Entenda o motivo de testes de vacina usarem placebo em seus voluntários

Dúvidas surgiram sobre o uso de placebo após a morte do médico brasileiro, voluntário no estudo da vacina de Oxford

A notícia da morte do médico brasileiro que era voluntário e usou placebo nos testes da vacina de Oxford trouxe dúvidas para muita gente. Afinal, se estão testando a vacina, qual o motivo para usar algo que não funciona? Fique tranquilo. A gente explica.

Placebo x medicamento

Todo teste que é realizado para desenvolvimento de medicamentos usa essa mecânica. Em linhas gerais, os voluntários são divididos em dois grupos no momento da testagem de eficácia e segurança da fórmula.

Um dos grupos, de fato, irá receber a medicação que está sendo desenvolvida – isso vale para remédio ou vacina, por exemplo.

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O outro grupo, por sua vez, irá receber o placebo. Trata-se de uma substância que não tem nenhuma ligação com o produto que está sendo desenvolvido, tampouco interfere nele.

Vale lembrar que os voluntários e os examinadores nunca sabem qual substância estão tomando. A essa ação é dado o nome de duplo-cego.

O grupo de pessoas que é medicada com placebo é chamado de ‘controle’. E, mesmo parecendo absurdo não usar o produto real, a necessidade desse teste é fundamental.

Isso porque fica possível comparar os resultados observando a evolução dos voluntários que de fato estão usando o remédio ou a vacina. Assim, é possível verificar se há algum quadro de melhora ou cura vindo da substância verdadeira, ou se vem da expectativa do paciente, como um efeito meramente psicológico.

O teste da vacina de Oxford com a AstraZeneca funciona exatamente desta maneira. No caso, o médico brasileiro João Pedro Rodrigues Feitosa participava dos testes clínicos da vacina como voluntário e morreu por complicações do covid-19. Ele estava no grupo que recebia o placebo.

Feitosa tinha apenas 28 anos e atuava desde março na linha de frente do combate ao covid-19 em dois hospitais da cidade do Rio de Janeiro: um municipal e outro particular.

Segundo os estudos, o médico recebeu a dose de placebo no fim de julho e começou a ter sintomas da covid-19 em setembro.

Fontes ligadas ao teste de Oxford informaram ao jornal Extra, do Rio, que Feitosa recebeu uma dose de vacina contra meningite, apenas aplicada como controle, para efeito de comparação.

Não há como confirmar a informação, pois a farmacêutica AstraZeneca assinou compromisso de confidencialidade do teste.

De acordo com a Agência Nacional de Vigilância Sanitária, a Anvisa, os desenvolvedores da vacina compartilharam os dados da investigação realizada pelo Comitê Internacional de Avaliação de Segurança sobre a morte do brasileiro e que tudo segue em avaliação.

A AstraZeneca divulgou comunicado à imprensa. Segundo a empresa, “todos os eventos médicos significativos são avaliados cuidadosamente pelos investigadores do estudo, um comitê independente de monitoramento de segurança e autoridades regulatórias. Essas avaliações não levaram a quaisquer preocupações sobre a continuidade do estudo em andamento”.

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