Tripofobia: entenda a doença mental que causa medo de buracos

A condição é uma espécie de ansiedade que vem despertando o interesse de médicos e pesquisadores conforme se torna mais comum. Entenda.

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A tripofobia é uma doença psicológica um tanto curiosa que começou a ser debatida mais recentemente. O problema faz com que os pacientes tenham reações variadas a buracos e desperta interesse de médicos e pesquisadores ao redor do mundo. Logo, o DCI organizou um resumo para você entender melhor do que se trata.

 

O que é a tripofobia?

 

A tripofobia é uma doença que causa diversos sentimentos diante de objetos que tenham buracos. Sendo assim, os pacientes podem se sentir incomodados diante de imagens como morangos, esponjas e afins.

Em entrevista, o professor Arnold Wilkins da Universidade de Essex conta que, diferente de outras fobias, esse mal não causa medo, mas nojo. Dessa forma, essa é sua característica mais importante, diferenciando-a de doenças parecidas.

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“Não existe uma coisa só pela qual essas pessoas são afetadas e não há uma explicação óbvia do porquê. É mais uma reação de aversão do que uma fobia propriamente dita.” define o especialista, um dos pesquisadores mais importantes na área.

O professor Wilkins descobriu a doença de forma inesperada, quando um colega de pesquisa falava das sensações que tinha ao observar buracos. Esse colega contou que sofre do mal desde os 13 anos. Na primeira vez em sentiu o desconforto, ele estava fazendo buracos em uma moeda para um inofensivo projeto da escola.

 

Sintomas mais comuns

 

O professor Nathan Pipitone da Universidade da Flórida é outro pesquisador que se dedica ao assunto. Ele escreveu em 2017 o artigo “Respostas fisiológicas a imagens tripofóbicas”. Para ele, a variedade de sintomas é um dos aspectos da doença.

Diante de buracos, os pacientes costumam relatar:

  • Aversão
  • Arrepios e coceira na pele
  • Tontura e falta de ar
  • Suores e tremores
  • Dores de cabeça
  • Náusea e enjôo

Além disso, o especialista comenta um outro aspecto curioso da condição: “As pessoas que sofrem de tripofobia forte sentem desconforto extremo em ver essas imagens (conheci muitos deles). Ainda assim, para não-afetados, elas podem ser quase agradáveis de se olhar.”

Logo, muitas das imagens que fazem mal aos pacientes são belas e causam prazer às pessoas que não sofrem do problema. Por exemplo, uma banheira de bolhas de sabão inspira sentimentos de limpeza e relaxamento. No entanto, é capaz de deixar os afetados pela doença em profunda angústia.

 

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Imagem: Reprodução / Unsplash

Quais são as causas da tripofobia?

 

Em seu artigo “Medo de Buracos” de 2013, o professor Wilkins explica que a tripofobia pode ser resultado da evolução. Alguns animais venenosos têm buracos na pele. Assim, essa visão pode nos deixar em um tipo de estado de alerta.

Posteriormente, o artigo “Aglomerados Repugnantes” publicado por alunos da Universidade de Kent apresentou uma teoria diferente. Nele, defende-se que o medo ou nojo diante de buracos é, sim, uma característica da evolução.

Porém, ela teria surgido a partir da visão de parasitas e doenças contagiosas. Ou seja, os pacientes têm nojo daquilo que causa os buracos e não dos buracos em si. Dessa forma, podemos incluir nessas causas catapora, sarampo, carrapatos, sarna e outros problemas comuns.

Além disso, os pesquisadores explicam que reagir dessa forma a doenças é uma resposta saudável. Porém, vira problema quando é muito forte e causa sofrimento aos pacientes.

 

Como tratar

 

Antes de mais nada, é importante deixar claro que oficialmente a tripofobia ainda não é uma doença em si. Assim, o tratamento é feito de acordo com o Manual da Associação Americana de Psiquiatria, referência no assunto no mundo inteiro. Nele, o mal é descrito como um tipo de ansiedade.

Além disso, ainda não existe um tratamento específico para o problema. No entanto, algumas técnicas para tratamento de ansiedade em geral ajudam a controlar sintomas, tais como:

  • Terapia de exposição, em que a pessoa vê o que causa o medo aos poucos.
  • Técnicas de relaxamento, como respiração profunda e meditação, para reduzir o nojo, o pânico e a ansiedade do paciente.
  • Terapia cognitivo-comportamental, em que o paciente trabalha seus pensamentos e forma de agir que causam a fobia.
  • Medicação para tratamento de depressão e ansiedade para aliviar os sintomas.

Logo, se perceber sintomas, procure o seu médico e peça ajuda. Existem muitas formas de se tratar o problema que podem garantir uma vida mais saudável e tranquila.

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