Massacre do Carandiru: entenda a maior chacina do sistema prisional brasileiro

Chacina completa 28 anos em outubro e ainda causa debates e controvérsias. Saiba mais sobre o episódio.

No dia 02 de outubro, o Massacre do Carandiru,  um dos episódios mais sangrentos da história prisional mundial completa 28 anos.

Até hoje lembramos do massacre por sua brutalidade e suas versões divergentes. Mesmo com o caso encerrado, a chacina ainda gera dúvidas. Mas você sabe o que foi esse episódio?

O que era o Carandiru?

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Primeiramente, o Carandiru ganhou esse nome graças ao bairro homônimo onde estava localiza a Casa de Detenção de São Paulo. Ele nada mais era que uma penitenciária masculina que abrigava em torno de 8.000 detentos em seu último anos de funcionamento.

Durante 20 anos de funcionamento, desde sua fundação em 1920 até 1940, a penitenciária era vista como modelo de ressocialização para outros países, pois mantinha boas condições de higiene e assegurava trabalho e educação aos apenados.

No entanto, a partir da década de 40 a penitenciária começou a apresentar problemas como a superlotação. Consequentemente, as coisas começaram a declinar.

Em uma tentativa de melhorar a situação, foi inaugurado em 1959, um anexo que aumentava a capacidade de habitação do presídio para 3.500 presos. Porém, as condições de higiene eram péssimas!

Ambos os fatores, que se seguiram e pioram com o decorrer dos anos, contribuíram para o estopim para o Massacre do Carandiru.

 

 

A Rebelião e o Massacre do Carandiru

Massacre do Carandiru
Imagem: Reprodução / Acervo

Tudo começou no pavilhão 9. Durante uma partida de futebol entre detentos, uma briga entre dois prisioneiros de facções rivais iniciou.

De fato, brigas eram comuns na rotina dos detentos. No entanto, aquela tomou grandes proporções e se pelo pavilhão inteiro. Dessa forma, resultou em uma rebelião.

Assim, o Coronel Ubiratan autorizou que cerca de 300 policiais adentraram o local para controlar a rebelião. O desfecho da invasão, segundo dados oficiais do Governo do Estado de São Paulo, foi a morte de 111 presidiários. No entanto, há controversas versões.

 

As versões da chacina

Como você deve ter ouvido por aí, o massacre do Carandiru apresentou diversas versões ao longo dos anos. Mas apesar disso, nunca houve uma confirmação de qual é a verdadeira. Relembre algumas delas:

Versão da polícia

De acordo com a versão oficial, a rebelião estava fora de controle e sem chances de negociação. Por isso, o diretor do presídio acionou a polícia militar pedindo reforços. Prontamente, cerca de 300 polícias militares chegaram ao local para intervir.

Inicialmente, o Coronel Ubiratan decidiu invadir a penitenciária com um número reduzido de 86 policias. No entanto, sem sucesso. Desse modo, foi preciso que todos os PM’s entrassem em ação, resultando em 111 óbitos.

Versão dos presos sobre o Massacre do Carandiru

Diferente da versão dos policiais, os presos sobreviventes e ativistas dos Direitos Humanos, relatam outra história. Segundo eles, foi feita uma negociação com o diretor e acatado o fim da rebelião. Ainda, eles contam ter entregue as armas que possuíam e permaneceram em suas celas como rendição. No entanto, os polícias não teriam cumprido com sua parte do acordo e executaram mais de 200 detentos.

Versão da Perícia

Já a versão do perito criminal, Osvaldo Negrini, que esteve no local da chacina para perícia, corrobora com a versão dos detentos. Em depoimento, ele afirma que não houve sinais de conflito entre presos e policiais.

De acordo sua análise, o número de tiros encontrados nos corpos, principalmente no tórax e na cabeça, e as marcas de sangue nas celas, informam que os policiais chegaram atirando. Desse modo, não houve tempo para qualquer reação vinda dos detentos.

Além disso, dos 111 corpos contabilizados pela policia, apenas 26 estavam fora das celas. Em contrapartida, Negrini afirma que a cena do crime foi alterada pela polícia e houveram inúmeras tentativas de prejudicar a perícia.

Outro fato frisado por Negrini, foi que os corpos foram encontrados empilhados em outro pavilhão. Conforme o depoimento dos detentos, eles teriam sido obrigados pelos policiais a arrastarem os corpos para outro andar. Mas você sabe como isso terminou?

 

Julgamento do Massacre do Carandiru

Após cinco meses da chacina, o Ministério Público acusou 120 policiais militares de homicídio, tentativa de assassinatos e lesão corporal de 111 detentos.

Em março de 1998, 85 policiais se tornaram réus no processo, inclusive o Coronel Ubiratan. No entanto, Ubiratan, que foi condenado a 623 anos de prisão por 102 mortes, em 2001, foi absolvido anos mais tarde.

Contudo, em setembro de 2016, a 4ª Câmera do TJ-SP anulou as condenações dos policiais sob alegação. Já em 2018, o Supremo Tribunal de Justiça (STJ) invalida decisão do TJ-SP e determinou que os desembargadores refaçam o julgamento de 2016.

Todavia, ainda não há uma data prevista para a ocorrência de novo julgamento. Desse modo, ficou decidido que outros júris só poderão acontecer após decisão do STJ sobre recursos do Ministério Público e das defesas dos réus.

Em busca de justiça, o advogado Carlos Alexandre Klomfahs, ingressou com uma ação contra o Governo do Estado de São Paulo, em nome de familiares de vítima do Massacre do Carandiru. A ação exige um pronunciamento em rede nacional, onde o Estado admita a culpa pelas mortes e peça desculpas aos familiares.

 

Você quer saber mais sobre o Massacre do Carandiru?

Ficou interessado na história e quer saber mais? Pega o papel que a gente vai te indicar algumas obras que falam mais sobre o massacre do Carandiru!

Aliás, você sabia que essa chacina resultou em diversas obras artísticas, documentais e cinematográficas? Pois é, existem várias obras que você pode conferir com uma simples busca no Google.

Se você quer mais detalhes da história da penitenciária antes e depois do ocorrido, você precisa ler o livro “Estação Carandiru”, de autoria de Dráuzio Varela. Neste livro, o médico relata os 10 anos que trabalhou com atendimento voluntário na Casa de Detenção de São Paulo e as condições carcerárias do local.

Assim, você pode saber detalhes de como era a rotina dos presos e ter uma visão mais humanizada sobre sistema carcerário.

Museu Massacre do Carandiru
Imagem: Reprodução / Museu da Casa Brasileira

Mas se você não tem o habito de ler, nãos e preocupe! Temos uma indicação que você vai adorar!  Assista a obra cinematográfica “Carandiru: O Filme”! O filme traz um elenco excepcional com Lázaro Ramos, Wagner Moura e Rodrigo Santoro para retratar a trama. Você vai se arrepiar com essa superprodução!

Além disso, se você quer ver mais de perto a história do massacre do Carandiru, você poder fazer uma visita ao “Espaço Memória Carandiru”. É um museu voltado à memoria a Casa de Detenção em São Paulo. Lá você confere centenas de objetos deixados pelos presos, acervos fotográficos e muito mais! E o melhor, a entrada é gratuita. Legal, né?

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