O governo de Bolsonaro pode sofrer impeachment?

Mobilizações com pedidos de impeachment do governo Bolsonaro tomam conta das redes sociais nesta sexta-feira (15)

Após decretar estado de calamidade pública, devido a falta de leitos hospitalares e oxigênio para pacientes diagnosticados com Covid-19, a cidade de Manaus continua sofrendo com a crise do sistema público de saúde. Com a repercussão internacional negativa, brasileiros recorreram à internet para pedir o impeachment do governo Bolsonaro (sem partido).

Milhares de internautas, entre eles famosos como a atriz Leandra Leal, mencionaram o Presidente da Câmara dos Deputados do Brasil, Rodrigo Maia (DEM – RJ), no Twitter, pedindo a derrocada do atual governo. Bolsonaro, por sua vez, declarou nesta sexta-feira (15) que o governo federal “fez a sua parte” para ajudar o estado do Amazonas.  O Ministério Público e a Defensoria refutaram a sua fala, e afirmaram a responsabilidade pela crise é do Bolsonaro.

Os pedidos de impeachment tomaram conta das redes sociais na manhã desta sexta-feira. A hashtag “#ImpeachmentBolsonaroUrgente” entrou para os assuntos mais comentados no Twitter, com mais de 100 mil menções. Os apoiadores de Bolsonaro também se manifestaram, e como resposta, subiram a hashtag “#Bolsonaroaté2026”.

O que Rodrigo Maia pensa sobre impeachment de Bolsonaro

Em entrevista coletiva concedida à imprensa no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, Rodrigo Maia afirmou que será “inevitável” lidar com a questão em breve. “Eu acho que esse tema de forma inevitável será discutido pela casa no futuro. Temos de focar no principal, que agora é salvar o maior número de vidas, mesmo sabendo que há uma desorganização e uma falta de comando por parte do ministério da Saúde”, disse Maia, ao lado de João Dória, governador de São Paulo.

Rodrigo Maia culpa Bolsonaro pelas 200 mil mortes por covid-19 no Brasil
(Foto: Antônio Cruz/Agência Brasil)

Maia reforçou o seu descontentamento com Jair Bolsonaro nesta última quinta-feira (14).  Para ele, a crise no sistema de saúde em decorrência à Covid-19 é resultado da “agenda negacionista que muitas lideranças promovem”. Maia também afirmou que o Congresso irá retomar as atividades na próxima segunda-feira (18) para debater a situação de Manaus e a agenda de vacinação no Brasil.

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De acordo com a pesquisa CNI-Ibope feita no começo de dezembro de 2020, a popularidade de Bolsonaro só se mantém estável em cidades com até 50 mil habitantes. Tal dado foi confirmado pelo Datafolha ainda no mês anterior, que marcou uma rejeição de 50% somente no estado de São Paulo. No Rio de Janeiro, o governo Bolsonaro marcou 42% de rejeição entre a população.

Bolsonaro pode mesmo sofrer impeachment?

Apesar do descontentamento, o processo de impeachment cabe a Rodrigo Maia, atual Presidente da Câmara dos Deputados e responsável por dar andamento aos pedidos de cassação. Caso Maia avalie que uma ou mais solicitações deverão ser estudadas, é formada uma comissão para analisá-las em dez sessões. Em contrapartida, neste mesmo período, Bolsonaro poderá apresentar sua defesa.

Até o momento o presidente foi citado em 60 pedidos de impeachment, segundo informou a revista VEJA. As solicitações foram protocoladas ao longo dos últimos dois anos, desde que assumiu o cargo. Com a atual crise, a previsão não é promissora para o futuro de Bolsonaro.

Após a realização das dez sessões da comissão especial, os deputados se reunirão na Câmara Legislativa do Distrito Federal, para uma primeira votação. Se 2/3 dos deputados optarem pela continuidade do processo, o mesmo poderá seguir para o Senado Federal, onde terá outra sessão presidida pelo presidente do Superior Tribunal Federal.

Mas para que o impeachment ocorra é necessário que 2/3 dos senadores votem a favor da cassação. Se o resultado for favorável, como aconteceu com Dilma Rousseff (PT) em 2016, o presidente será condenado e afastado do cargo.

O que acontece se Bolsonaro cair?

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Caso Bolsonaro sofra impeachment, Hamilton Mourão (PRTB), vice-presidente, assumiria sumariamente o cargo.  Mourão disse à imprensa nesta sexta-feira que o “governo está fazendo além do que pode dentro dos meios que a gente dispõe”, em relação à crise hospitalar de Manaus.

Na opinião de Mourão, medidas mais restritivas enquanto a situação da pandemia da Covid-19 não funcionam no país. O general e atual vice-presidente afirmou que “imposição de disciplina em cima do brasileiro não funciona muito”.

Diferente de Bolsonaro, Mourão afirmou que irá se vacinar contra a Covid-19. Ainda discordando dos princípios do governo de Bolsonaro, que defendem a ideia da não obrigação da vacinação, o vice-presidente disse que “a vacina é para todo o país” e é “uma questão coletiva.”

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