Indústria siderúrgica espera avanço em infraestrutura e reforma tributária

Para executivos do setor, vendas podem crescer 10% diante da retomada econômica prometida pelo presidente eleito, mas extinção de Ministério gera desconforto.

Executivos do setor siderúrgico esperam que o governo do presidente eleito, Jair Bolsonaro, avance nos investimentos em infraestrutura e na redução da carga tributária para que as empresas possam crescer perto de 10% em 2019. No entanto, a extinção do Ministério da Indústria preocupa. Na visão do presidente executivo do Instituto Aço Brasil (IABr), Marco Polo de Mello Lopes, as expectativas para o próximo governo são as melhores em virtude das sinalizações do futuro ministro da Fazenda, Paulo Guedes, na área tributária. Guedes reconhece o grau de ônus que a indústria siderúrgica tem no recolhimento de impostos. Ele defende o combate à insuficiência logística e a ampliação do crédito. O dirigente não adiantou previsões para 2019, que serão anunciadas em dezembro.

Para o presidente do Instituto Nacional dos Distribuidores de Aço (Inda), Carlos Jorge Loureiro, o crescimento das vendas do setor passa pela retomada da economia como um todo. “Já sentimos mais entusiasmo e esperamos para o ano que vem um avanço maior, perto de 10% das vendas de aço se o [Produto Interno Bruto] PIB crescer de 2,5% a 2,8%”. Com o desenvolvimento da infraestrutura e a recuperação de setores como construção civil, Loureiro entende que as vendas de chapas grossas subirão mais, em decorrência da base baixa acumulada nos últimos dez anos. “Vai ser o segmento que mais vai crescer, pelo menos 15%”, projeta ele.

Extinção do Ministério da Indústria

Apesar do otimismo, os executivos se preocupam com a proposta do programa do governo Bolsonaro de incorporar o atual Ministério da Indústria, Comércio Exterior e Serviços (MDIC) a um superministério da Economia. Lopes diz que entende a necessidade de enxugar a máquina pública, mas endossa a proposta alternativa, apresentada conjuntamente com outras entidades industriais, de criar um ministério da Produção, Trabalho e Comércio. Isso, na opinião dele, ainda agregaria Pastas, reduzindo o peso do Estado para o contribuinte, mas tiraria a indústria debaixo do guarda-chuva da Fazenda, que é responsável por arrecadar impostos. “Não fazemos confronto. Apenas como representantes legítimos do PIB, não somos favoráveis à extinção do MDIC, que tem gente capacitada e treinada”.

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Loureiro, por sua vez, defende que acabar com o MDIC não será tão prejudicial desde que a convivência com a Fazenda seja mais harmônica do que é hoje. Para o presidente do Inda, o mais importante é frisar que o resultado das eleições de 2018 deu mais tranquilidade para investimentos. Dentro do setor, quem já começa a investir é a Gerdau, que fará um aporte de R$ 550 milhões até 2020 na sua fábrica de Pindamonhangaba (SP) com o objetivo de expandir a capacidade da planta de 600 mil toneladas para um milhão de toneladas de aço por ano. Além disso, a companhia busca aumentar a tecnologia do produto final. Segundo o presidente da Gerdau, Gustavo Werneck, a empresa irá aumentar o foco na produção de aços especiais para carros híbridos e elétricos. “Nosso objetivo é sermos protagonistas na indústria automotiva, com o aumento da demanda de veículos eletrificados. Iremos vender, por exemplo, molas parabólicas [uma autopeça] para pesados”, destaca.

ImportaçõesImportações

Lopes conta que levou a Bolsonaro a agenda do setor, que prevê uma defesa comercial não ideológica. “Temos 535 milhões de toneladas de excesso de capacidade no mundo, sendo 200 milhões só na China. Atualmente, a única região aberta é a América Latina, então é preciso estar atento para que esse aço não venha todo para cá, matando as indústrias nacionais”, comenta. Contudo, os dados do Inda mostram queda nas compras do exterior. Em outubro, as importações caíram 58,6% na base anual, a 48,8 mil toneladas. Gustavo Werneck garante que a Gerdau não teme o avanço dos importados, pois o prêmio destes produtos está muito baixo atualmente. “Em 2013 e 2014, tinha importação pela dificuldade de atender. Não é o caso agora”, alega.

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