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São Paulo - A ação da International Meal Company (IMC), holding dona das redes de restaurantes e lanchonetes Viena e Frango Assado, inicia a negociação no pregão da Bolsa de Valores, Mercadorias e Futuros (BM&F Bovespa) hoje. O papel saiu a R$ 13,50 em sua Oferta Pública Inicial (IPO, na sigla em inglês), no piso da faixa estimada pelos coordenadores, que era entre R$ 13,50 e R$ 16,50, conforme informações divulgadas na sexta-feira por meio da Comissão de Valores Mobiliários (CVM).

A companhia levantou R$ 474,2 milhões em sua oferta. A operação foi mista, com a colocação de 35,126 milhões de ações, montante que já inclui o lote suplementar de 15%, que obteve a venda de sua totalidade. No entanto, a distribuição desse lote extra não foi igual entre as parcelas primária e secundária da oferta.

A oferta primária ficou com 24,505 milhões ações, pouco mais de 10% além do previsto inicialmente, de 22,214 milhões. Já a secundária teve 10,621 milhões de papéis, 27,5% a mais que o anunciado inicialmente pela IMC, de 8,330 milhões. A captação primária somou R$ 330,8 milhões. Já a colocação secundária levantou R$ 143,4 milhões.

Esta é a segunda tentativa da companhia de vir ao mercado, já que na primeira vez a IMC acabou adiando, o motivo: instabilidade dos investidores estrangeiros. "A IMC só aceitou o preço porque não queria voltar atrás pela terceira vez", explica Ashley Charles Jenner, diretor de Investimentos da Astra Investimentos.

O especialista diz ainda que a IMC divulgou seu balanço pouco antes do evento (IPO), mas não apresentou nada de espetacular. "Os investidores não fizeram fila para comprar as ações da companhia", acrescenta Jenner.

O diretor da Astra disse ainda que o sistema dual track poderia ter salvado a operação. O dual track é uma estratégia de negociação válida para quem quer ter um parceiro para cria valor e implementar regras de governança corporativa para a empresa.

Em outras palavras: esta estratégia possibilita que a companhia dê continuidade ao processo de abertura de capital e, ao mesmo tempo, negocie a venda da companhia ou de parte dela para um fundo ou empresa que possa trazer valor para o negócio. A operação que trouxer mais rentabilidade para o acionista é a escolhida.

"Esta é um pratica muito utilizada nos Estados Unidos. Isso poderia ter salvado muito IPO que saiu este ano", afirma Jenner. Vale destacar que, fora a Arezzo, todos os outros IPOs saíram com o preço abaixo do piso ou no piso. Segundo estudo recente, que mostra a comparação entre IPO e Mergers And Acquisitions (M&A - fusões e aquisições), de competidores semelhantes no mesmo segmento, nas mesmas bases - Ebitda (lucro antes de impostos, juros, depreciações e amortizações), ativos, e receitas brutas de vendas -, no IPO versus Venda Direta o preço final em média foi 22% maior no IPO. No dual track, o preço foi entre 25% e 400% maior sobre a venda normal.

De acordo com um especialista que prefere não ter o nome revelado, os custos para a abertura de capital e para manter a empresa aberta são muito elevados, com isso, se o acionista pretende apenas levantar o recurso é muito mais vantajoso uma operação de fusão ou aquisição. "O executivo não precisa ficar se preocupando em colocar a empresa em um nível de governança, por exemplo, algo que é exigido na abertura de capital", explica a fonte.

É muito difícil de detectar quando uma empresa está realizando um dual track, já que a operação sai e o mercado não acaba sabendo o que ocorreu anteriormente. No Brasil, o caso mais conhecido neste tipo de estratégia foi realizado pelo Grupo Abril, no qual o processo de abertura de capital já estava em andamento, porém, seu acionista recebeu uma proposta melhor pela venda da companhia.

Jenner aproveitou para falar sobre o cancelamento do IPO da Companhia de Águas do Brasil (CAB Ambiental). "O Bovespa Mais precisa de mais empresas. Mas tem de ser uma empresa líder de mercado, porque uma empresa que não seja líder no segmento que atua não vai ter confiança de ninguém", explica o especialista. Outro ponto que dificultou a entrada da CAB Ambiental foi a falta de um fundo de private equity, segundo Jenner. "Não sei quais são as intenções do executivo da empresa, mas acho que um fundo de private equity poderia ter ajudado na montagem da estrutura da empresa", afirma. Yves Besse, presidente da CAB Ambiental disse em entrevista ao DCI que não estuda a possibilidade da entrada de um fundo, já que ele pretende voltar ao mercado em, no máximo, um ano e meio. "Não temos interesse no fundo de private equity, o acionista quer realizar a abertura de capital da empresa", afirma Besse.