Mandetta diz que mortes na pandemia são culpa do governo Bolsonaro

Em entrevista à Globo News o ex-ministro da saúde conta os esforços que teve para que o presidente entendesse a gravidade do vírus.

O ex-ministro da saúde Henrique Mandetta voltou a criticar as atitudes que o governo de Jair Bolsonaro (sem partido) vem tomando durante a pandemia do coronavírus. Mandetta aponta que colocar um militar para cuidar da área da saúde é improviso e “bateção de cabeça”, pois é algo que não vai funcionar.

Mandetta afirma que Bolsonaro é responsável pelos erros

O ex-ministro da saúde argumenta que o governo federal está falhando no combate ao coronavírus. Ele aponta que Bolsonaro coloca as pessoas errados nos cargos errados.

“Se colocar um médico ou um padre para comandar uma guerra, médico e padre não sabem matar. Militar não sabe cuidar, não sabe curar, não sabe promover saúde, por isso está dando essa bateção de cabeça. É um capitão [reformado] e um general, e ninguém sabe para que lado a saúde pública vai. Estamos sob uma intervenção militar burra”, disse Mandetta em entrevista à GloboNews.

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O ex-ministro também atribuiu responsabilidade a Bolsonaro pela situação em que o país se encontra. Pois o presidente não deu ouvidos às instruções de Mandetta sobre a nova doença e, segundo ele, Bolsonaro ouvia apenas aqueles que o agradavam.

Esforços de Mandetta

Henrique Mandetta
Foto: Agência Brasil

Mandetta conta que tentou explicar de várias formas para Bolsonaro sobre o vírus e sua gravida. O ex-chefe da pasta diz que chegou a chamar o vírus de “bichinho” para o melhor entendimento do presidente, mas ele aponta que foi sem sucesso. “O vírus é um bichinho que entra pelo nariz, tem que tomar cuidado, passa na mão de um para outro’, mas nem isso foi suficiente para que ele entendesse” ele contou.

Demissão

Henrique Mandetta e Bolsonaro tiveram muitas divergências no caminho, principalmente a respeito dos cuidados que as pessoas deveriam ter. O presidente era contra fazer isolamento social ou quarentena, o ministro era favor. Além disso, Bolsonaro era defensor do tratamento com cloroquina, o que Mandetta reprovava fortemente.

 

Depois das desavenças entre ambos, o médico deixou o Ministério da Saúde em 16 de abril. No momento Mandetta afirmava estar cansado, por isso iria deixar a pasta.

Em seu lugar, entrou o médico Nelson Teich, contudo, também teve desentendimentos com o presidente na hora de tomar as medidas de segurança. Teich deixou o governo em maio, menos de um mês após aceitar o cargo.

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