Mercado de seguro de risco cibernético evolui com LGPD

Os seguros de riscos cibernéticos devem crescer de cinco a dez vezes com a Lei Geral de Proteção de Dados. Estimativa é que entre abril e junho, os prêmios desse mercado tenham mais do que dobrado.

Os seguros de riscos cibernéticos devem crescer de cinco a dez vezes com a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD). A estimativa é que só entre abril e junho, os prêmios desse mercado tenham mais do que dobrado. A análise de riscos, porém, ainda é um grande desafio para o setor. Os últimos dados da Superintendência de Seguros Privados (Susep) apontam que os prêmios emitidos da modalidade somaram R$ 4,365 milhões desde que começaram a vigorar no mercado até o último mês de abril.

De acordo com o coordenador da subcomissão de linhas financeiras da Federação Nacional de Seguros Gerais (FenSeg), Gustavo Galrão, porém, a expectativa é que esse valor já esteja perto dos R$ 10 milhões, com cerca de 100 apólices vendidas. “A demanda já tem crescido bastante por conta da LGPD e as expectativas são de que esse crescimento significativo venha de maneira bem rápida. Esse movimento vem em linha com as exigências da nova lei e alinha também em uma maior celeridade na cultura e criação desse mercado”, avalia o executivo.

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Em comparação a outros mercados, no entanto, os números brasileiros ainda são bem pequenos. Nos Estados Unidos, por exemplo, os prêmios da modalidade já somam cerca de US$ 4 bilhões. Para o CEO da AIG Brasil, Fabio Oliveira, porém, as perspectivas para o produto acabam sendo positivas não apenas pelo potencial frente à crescente procura, mas também pela possibilidade de atuação do seguro tanto no segmento de grandes riscos quanto no de middle market. “A velocidade com a qual temos trabalhado esse seguro dentro da AIG é muito rápida, principalmente por conta do seu alto potencial no mercado. Mas é claro que ainda temos muito trabalho a fazer e um grande desafio de educar os subscritores de risco para esse novo segmento”, afirma.

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Da mesma forma, o CEO da Allianz Global Corporate e Specialty (AGCS) para a América do Sul, Angelo Colombo, pondera a crescente maturidade do produto ao redor do mundo e comenta que a tendência é de uma maior consciência sobre a apólice. Uma pesquisa realizada pela Allianz com 2400 gerentes de risco pelo mundo, por exemplo, aponta que 54% dos entrevistados compraram seguro cibernético no último ano. Além disso, 61% afirmam que os limites de cobertura da apólice não foram suficientes para suas necessidades. Outros 91% já declaram sentir necessidade de adquirir o produto. “Não é a realidade brasileira, mas é uma amostra do mundo. Mas ainda é importante entender a transferência de risco demandada e a possível, bem como ter um suporte de estatísticas para evitar colocar a solvência da seguradora em cheque”, opina Colombo.

Desafios do setor

Ao mesmo tempo, além do chamado Silent Cyber (coberturas de riscos cibernéticos adotadas em outras apólices), os especialistas também destacam a análise de risco como um dos principais desafios. “Não há um método estatístico sobre qual a maior perda provável em um único evento. A exposição nesse tipo de segmento é constante, os riscos são muito altos e é impossível estar 100% protegido. E criar um critério subjetivo para um alvo móvel é muito difícil. Mas são preocupações que evoluirão com o mercado”, complementa o vice-presidente da Chubb, Leandro Martinez.

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