidas pelas empresas Moderna, BioNTech/FoSun/Pfizer, CanSino e AstraZeneca/Oxford. Nestas quatro vacinas, a incidência de efeitos adversos variou entre 77% e 100%. “Portanto, [a CoronaVac] é a vacina mais segura não só no Brasil, mas no mundo”, disse Covas.

Além disso, cerca de 35% dos voluntários que tomaram a vacina sentiram efeitos colaterais, como dor de cabeça, inchaço e inflamação no local da picada. Contudo, não houve registros de efeitos colaterais graves.

O governador de São Paulo anunciou anteriormente que a vacinação de profissionais de saúde teria início em 15 de dezembro. Para isso, o Butantan deverá começar a produzir a CoronaVac ainda em outubro para ter 46 milhões de doses prontas para serem aplicadas até dezembro. “Aí aguardaremos o processo de registro da vacina”, completou Covas.

Vacina contra COVID:  Oxford e AstraZeneca

Outra vacina que tem ganhado destaque no cenário brasileiro é da Universidade de Oxford em parceria com a AstraZeneca e outras sete instituições. Esse imunizante é feito a partir de um método chamado vetor viral não replicante. Que consiste em pegar uma parte de outro vírus, que não causa doença e nem se replica, e colocar dentro informações do material genético do coronavírus.

A vacina está na fase 3 de teses também, a última etapa antes da distribuíção. O imunizante foi encomendado por Brasília para ser aplicado no Brasil. Nos testes, estão inclusos voluntários brasileiros e há um acordo com o Ministério da Saúde e a Fundação Oswaldo Cruz (FioCruz) para uma eventual produção de doses em território nacional.

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O governo federal disse que contará com 100 milhões de doses no primeiro semestre de 2021 e mais 110 milhões na segunda metade do ano. Mas ainda não há uma data certa para iniciar a distribuição.

No mês passado, cerca de 4,5 mil voluntários teriam participado dos testes no Brasil, sem apresentar nenhum efeito adverso grave. Mas os testes foram pausados por um tempo e estão sendo retomados agora.

Entretanto, um dos voluntários morreu durante o processo de testes da vacina de Oxford no Brasil. A ANVISA vai avaliar se ele recebeu uma dose da vacina ou do medicamento placebo para poder tirar as conclusões. Em nota, a agência disse que “com base nos compromissos de confidencialidade ética previstos no protocolo, as agências reguladoras envolvidas recebem dados parciais referentes à investigação realizada por esse comitê, que sugeriu pelo prosseguimento do estudo. Assim, o processo permanece em avaliação”.

Foto: Motortion/iStock

Vacina contra COVID: Janssen-Cilag

A empresa Janssen-Cilag Farmacêutica Ltda, divisão farmacêutica da Johnson & Johnson, também está trabalhando para produzir uma vacina eficaz contra o coronavírus. O método utilizado também é o vetor viral não replicante.

A vacina estava sendo testada pela Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG). Contudo sofreu uma pausa nos testes, por conta de efeitos adversos ocorridos com um voluntário no exterior. Os detalhes não foram revelados. Portanto, o estudo continuará interrompido até que haja investigação de causalidade por parte do Comitê Independente de Segurança, como parte dos procedimentos de Boas Práticas Clínicas.

Em nota, a farmacêutica afirmou que: “No Brasil, a inclusão do primeiro voluntário no estudo ocorreu em 9 de outubro e novas inclusões só poderão ocorrer quando houver autorização da Anvisa, que procederá com a análise dos dados da investigação e decidirá pela continuidade ou interrupção permanente do estudo clínico, com base nos dados de segurança e avaliação risco/benefício.”. Portanto, ainda não há previsão para volta dos testes no país.

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O que falta para começar a vacinar: previsões

Natalia Pasternak, microbiologista e presidente do Instituto Questão de Ciência, contou, em entrevista ao UOL que todas as vacinas em teste no Brasil são promissoras. “Todas tiveram bons resultados nas primeiras fases, geraram resposta imune e tiveram poucos efeitos colaterais.”, explica.

Mas embora os resultados sejam promissores, ainda não podemos afirmar que as vacinas estarão sendo aplicadas em dezembro, como alguns parlamentares afirmam. Pois é preciso uma gama de estudos e testes antes da aprovação.

Em entrevista a BBC Brasil Cristina Bonorino, professora titular da Universidade Federal de Ciências da Saúde de Porto Alegre e membro do Comitê Científico da Sociedade Brasileira de Imunologia, fez um alerta para a antecipação de vacinas que os governos vem comentando. “Precisamos respeitar o protocolo. É temerário você liberar qualquer vacina sem os resultados completos. Por mais que as agências regulatórias e os cientistas sofram pressão, devemos esperar para ter certeza de que aquele produto vai funcionar de verdade”, afirma.

Contudo, ainda existe a possibilidade de que elas estejam prontas e sejam distribuídas. “Os fabricantes farão análises interinas, com um número menor de eventos registrados. Se os resultados parciais forem robustos, eles já pedirão uma aprovação emergencial para as agências regulatórias”, antecipa Natalia Pasternak em entrevista á BBC Brasil. Por isso, poderiam chegar antes do previsto à população em larga escala.

Além disso, outras vacinas que estão sendo testadas no mundo e também podem chegar ao Brasil e serem distribuídas à população.

Quem aprova a vacina?

Em geral, uma vacina deve ter uma taxa de eficácia de 70%, ou seja, ser capaz de proteger sete em cada dez pessoas que a tomarem.

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Embora haja muita especulação a respeito de qual vacina é segura e eficaz, os responsáveis pela liberação para a vacinação em larga escala são pesquisadores e institutos responsáveis, como a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), aqui no Brasil. O imunizante que for ser aplicado na população brasileira, vai passar por uma série de testes e estudos antes de ser aprovado para evitar qualquer risco aos seres humanos.

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