De Banco Imobiliário a Suzi: Estrela pede recuperação judicial
Pedido de recuperação judicial acontece em à crise no setor de brinquedos
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A tradicional fabricante de brinquedos Estrela anunciou nesta quarta-feira, 20 de maio de 2026, que entrou com pedido de recuperação judicial junto com empresas de seu grupo econômico. A decisão foi protocolada na Comarca de Três Pontas, em Minas Gerais, e envolve oito companhias ligadas ao grupo, entre elas a Manufatura de Brinquedos Estrela S.A., a Editora Estrela Cultural e a Estrela Distribuidora de Brinquedos.
O que aconteceu com a Estrela?
Conhecida por marcar gerações de brasileiros com brinquedos clássicos como Banco Imobiliário, Autorama, Falcon, Genius e Susi, a empresa afirmou que enfrenta dificuldades financeiras provocadas pelo cenário econômico dos últimos anos e pelas mudanças no comportamento do consumidor.
Em comunicado ao mercado, a companhia informou que a recuperação judicial busca reorganizar as dívidas, preservar as operações e garantir a continuidade dos negócios. Segundo a fabricante, o aumento das taxas de juros, a dificuldade de acesso ao crédito e o avanço do entretenimento digital contribuíram para pressionar a saúde financeira do grupo.
A empresa destacou ainda que continuará operando normalmente durante o processo de recuperação judicial. Pela legislação brasileira, a administração permanece responsável pelas atividades enquanto um plano de reestruturação é elaborado e negociado com os credores.
O que é recuperação judicial?
A recuperação judicial é um mecanismo previsto na legislação brasileira para empresas que enfrentam dificuldades financeiras, mas ainda possuem condições de continuar funcionando. O objetivo é evitar a falência por meio da renegociação das dívidas e da reorganização da companhia.
Durante o processo, a empresa apresenta um plano detalhado de reestruturação financeira, que precisa ser aprovado pelos credores e homologado pela Justiça.
A legislação determina que apenas empresas que atendam a critérios específicos possam solicitar o benefício. Entre os requisitos estão:
- exercer atividades regularmente há mais de dois anos;
- não estar em processo de falência;
- não ter obtido recuperação judicial nos últimos cinco anos;
- não possuir condenações por crimes previstos na lei de recuperação e falência.
Como funciona o processo de recuperação judicial?
Após o pedido ser aceito pela Justiça, a empresa passa a contar com proteção temporária contra cobranças e execuções judiciais relacionadas às dívidas incluídas no processo.
A partir daí, começa a fase de elaboração do plano de recuperação judicial. O documento precisa apresentar:
- medidas para reorganização financeira;
- proposta de pagamento aos credores;
- demonstração de viabilidade econômica;
- avaliação patrimonial da empresa.
Pela lei, o plano deve ser apresentado em até 60 dias após o deferimento do processo. Caso contrário, a recuperação judicial pode ser convertida em falência.
Depois da apresentação, os credores analisam as propostas e podem aprovar, rejeitar ou sugerir alterações. Se houver consenso e homologação da Justiça, a empresa segue operando sob supervisão judicial até cumprir as obrigações previstas no plano.
Estrela tenta superar crise no mercado de brinquedos
Fundada em 27 de junho de 1937, a Estrela se tornou uma das marcas mais tradicionais do mercado brasileiro de brinquedos. Presente na infância de milhões de brasileiros, a empresa atravessou décadas acompanhando as mudanças de comportamento, tecnologia e entretenimento no país.
Nos anos 1990, a companhia enfrentou um dos momentos mais delicados de sua trajetória após o fim da parceria com a Mattel, responsável pela fabricação da boneca Barbie no Brasil. Como resposta, a Estrela relançou a boneca Susi, tentando recuperar espaço no mercado nacional.
A empresa também trava há anos disputas judiciais com a Hasbro envolvendo royalties de brinquedos comercializados no país, incluindo o tradicional Banco Imobiliário.
Atualmente, a fabricante mantém operações industriais em São Paulo, Minas Gerais e Sergipe, além de escritório na capital paulista. Nos últimos anos, porém, a concorrência com jogos digitais, aplicativos e plataformas de entretenimento online reduziu o espaço dos brinquedos tradicionais no consumo infantil.
História da Estrela: brinquedos que marcaram gerações no Brasil
Ao longo de quase nove décadas, a Estrela lançou produtos que se transformaram em verdadeiros ícones da cultura popular brasileira. Entre os maiores sucessos estão o Banco Imobiliário, o Autorama, o Falcon, a boneca Susi, além de clássicos como Genius, Comandos em Ação, Aquaplay, Ferrorama e Super Massa.

Décadas de inovação e sucessos
Nos anos 1940, a companhia lançou o Banco Imobiliário, que se tornaria um dos jogos de tabuleiro mais populares do Brasil. Na mesma década, apresentou também a Super Massa, produto que continua no mercado até hoje.
Já nos anos 1960, a empresa revolucionou o segmento de bonecas com o lançamento da Susi, considerada pioneira no conceito de “fashion doll” no país. O período também marcou a chegada do Autorama, brinquedo que virou sinônimo da categoria no Brasil.
A década de 1970 foi marcada pela estreia do Falcon, primeiro boneco articulado da marca, além da chegada dos carrinhos rádio-controlados. Nos anos 1980, a Estrela apostou em brinquedos eletrônicos e lançou o Genius, conhecido como “o computador que fala”, além de sucessos como Colossus, Pegasus e Comandos em Ação.
Nos anos 1990 e 2000, a fabricante passou a investir em brinquedos tecnológicos, jogos renovados e licenças de personagens famosos, acompanhando a transformação do mercado infantil.
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