Crise econômica: entenda o que é e saiba como se proteger

A recessão atual pode ser comparada, em magnitude, com a grande depressão americana, de 1929.

As crises econômicas são cíclicas. Com a pandemia do novo coronavírus, diversos países – inclusive o Brasil – já deram sinais de um novo colapso financeiro. Pode ser a quebra do mercado de ações, um aumento da inflação ou do desemprego. Eles têm efeitos graves, embora nem sempre levem a uma recessão. A seguir, saiba o que é a chamada crise econômica e as consequências para a população. Confira:

O que é uma crise econômica?

Crises econômicas são definidas como desequilíbrios na economia de determinado setor. Podem ser desequilíbrios isolados, que acontecem, por exemplo, dentro de uma empresa. Mas as crises podem ser gerais e atingir grandes parcelas da população. Além disso, as quedas na economia geram problemas em todo o sistema dentro de uma sociedade. Causam desemprego, recessão, falências e, nos casos graves, fome e mortes.

As razões pelas quais ocorre uma crise são diversas. Podem ocorrer por má administração de recursos ou até mesmo por conta de desastres naturais ou situações trágicas – a exemplo da Covid-19.

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Qual a diferença entre recessão e depressão econômica?

O professor e coordenador do instituto de finanças da Fundação Getúlio Vargas (FGV), Dr. Antonio Gledson Carvalho aponta que as recessões são cíclicas e acontecem de tempos em tempo. As recessões contam com quedas no PIB e no crescimento econômico, mas são perdas recuperadas rapidamente. Então não perduram por muito tempo nem deixam muitas marcas. Já a depressão é uma recessão prolongada e mais acentuada, essas são mais complexas e demoram tempo para recuperar os danos causados à sociedade.

  • Recessão

Em uma recessão, o produto interno bruto se contrai por pelo menos dois trimestres.  Em uma recessão típica, o crescimento do PIB desacelerará por vários trimestres antes de se tornar negativo.

Há também uma queda em quatro outros indicadores econômicos críticos: renda, emprego, manufatura e vendas no varejo. Como esses relatórios são publicados mensalmente, eles geralmente sinalizam uma recessão muito antes de o PIB ficar negativo.

  • Depressão

Uma depressão é mais longa e destrutiva do que uma recessão. Há anos, não trimestres, de contração econômica . Na Grande Depressão dos EUA, por exemplo, o PIB foi negativo em seis dos dez anos. Em 1932, encolheu recorde de 12,9%.

O desemprego atingiu 25%. O comércio internacional encolheu em mais de dois terços e os preços caíram mais de 25%. Em resumo, a devastação de uma depressão é tão grande que os efeitos da Grande Depressão duraram décadas após seu fim.

 

1929: uma das maiores crises econômicas do mundo

Foto mostra o rosto de uma mulher com duas crianças ao lado.
Retrato feito na crise de 29. (Foto: Reprodução)

A crise de 29 ficou conhecida como a grande depressão. Começou nos Estados Unidos, quando o valor das ações da Bolsa de Valores de Nova York despencou bruscamente. O momento ficou conhecido como “a quebra da bolsa de Nova York”. Considerada por muitos a pior crise econômica, a grande depressão é apontada como um dos piores momentos da humanidade.

Esse período está sendo lembrado agora pela semelhança que tem com o momento atual. Carvalho aponta que são crises parecidas, por conta da magnitude. Ainda não se pode afirmar sobre à extensão da recessão atual. Pois ainda é cedo para prever e a sociedade não passou por nenhuma crise igual a esta antes.

Mas o professor acrescenta que existem diferenças entre esses dois momentos também. Pois antes os governos não se mostraram ativos para reverter a situação e retomar o crescimento econômico. Já no momento atual, os países estão promovendo políticas para aliviar a recessão. “Eu não creio que tenhamos uma recessão tão prolongada, como ocorreu naquele período, mas a magnitude é muito parecida”, ele afirma.

Quais os efeitos de uma crise econômica mundial?

As crises econômicas geram sofrimentos para a população, o que varia de acordo com a intensidade em que elas acontecem. As consequências mais comuns são:

  • Queda do consumo;
  • Desemprego;
  • Falência de empresas;
  • Queda da taxa de lucro das atividades econômicas,
  • Declínio na arrecadação de tributos do estado, entre outras coisas.

O grande problema é que momentos de crise geram mais desemprego, menos consumo, menos investimento, mais empresas quebrando e assim surge um círculo vicioso e difícil de ser vencido.

No entanto, alguns países irão sofrer mais que outros em momentos de crise. No cenário mundial, hoje, Carvalho aponta que todos estão sendo terrivelmente afetados pela recessão e que ninguém sairá ileso disso. Mas existem países com “politicas sociais ou com uma boa característica de distribuição de renda dentro da economia, o que faz com que a população sofra menos.” Ele cita o exemplo de países europeus, principalmente a Alemanha.

Recessão no Brasil

A recessão no Brasil aconteceu entre abril de 2014 a dezembro de 2016. O período foi marcado pela retração do PIB (Produto Interno Bruto do país). O indicador significa a soma de todos os bens e serviços finais produzidos por um país, estado ou cidade, geralmente em um ano.

Dentre as causas dessa crise, é possível destacar a crise global de 2008, que afetou o mercado internacional como um todo; e as políticas adotadas pela equipe econômica do governo em resposta à crise internacional. O Brasil é um grande exportador de commodities – produtos cujos preços são determinados no mercado internacional. Como o mundo estava em crise, o valor desses produtos caiu. Essa queda de preços afetou as exportações brasileiras e, apesar da adoção de políticas econômicas por parte do governo, não foi possível evitar a recessão econômica.

 

Como o coronavírus afeta a economia?

À medida que a doença se espalha pelo mundo, ela restringe a oferta e reduz a demanda. As indústrias de viagens e entretenimento foram as mais atingidas no início, pois as pessoas ficavam em casa. As companhias aéreas norte-americanas podem perder até US $ 113 bilhões, enquanto a indústria cinematográfica pode perder US $ 5 bilhões.

Estudos mostram que nos Estados Unidos, o PIB do primeiro trimestre, comparação com o mesmo período de 2019, encolheu 5%. Na área do Euro, a atividade econômica diminuiu 3,6% no primeiro trimestre de 2020, em relação ao último trimestre de 2019 e a economia japonesa teve queda de 2,2% entre janeiro e março.

No caso do Brasil, a crise econômica decorrente da pandemia do coronavírus levou o BC estimar que o PIB (Produto Interno Bruto) registrará uma queda de 6,4% em 2020. O dado faz parte do Relatório Trimestral de inflação, publicado em junho.

Ao olhar para o cenário econômico atual, Carvalho acredita que já estamos em recessão e caminhamos para uma depressão. “A queda do PIB dos países é muito mais comparável com o que aconteceu com a grande depressão em 29.”, ele afirma. Mas ele aponta que como nessa crise econômica tivemos que fechar empresas, a retomada do crescimento pode demorar mais do que em outros momentos.

Economia brasileira pós-pandemia

Ainda não é possível prever quando o crescimento econômico será retomado. A crise atual ainda é novidade para todos. Mas o professor Carvalho acredita que podemos ter uma grande expansão econômica após a recessão. A pandemia do coronavírus acelerou muitas mudanças tecnológicas. Algumas mudanças vão continuar, por exemplo, o home office e o ensino à distancia, pois foi uma lógica que funcionou e gerou oportunidades. Além disso, as inovações não devem para por aí. Carvalho acredita que o como mundo deve avançar bastante nos quesitos tecnológicos, vai trazer também um crescimento econômico novo no futuro.

Como se proteger da crise econômica?

  1. Trabalhe em seu fundo de emergência. Agora é a hora de criar seu fundo de emergência. Acumule seu fundo. Isso pode significar que você precisa reavaliar seus gastos e seu orçamento. Faça. Experimente e salve o que puder. Se você perder seu emprego ou tiver algum outro problema, um fundo de emergência é algo que pode ajudá-lo.
  2. Agora é um bom momento para investir. Mas apenas nas coisas certas. Procure empresas que sejam fundamentalmente sólidas e tenham uma boa chance de recuperação. Comprar na baixa é uma boa estratégia por enquanto, especialmente se você tiver um horizonte de tempo de mais de cinco anos.
  3. Se você adotar uma abordagem comedida em suas finanças pessoais e planejar com antecedência, descobrirá que pode resistir à crise financeira. Além disso, lembre-se de que o desastre é irmão da oportunidade. Este é um bom momento para avaliar onde você está fazendo essencial em termos de preparação para o futuro (principalmente com investimentos bem escolhidos).

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