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O Ibovespa alternou altas e baixas ao longo de toda a sessão de negócios de ontem, e acabou por fechar com ganho moderado, de 0,62%, aos 87 423,55 pontos, a segunda maior pontuação do ano.

A oscilação foi influenciada principalmente pelos sinais divergentes das blue chips. Enquanto algumas foram alvo de realização de lucros e recuaram, outras subiram com influências específicas, como a alta do dólar ante moedas de países emergentes. Os negócios na B3 somaram R$ 17,9 bilhões.

Com o resultado de outubro, o Ibovespa encerra outubro com alta robusta, de 10,19%. É o maior percentual mensal desde os 11,14% de janeiro. A variação de outubro é ainda maior em dólares, chegando a 19,7%. Esse desempenho vai na contramão dos mercados acionários emergentes e dos Estados Unidos, praticamente todos com resultado negativo no acumulado do mês.

Chama a atenção o fato de que a alta do Ibovespa foi sustentada por investidores locais, uma vez que os estrangeiros retiraram mais de R$ 7 bilhões até o dia 29. Nesse dia 29 em questão, aliás, os estrangeiros retiraram R$ 1,006 bilhão da B3. Foi o primeiro pregão após a eleição de Jair Bolsonaro. Em 2018, o saldo de capital estrangeiro na B3 está negativo em R$ 6,748 bilhões.

Para Luís Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos, não há dúvida de que o otimismo do investidor doméstico foi o que sustentou o Ibovespa em alta neste mês, enquanto o estrangeiro optou por realizar lucros e aguardar a eleição presidencial.

“O mercado teve um pregão de 'zero a zero', com algumas ações acompanhando os preços de commodities e outras passando por ajustes. O investidor estrangeiro deve voltar para a bolsa, mas de maneira mais cautelosa, restritiva. Ele vai eleger quais serão as novas ações do “kit Brasil”, disse Luís Gustavo Pereira, estrategista da Guide Investimentos.

Entre os destaques do pregão de ontem esteve Vale ON, ação de maior peso na composição do Ibovespa. O papel fechou com ganho de 5,27%, na máxima, aos R$ 56,71. A Vale foi beneficiada pela alta dos preços do minério de ferro e pela melhora de sua recomendação, promovida pelo UBS. No ano, o papel acumula um ganho de mais de 45%.

Já a alta do dólar ante o real e outras moedas emergentes favoreceu ações de empresas exportadoras. Braskem PNA (+6,82%) Suzano ON (+3,47%) e BRF ON (+3,45%) foram alguns dos destaques. Do outro lado estiveram Petrobras ON e PN, que caíram 0,66% e 1,36%. A queda foi atribuída a uma correção às fortes altas da véspera, favorecida por nova queda dos preços do petróleo.

Valorização do real

O dólar fechou outubro cotado em R$ 3,7283, acumulando desvalorização de 8% no mês. Foi a maior queda mensal desde junho de 2016, quando a moeda americana recuou 11% em meio à “lua de mel” do mercado com Michel Temer.

O dólar começou outubro no nível de R$ 4,00 e, logo após a confirmação da vitória de Bolsonaro, chegou a bater em R$ 3,58, a mínima em cinco meses. Mas não se sustentou neste nível e vem oscilando entre R$ 3,65 e R$ 3,72 nos últimos dias. Na máxima de ontem, dia de formação da taxa Ptax do mês de outubro, foi a R$ 3,7453. A alta do dólar nos emergentes, principalmente o México (+1,20%), ajudou a pressionar o real; e a moeda americana fechou em alta de 0,97%. /Estadão Conteúdo