Europa exige máscaras N95 contra nova variante da covid

França, Alemanha e Áustria aumentaram o nível de exigência para as máscaras de proteção por conta da circulação de variantes mais contagiosas do coronavírus. Saiba por que este padrão é mais recomendado

O uso de máscaras já virou parte da rotina de bilhões de pessoas ao redor do mundo há meses, a fim de se proteger e evitar a propagação da Covid-19. No entanto, frente à propagação das novas variantes da covid, muito mais contagiosas, surgiu a dúvida sobre a eficácia das máscaras usadas atualmente pela população para se proteger do coronavírus. Países na Europa, por exemplo, já desaconselharam o uso de máscaras caseiras e estão exigindo o uso de máscaras cirúrgicas, ou padrão N95 (também FFP2) para a proteção. 

 

O que é a máscara padrão N95 e por que ela é mais eficaz contra a nova variante da Covid?

A máscara chamada N95 ou PFF2 é capaz de garantir proteção em dois sentidos, tanto para quem está usando quanto para quem está próximo à pessoa. Isso porque tem um filtro de ar que bloqueia pelo menos 95% das partículas em suspensão e ajuda na proteção contra doenças por transmissão aérea, como o coronavírus. A porcentagem de 95% de filtragem é o que dá o nome à máscara – este padrão de proteção segue modelos asiáticos. 

Em junho, um estudo publicado na revista médica Lancet comparou as taxas de transmissão em 16 países e concluiu que “tanto as máscaras N95 como as máscaras cirúrgicas têm uma associação mais forte com a proteção do que as máscaras de camada única”. O modelo é considerado semi descartável: pode ser utilizado mais de uma vez, desde que seja pela mesma pessoa. A N95, no entanto, exige alguns cuidados especiais: pode ter sua funcionalidade comprometida caso seja dobrada ou amassada. 

 

Países da Europa recomendam o uso de máscara N95 com a chegada da nova variante da Covid

França

O Alto Conselho de Saúde Pública da França (HCSP) está recomendando, a partir de agora, apenas o uso de máscaras de melhor qualidade. O ministro da Saúde francês, Oliver Véran, desaconselhou o uso de itens artesanais para a proteção. A orientação do HCSP, indicada no domingo (17) à Direção Geral da Saúde na França, mas ainda não publicada oficialmente, segundo a rádio France Info, recomenda apenas a utilização de modelos cirúrgicos, médicos, FFP2 ou de pano da categoria 1 (industrial). “Como não temos novas armas, a única coisa que podemos fazer é melhorar as que já temos”, disse Daniel Camus, membro do HCSP.

 

Áustria

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O chanceler austríaco Sebastian Kurz determinou que a partir do dia 25 de janeiro será obrigatório utilizar máscaras de proteção do padrão N95. Regiões do país vão entrar em lockdown a partir do dia 7 de fevereiro. 

 

Alemanha

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Seguindo o exemplo da vizinha Áustria, o estado alemão da Baviera, que abriga a cidade de Munique, tornou obrigatório a máscara N95 para quem anda de transporte público ou para ir a espaços comerciais fechados, como supermercados e farmácias, por exemplo. Angela Merkel, chanceler alemã, explica que a recomendação é uma forma de precaução contra variantes consideradas mais preocupantes, especialmente a detectada no Reino Unido. Merkel vê o aumento de casos registrado na região e na Irlanda nos últimos meses como um alerta para a Alemanha, mas afirma que a mutação ainda não é predominante no território alemão, e as máscaras são a melhor forma de prevenção para que isso não aconteça.

 

Modelo é recomendado para profissionais de saúde

Desde o início da pandemia, as máscaras cirúrgicas foram recomendadas apenas para profissionais de saúde, tanto porque seu uso requer mais cuidados e também porque o item não poderia faltar para trabalhadores mais expostos, se um dia ocorresse uma corrida no mercado por elas. 

“Em teoria, a mudança para máscaras mais profissionais é bem-vinda”, disse Jonas Schmidt-Chanasit, um virologista alemão e professor na Universidade de Hamburgo, em entrevista ao jornal inglês The Guardian, “mas, se não forem ajustadas corretamente, se tornarão ineficazes”, completa. 

Quanto à possível falta do material, um porta-voz da União Federal das Associações Alemãs de Farmacêuticos relatou que, por enquanto, as indústrias estão atendendo à demanda, mas que “fornecer máscaras como estas para 80 milhões de pessoas é um desafio diferente”. A população da Alemanha está em cerca de 83 milhões de habitantes. 

 

Novas variantes da covid-19

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Variantes mais transmissíveis do coronavírus estão sendo detectadas em algumas partes do mundo, com mutações preocupantes originárias no Reino Unido, África do Sul e até mesmo no Amazonas. Por mais que estas variações devem ser avaliadas com atenção, especialistas afirmam que é esperado que, durante uma pandemia, o vírus sofra mutações conforme é transmitido de pessoa para pessoa. A Organização Mundial da Saúde está acompanhando de perto as cepas detectadas no Reino Unido e na África do Sul.

 

O ministro da saúde francês declarou que “atualmente existem cerca de 2.000 infectados na França pela variante do vírus que surgiu no ano passado no Reino Unido”. Esses casos representam cerca de “1,4%” das contaminações cotidianas registradas no país, como mostrou uma pesquisa recente, realizada com todos os testes PCR positivos para a covid-19. Ele ressaltou que essa mutação “é mais contagiosa”, mas não provoca “sintomas diferentes”.

 

O que fazer em relação às novas cepas da Covid-19?

Enquanto não há mais informações específicas a respeito das novas linhagens, as medidas de prevenção continuam as mesmas: ficar o máximo de tempo possível em casa, sempre usar máscaras quando precisar sair, prezar pelo distanciamento social e higienizar constantemente as mãos com água e sabão ou álcool em gel. 

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