Diretor do BC diz que função do regulador é deixar criptos funcionarem

João Melo falou durante evento sobre moedas digitais realizado pela FGV na cidade de São Paulo

Durante o Webinar Pix e Moedas Digitais, realizado pela Escola de Economia de São Paulo da Fundação Getúlio Vargas (FGV EESP) na segunda-feira, 7, o Diretor de Organização do Sistema Financeiro e Resolução do Banco Central do Brasil, João Manoel Pinho de Mello, disse que a função dos reguladores é atuar para liberação das criptomoedas e stablecoins, desde que eles resolvam problemas e ajudem o sistema financeiro a funcionar.

“Se criptomoedas, stablecoins ajudam o consumidor, a função do regulador é ‘botar pra dentro’ e deixar funcionar. Agora é claro que há preocupações com relação à lavagem de dinheiro, acordos internacionais, prevenção ao financiamento do terrorismo, entre outros”, disse o diretor do BC.

Recentemente, o presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, já havia falado sobre regulação e apontado ser mais importante que ela seja focada nas empresas do ecossistema e não nos criptoativos.

“Regular as criptomoedas é irrelevante. O cripto tem uma coisa muito diferente, porque o network fica cada vez melhor para cada ativo criado na margem. Em uma analogia pobre, é como se cada carro fabricado melhorasse a eficiência da rodovia”, comparou Campos Neto.

Diretor do BC: do Pix ao Real Digital

Durante o Webinar, Pinho de Mello destacou bastante o Pix e o quanto o Banco Central acredita em digitalização e nos meios de pagamentos digitalizados. Ele apontou que uma transição do dinheiro físico para o digital de forma suave é necessária, até para garantir a inclusão social, mas que, apesar disso, o dinheiro físico ainda é muito enraizado no país.

O diretor garantiu que o real digital será uma realidade no país e destacou as diretrizes divulgadas pelo Banco Central recentemente para o desenvolvimento da Moeda Digital de Banco Central (CBDC).

“A intenção do Banco Central é sim que a moeda seja usada para o varejo até porque para o atacado nós já temos moeda digital há muito tempo que é o sistema de transferência de reservas do banco central, usado para grandes transações, mas também ela será voltada a permitir a criação de smart contracts”, explicou.

Por fim, ele ressaltou que o real digital, como ativo emitido pelo Banco Central, seguirá todos os princípios de segurança. 

“Resumindo, a melhor forma de você pensar o que será o CBDC do Brasil é pensar que ela será o Real Digital, um ativo do Banco Central que você pode transacionar facilmente entre todos de igual maneira e sem atrito”, finalizou.

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