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A bolsa brasileira teve um pregão de forte alta ontem (30) influenciada principalmente por investidores locais, que levaram o Índice Bovespa a subir 3,69%, aos 86.885,71 pontos, maior pontuação desde 12 de março (86.900 pontos).

A alta respondeu a uma combinação de fatores internos e externos. Lá fora, o restabelecimento do apetite por risco impulsionou as bolsas de Nova York e a maioria dos índices emergentes. Por aqui, repercutiram positivamente as sinalizações dadas pelo futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, principalmente sobre esforços para fazer avançar a reforma da Previdência o quanto antes.

Na sexta-feira passada (26), último pregão antes do segundo turno da eleição presidencial, os estrangeiros retiraram R$ 1,481 bilhão da B3. O dado mostra que a alta de 1,95% registrada pelo Ibovespa naquele dia foi garantida por investidores locais. Mesmo diante das sucessivas retiradas de recursos externos, o Ibovespa acumula alta de 9,51% em outubro.

Para Álvaro Frasson, economista e analista da Spinelli Corretora, com o ambiente externo mais propício ao risco o investidor estrangeiro pode ter migrado recursos aplicados no Brasil, enquanto aguardava o desfecho da eleição presidencial. "O estrangeiro vai ser um pouco mais cético do que o investidor nacional. Há uma diferença de postura entre eles. O estrangeiro vai esperar fatos mais concretos", disse.

Na análise por ações uma das evidências da influência política no desempenho das ações foi a alta dos papéis da Petrobras. Importantes termômetros da percepção política, os papéis da estatal fecharam nas máximas do dia, com ganhos de 5,53% (ON) e 5,98% (PN), mesmo em um dia de quedas expressivas dos preços do petróleo. Vale ON teve comportamento semelhante, uma vez que minimizou a queda do minério de ferro e terminou o dia em alta de 1,45%.

Ações do setor financeiro subiram em bloco. Banco do Brasil, outra ação sensível à percepção de risco político, subiu 2,94%.

Dólar

Em dia de forte volume de negócios no mercado de câmbio, o início da disputa pela formação da Ptax, a taxa que servirá de referência para os contratos em novembro, foi um dos fatores que influenciaram as cotações do dólar ontem, sobretudo no mercado futuro.

O dólar à vista passou boa parte do dia em alta, mas fechou em queda de 0,26%, a R$ 3,6924. No exterior, a moeda americana teve comportamento misto perante emergentes, caindo ante divisas como o peso argentino e o rand sul-africano e subindo no México e também na Índia.

No mercado futuro, o dólar para novembro recuou 0,58%, a R$ 3,6965 e o giro foi de US$ 27 bilhões. O vencimento de dezembro começou a ganhar liquidez, com volume de US$ 1,6 bilhão, por conta da rolagem dos contratos entre os dois meses ganhando força, de acordo com operadores. Os bancos, que estão com posição vendida em dólar, estão levando a melhor na disputa pela Ptax, ressalta um gestor de renda fixa.

O chefe de economia e estratégia do Bank of America Merrill Lynch no Brasil, David Beker, ressalta que se o governo conseguir aprovar a Previdência este ano, com sinalizou Bolsonaro, a reação do mercado será positiva. "Eu diria que hoje a expectativa do mercado é muito baixa em relação ao progresso na reforma este ano", disse. /Estadão Conteúdo