Por que o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella, foi preso?

A ação faz parte da Operação Hades, que investiga um suposto ‘QG da Propina’ na Prefeitura do Rio. Crivella alegou ser inocente e nega as acusações.

No começo da manhã de hoje (22), o prefeito do Rio de Janeiro, Marcelo Crivella (Republicanos) foi preso por corrupção, em uma operação conjunta entre a Polícia Civil e o Ministério Público do Rio de Janeiro (MPRJ). A ação faz parte da Operação Hades, que investiga um suposto ‘QG da Propina’ na Prefeitura do Rio. Crivella alegou ser inocente no momento em que era levado pela polícia. Além do prefeito, outros cinco foram presos também. Ao todo, são sete mandados de prisão.

Os presos na operação vão passar por uma audiência de custódia às 15h, no Tribunal de Justiça, para que a legalidade do procedimento seja avaliada, conforme determinação do ministro Edson Fachin.

Quem mais foi preso? 

  • Marcelo Crivella, prefeito do Rio;
  • Rafael Alves, empresário;
  • Fernando Moraes, delegado aposentado;
  • Mauro Macedo, ex-tesoureiro da campanha de Crivella;
  • Adenor Gonçalves dos Santos, empresário;
  • Cristiano Stockler Campos, empresário da área de seguros.

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Como Fernando Moraes está com sintomas de Covid-19, não foi levado à delegacia junto com os outros. Mas está na Polinter, também na Cidade da Polícia.

Além disso, o ex-senador Eduardo Lopes também é alvo da operação. Contudo, ele não foi encontrado em sua casa no Rio. Pois teria se mudado para Belém e deverá se apresentar à polícia. Lopes herdou a vaga no Senado de Crivella e foi secretário estadual de Agricultura, Pecuária, Pesca e Abastecimento do governo de Wilson Witzel.

Todos são suspeitos de organização criminosa, lavagem de dinheiro e corrupção passiva.

QG da propina – Crivella preso

Rafael Alves
Rafael Alves (Foto: Reprodução/TV Globo)

Um inquérito foi aberto em dezembro de 2019, com base na delação do doleiro Sérgio Mizrahy, preso em um desdobramento da operação Lava-Jato. No depoimento, Mizrahy chamou um escritório da prefeitura de “QG da propina”. Na época, o doleiro não sabia dizer se Crivella estaria envolvido no esquema. Pela delação, o chefe das operações ilegais era o empresário Rafael Alves, que também foi preso. Não era claro o envolvimento de Alves com Crivella, pois ele não tinha cargo na prefeitura do Rio. Mas segundo reportagem do jornal O Globo, tornou-se um dos homens de confiança de Crivella por ajudá-lo a viabilizar a doação de recursos de empresas e pessoas físicas na campanha de 2016.

Mizrahy afirmou que empresas que tinham interesse em fechar contratos ou tinham dinheiro para receber do município procuravam Rafael, com quem deixavam cheques. Em troca, ele intermediaria o fechamento de contratos ou o pagamento de valores que o poder municipal devia a elas.

Zero Um

A decisão é da desembargadora Rosa Helena Penna Macedo Guita. Além disso, segundo as investigações do Ministério Público, o bispo teria um codinome no esquema de propina, “Zero Um”.

“E ainda a conferir verossimilhança às declarações do colaborador Sérgio Mizrahy, o Ministério Público juntou cópias de mensagens trocadas via WhatsApp entre integrantes do grupo criminoso, em que cobravam o recebimento de determinada quantia em espécie a pedido do “Zero Um”, codinome atribuído ao Prefeito Marcelo Crivella”, diz o despacho.

Crivella Preso

Crivella é preso no Rio
Foto: Reprodução/TV Globo

A nove dias de encerrar seu mandato, o atual prefeito do Rio diz ter sido surpreendido com a polícia em casa, na Barra da Tijuca, Zona Oeste do Rio na manhã de hoje (22), por volta das 6h.

Quando foi preso, Crivella disse ser inocente e que espera por justiça. Além de afirmar ser alvo de perseguição da polícia.

“Lutei contra o pedágio ilegal, tirei recursos do carnaval, negociei o VLT, fui o governo que mais atuou contra a corrupção no Rio de Janeiro”, disse Crivella. Questionado sobre sua expectativa a partir de sua prisão, o prefeito se restringiu a responder: “justiça”., alegou o prefeito.

Eleições 2020

Crivella tentou a reeleição neste ano, contudo foi derrotado por Eduardo Paes (DEM). Como o vice prefeito do Rio, Fernando McDowell, morreu em maio de 2018, quem assume a prefeitura enquanto o prefeito estiver preso é o presidente da Câmara de Vereadores, Jorge Felippe (DEM).

O prefeito eleito do Rio, Eduardo Paes (DEM), afirmou, em seu Twitter, que a transição transcorrerá normalmente com Felippe.

Em um debate entre os candidatos, em novembro, Crivella atacou Paes dizendo que este seria preso durante o mandato. Paes, então, devolveu e alegou que o opositor “morria de medo de ser preso”.

Crivella e Bolsonaro

Crivella preso
Foto: Divulgação/PR

O presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e o prefeito do Rio preso hoje eram aliados políticos. O presidente, inclusive gravou vídeo para campanha de Crivella neste, por entender que o prefeito seria o melhor candidato para a capital carioca. No vídeo em questão, o presidente ainda disse que ambos sofriam do mesmo mal, uma perseguição da mídia no país. O candidato à reeleição, na época, também usava o apoio e aliança com Bolsonaro uma de suas estratégias para conseguir votos.

Quando o ex-governador do Rio de Janeiro, Wilson Witzel foi preso, Bolsonaro e sua família comemoram o ato.  Até o momento, o presidente, nem os seus filhos se manifestaram a respeito da prisão de Crivella.

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