Mutação do vírus da COVID-19: entenda o que é

Itália, Áustria, Holanda, Irlanda, Alemanha, Bélgica, Luxemburgo, Portugal e Bulgária suspenderam voos e conexões de trem ou navio com o Reino Unido.

Uma nova mutação do vírus da COVID-19 está fazendo com que os países do Reino Unido recuem na flexibilização e aumentem as restrições no final do ano. Ainda não se tem certeza sobre os dados do vírus, contudo, acredita-se que ele seja muito mais transmissível do que as outras variantes. Casos já foram notificados na Austrália, Dinamarca, Holanda e Itália.

Segundo as autoridades britânicas, a nova cepa teria 70% de capacidade de transmissão, sendo, portanto, mais contagiosa. Não há evidencias de que ela seja mais mortal. Mas se pessoas forem infectadas mais rapidamente, mais pessoas vão precisar de tratamento hospitalar em menos tempo.

Onde surgiu essa mutação?

Em entrevista à rede britânica BBC nesse domingo (20), a líder técnica da Organização Mundial da Saúde (OMS), Maria Van Kerkhove, afirmou que os dados atuais indicam que a nova variante surgiu na Inglaterra, entre o sudeste do país e a capital, Londres. Mas não se sabe exatamente como e onde ela começou.

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Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS) casos da nova variante já foram verificados na Dinamarca, na Holanda e na Austrália. Um caso também surgiu na Itália.

Mais restrições

mutação COVID-19 - Boris Jhonson
Foto: Hannah Mckay

O Reino Unido vai tomar medidas de segurança para evitar que a contaminação aumente demais nos países do bloco.

O primeiro-ministro britânico, Boris Johnson, vinha indicando que iria no sentido contrário, flexibilizando as orientações com a proximidade das festas de final de ano. “Isso agora está se espalhando muito rápido”, alertou Johnson. “É com o coração muito pesado que digo que não podemos continuar com o Natal como planejado.”

Além disso, vários países estão restringindo viagens de passageiros oriundos do Reino Unido. A Holanda decidiu que voos vindos do Reino Unido estarão impedidos de pousar no país até o final de 2020.

O primeiro-ministro da França, Jean Castex, anunciou uma suspensão de 48 horas de viagens entre os dois países por todos os meios de transporte.

O governo da Irlanda também anunciou a suspensão dos voos “pelos interesses de saúde pública”, inicialmente nesta segunda (21) e terça-feira (22). A Irlanda do Norte é o único local no Reino Unido em que não há indícios de casos da nova cepa. Itália, Áustria, Alemanha, Bélgica, Luxemburgo, Portugal e Bulgária também suspenderam voos e conexões de trem ou navio com o Reino Unido.

A Grécia exigirá quarentena para os viajantes que chegam do país, e a Espanha estuda reforçar o controle de testes RT-PCR, que detectam a doença.

Mutação COVID-19

As mutações são comuns e acometem os vírus a todo momento. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), “todos os vírus, incluindo o da Covid-19, mudam com o tempo”. O vírus da COVID-19 que foi detectado pela primeira vez em Wuhan, China, não é o mesmo que você encontrará na maioria dos cantos do mundo.

Em entrevista à CNN, Renato Kfouri, diretor da Sociedade Brasileira de Imunizações (SBIm), afirma que essas variações são normais e acontecem no momento em que os vírus se reproduzem. Segundo dados da Fiocruz, há oito variantes do vírus circulando no Brasil no momento.

Nesse caso, a mutação do vírus da COVID-19 ocorre na sequência genética que codifica uma parte altamente sensível do vírus, a proteína Spike. Que está localizada na superfície do vírus, a proteína é uma espécie de chave que se agarra à superfície das células humanas, rompendo depois esta barreira para se multiplicar.

Entretanto, Kfouri também afirmou que até o momento não indícios de que esse vírus seja mais letal ou que a vacina não possa cobrir essas mutações.

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