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SÃO PAULO - De um lado aumentar a rentabilidade dos investimentos da pessoa física. Do outro, possibilitar às empresas um crédito com juros menores do que os oferecidos no mercado. É desse modo que atua a startup de serviços financeiros Biva. Nos dois anos de atividade, foram realizadas mais de 500 operações, totalizando cerca de R$ 25 milhões.



Em 2015, o advogado Jorge Neto foi até o Banco Central mostrar a sua ideia de atuação. Apesar de ainda não existir uma regulamentação específica para empréstimos peer-to-peer (direto, sem intermediários), o empreendedor diz que seu modelo foi validado pela autoridade monetária.



A partir daí, a plataforma Biva passou a oferecer para as empresas, principalmente pequenas e médias, uma nova alternativa de captar recursos. O processo de seleção, porém, é rígido. "Recebemos mais de 300 solicitações por dia e aprovamos entre 1,5% e 5%", garante Neto. Segundo ele, a seleção é para manter a inadimplência baixa, sendo hoje de 2,1%.



A mudança na captação veio depois da startup observar uma inadimplência de 18% no início de sua operação. De acordo com Neto, a crise econômica foi um dos fatores que prejudicou as empresas. Além disso, o investidor realizava aportes somente numa única companhia, tornando o risco do investimento maior.



Depois dessa experiência, ainda no ano passado, a Biva passou a juntar empresas num único portfolio, de até R$ 5 milhões. O prazo para o retorno varia de três a 25 meses, com rentabilidade média de até 210% do Certificado de Débito Interbancário (CDI). Há três grupos diferentes para os investimentos: Microempreendedor Individual (MEI); Pequenas Empresas e Médias.



Para os investidores, há a necessidade de realizar aportes com valor mínimo de R$ 5 mil. Além do capital, os interessados precisam ser rápidos, já que somente um ou dois portfolios são abertos por semana. "Temos uma grande preocupação em entregar a rentabilidade planejada", explica Neto.



Por outro lado, as empresas que solicitam o crédito pagam taxas de juros mensais entre 1,7% a 6,3%, de acordo com o risco. O limite para cada companhia é de R$ 500 mil.



Crescimento



A meta para este ano é ousada. O empreendedor espera R$ 100 milhões investidos até dezembro. "Estamos escalando, mas com muito cuidado", pondera Neto. A prova dessa cautela é que, apesar dos R$ 700 milhões solicitados, somente 3,5% do montante foram aprovados nos dois anos primeiros anos de operação. No entanto, 42% desse valor foi apenas no primeiro trimestre deste ano.



O crescimento é apoiado pelos aportes que a companhia já recebeu. Além de passar por uma aceleração pela Artemisia, a Biva foi investida três vezes, sendo o último investimento de R$ 7 milhões de um fundo suíço.



Como é uma correspondente bancária, a startup possui parceria com instituições financeiras, sendo três: Sorocred, Socinal e Grupo Barigui. O faturamento da Biva está vinculado ao volume de crédito liberadado. As três parceiras pagam para a fintech de 1,5% a 5% do montante.



A empresa só cobra dos investidores em uma situação. "Se a gente entrega mais que a rentabilidade projetada, recebemos uma parte", explica Neto. Por exemplo, em um dos portfolios cuja rentabilidade prevista é de 25% ao ano, caso o retorno seja maior que isso, a startup cobra uma comissão pelo bom desempenho do seu produto.