Linha branca deve acelerar ritmo de recuperação após alta em 2017

O mercado de linha branca deverá acelerar o ritmo de recuperação. O aumento da produção, porém, deverá ser acompanhado por alta dos insumos.

O mercado de linha branca deverá acelerar seu ritmo de recuperação neste ano, após retomar o saldo positivo em 2017. O aumento da produção, porém, deverá ser acompanhado por alta dos insumos, afetando as margens. Segundo dados da GfK, enviados com exclusividade ao DCI, o volume das vendas do varejo ao consumidor final – o que indica a demanda de produção para a indústria – deverá encerrar 2017 com alta de 8%. Para este ano, a expectativa é de avanço de aproximadamente 10%. Confirmado o resultado, será o segundo ano de expansão consecutiva, após quatro sem alta: 2013 (-6%), 2014 (0%), 2015 (-15%) e 2016 (-12%), de acordo com a GfK. A probabilidade de um crescimento próximo a 10% é bastante alta. As perspectivas para a linha branca em 2018 são muito favoráveis , afirma o diretor comercial da GfK, Henrique Mascarenhas.

Mesmo diante de um ano que deverá ser marcado por turbulências, sobretudo no âmbito político por conta da eleição presidencial, o executivo reforça que os melhores níveis de emprego e de concessão de crédito devem permanecer este ano, garantindo a demanda pelos produtos. Se há um aumento do número de pessoas ocupadas, há uma melhora das vendas agregadas , afirma. Outro fator que deverá contribuir é a necessidade de reposição dos produtos, pelo tempo de vida útil. Enquanto as máquinas de lavar e os ar-condicionados ainda têm uma baixa penetração relativa nos lares, fogões e geladeiras já estão consolidados, mas podem ingressar na cesta de compras em razão da busca por parte dos consumidores de produtos com mais eficiência energética, atributos tecnológicos e de design, ou simplesmente por renovação. Essas tendências se observam nos itens mais comercializados na linha branca em 2017. Na linha de fogões, as vendas foram puxadas pelos cooktops – que têm formato de bandeja, sem forno e podem ser instalados em qualquer superfície.

Outro item de destaque foi o ar-condicionado, com a tecnologia Inverter, que garante menor consumo de energia e ruídos.

AltaAlta de custos

O incremento das vendas, no entanto, deverá ser acompanhado da alta no custo do produto vendido. Segundo o executivo de uma fabricante, que preferiu não se identificar, está havendo uma grande queda-de-braços da indústria com os fornecedores, que buscam repassar aumentos de custos como os do aço, alumínio, plásticos e madeira. De acordo com a fonte, o ano passado já foi de margens mais apertadas, para garantir o atingimento das metas. “Fizemos muito sacrifício em 2017 na rentabilidade para não perder as vendas. Esse ano não vai ser diferente. Se não houver o repasse do aumento dos custos de uma só vez, será ao longo do ano” , afirma. Outra fonte do setor, consultada pelo DCI, estima que um reajuste de 20% no preço do aço poderia elevar entre 3% e 5% o custo do produto, dependendo de sua categoria.

Na ponta, contudo, esse valor poderia ficar em cerca de 1,5%. Segundo o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Loureiro, “os reajustes anunciados pelas usinas, na faixa de 23%, são reflexos das altas no mercado internacional do carvão e do minério. Os grandes grupos, que têm contratos mais longos, são menos afetados, mas nem todos conseguem fugir dessa alta de custo” , afirmou. Na fabricação de uma geladeira, por exemplo, até 7% de sua produção é composta de aço. A empresa catarinense de eletrodomésticos Mueller, que produz lavadoras, secadoras, centrífugas, fogões e fornos elétricos manifesta preocupação em relação à alta dos insumos. Temos poucos fabricantes de aço no Brasil, o que diminui a concorrência. E não é possível absorver essa alta no custo, sendo preciso repassar integralmente. Mas estamos trabalhando para que o impacto no preço final, para o consumidor, seja o menor possível , diz o presidente da empresa, John Müller, acrescentando que a alta do aço afeta o valor de produtos derivados como aramados, registros e motores. Outra preocupação, diz, é com o reajuste no preço do vidro.

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