Nova regra promete mudar consignado do INSS e beneficiar aposentados
Ministério da Previdência estuda criar uma fórmula automática para atualizar o teto do empréstimo consignado de aposentados e pensionistas.
Aposentados podem se beneficiar da regra do INSS - Foto:
O governo federal estuda mudar a forma como são definidos os juros do consignado do INSS, modalidade de crédito usada por aposentados e pensionistas com desconto direto no benefício. A ideia em análise é criar uma regra automática para atualizar o teto da taxa cobrada pelos bancos, em vez de depender apenas de decisões pontuais do Conselho Nacional de Previdência Social, o CNPS.
Hoje, a taxa máxima do empréstimo consignado do INSS está em 1,85% ao mês. Esse limite vale para operações tradicionais de crédito consignado e foi aprovado em 2025 pelo conselho responsável por discutir as regras da modalidade.
A mudança ainda não está valendo. Segundo apuração da Folha de S.Paulo, o Ministério da Previdência quer avançar até o fim do ano em uma fórmula que acompanhe indicadores de mercado, como a taxa Selic e o DI de dois anos, usado como referência para o custo de captação dos bancos.
Na prática, a nova regra poderia fazer o teto do consignado subir ou cair de forma mais previsível, conforme o cenário dos juros no país. Mas, antes disso, o governo deve discutir ainda em julho se há espaço para reduzir o limite atual.
O que pode mudar nos juros do consignado do INSS?
A principal mudança seria a criação de uma fórmula automática para calcular o teto dos juros do consignado do INSS. Hoje, qualquer alteração precisa ser discutida e votada pelo CNPS.
Com a nova regra, o governo quer reduzir a influência de decisões pontuais e criar um critério técnico para atualizar a taxa. A proposta em estudo levaria em conta a trajetória da Selic, que é a taxa básica de juros da economia, e indicadores de mercado que mostram quanto custa para os bancos captar dinheiro.
Isso importa porque o consignado é uma das linhas de crédito mais usadas por beneficiários do INSS. Como as parcelas são descontadas diretamente da aposentadoria, pensão ou benefício, o risco de inadimplência é menor. Por isso, os juros costumam ser mais baixos do que em outras modalidades, como empréstimo pessoal comum, cheque especial ou rotativo do cartão.
Juros do consignado do INSS podem cair?
Podem, mas ainda não há decisão. O Ministério da Previdência deve pedir uma avaliação técnica sobre o teto atual, hoje em 1,85% ao mês, para saber se existe margem para reduzir a taxa.
A discussão ocorre em um momento em que a Selic voltou a cair depois de ter alcançado patamar elevado. Quando a taxa básica recua, cresce a pressão para que o custo do crédito também diminua. No entanto, a redução do teto do consignado não depende apenas da Selic.
Os bancos argumentam que também precisam considerar o custo de captação, os tributos, as despesas operacionais, o risco da operação e o prazo dos contratos. Por isso, mesmo em um cenário de queda dos juros básicos, o corte do teto pode não ser automático.
A decisão final caberá ao CNPS. O conselho reúne representantes do governo, dos aposentados e pensionistas, dos trabalhadores e dos empregadores.
Como a nova regra afetaria aposentados e pensionistas?
Para aposentados e pensionistas, a mudança pode ter dois efeitos principais. Se a fórmula indicar queda no teto, novos contratos de empréstimo poderão ficar mais baratos. Isso significa parcelas menores ou custo total menor para quem contratar crédito após a alteração.
Por outro lado, se os juros do mercado voltarem a subir, a regra também poderia permitir aumento automático do teto, evitando que os bancos suspendam a oferta de crédito.
Esse é um ponto sensível. Em anos anteriores, reduções fortes no teto levaram instituições financeiras a interromper temporariamente novas contratações de consignado do INSS. Na avaliação dos bancos, quando o limite fica abaixo do custo da operação, a linha deixa de ser viável.
Para o consumidor, o equilíbrio é importante: juros menores ajudam o orçamento, mas uma taxa baixa demais pode reduzir a oferta de crédito, especialmente para beneficiários mais idosos ou com margem menor.
Quem já tem empréstimo consignado será afetado?
A possível mudança no teto dos juros do consignado do INSS tende a valer para novos contratos. Quem já tem empréstimo ativo não deve contar com redução automática das parcelas.
Para tentar diminuir os juros de um contrato já existente, o beneficiário pode avaliar a portabilidade do consignado, que permite levar a dívida para outra instituição com taxa menor. Também é possível tentar renegociar as condições diretamente com o banco.
Antes de tomar qualquer decisão, o aposentado deve comparar o custo efetivo total, não apenas a taxa de juros anunciada. O CET inclui juros, encargos, seguros e outros custos que podem encarecer a operação.
Como consultar empréstimos consignados no Meu INSS?
O beneficiário pode consultar os contratos ativos pelo Meu INSS. O serviço permite emitir o extrato de empréstimo consignado, documento que mostra os descontos vinculados ao benefício, o valor das parcelas, o prazo e a margem disponível para novas contratações.
Para consultar, basta acessar o aplicativo ou site Meu INSS, entrar com CPF e senha da conta gov.br e buscar por “extrato de empréstimo consignado”. O documento é gerado automaticamente.
A consulta é importante para evitar golpes e contratações indevidas. Caso o aposentado identifique um empréstimo que não reconhece, deve procurar o banco responsável e registrar contestação pelos canais oficiais.
O que o aposentado deve fazer agora?
Enquanto a nova regra não é aprovada, o teto dos juros do consignado do INSS continua em 1,85% ao mês. Isso significa que nenhum banco pode cobrar acima desse limite na modalidade tradicional.
Mesmo assim, as instituições podem oferecer taxas menores. Por isso, a recomendação é pesquisar antes de contratar, comparar propostas de diferentes bancos e evitar fechar empréstimo por telefone ou mensagem sem confirmar a origem do contato.
Também é importante avaliar se o crédito é realmente necessário. Como o desconto ocorre direto no benefício, o valor da aposentadoria ou pensão recebido todo mês fica menor até o fim do contrato.
A possível mudança na regra do consignado ainda depende de análise técnica e votação no CNPS. Até lá, aposentados e pensionistas devem acompanhar a discussão, consultar o extrato no Meu INSS e comparar as taxas antes de assumir uma nova dívida.