Introdução alimentar: conheça o método BLW

O momento da introdução alimentar do bebê é sempre recheado de dúvidas para os pais. Entre as formas de iniciar a alimentação complementar está o método BLW, que dá maior liberdade à criança na hora de comer. Conheça mais o BLW e saiba como utilizá-lo.

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Uma das fases mais emocionantes do desenvolvimento de uma criança é a introdução alimentar. São cheiros, sabores, texturas e temperaturas inéditos para o bebê que até então só mamava no peito ou na mamadeira.

As expressões dos pequenos não negam que tudo é uma grande novidade. Embora muitos pais iniciem esse processo com as papinhas, o método BLW acredita que essa não é a melhor opção.

 

O que é o método BLW

 

A sigla BLW significa: “Baby Led Weaning” – em português: “Desmame guiado pelo bebê”. Esse é um entre outros métodos modernos relacionados à infância que acreditam no desenvolvimento da autonomia da criança.

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Basicamente, o BLW orienta que os pais deem preferência a deixar que o bebê mesmo pegue os alimentos e faça a mastigação. No entanto, independente do método, é preciso estar atento aos sinais de que o bebê já pode começar a introdução alimentar.

 

Sinais de que a criança já está pronta para a introdução alimentar

 

A recomendação da Organização Mundial de Saúde (OMS) é que o bebê se alimente exclusivamente de leite materno até os seis meses de vida, não sendo necessária a oferta de água, chá nem de outros alimentos.

Após esse período, deve ser oferecida à criança uma alimentação complementar. Isto é, dar alimentos nutritivos sem abrir mão do leite materno ou fórmula.

Contudo, levar em consideração apenas a idade da criança para começar esse processo é muito genérico. O ideal é dar atenção a outros fatores para entender se ela está pronta para isso. Assim, a introdução alimentar pode ser iniciada tanto um pouco antes, quanto um pouco depois dos seis meses.

 

Bebê passando pela introdução alimentar no método BLW
Imagem: Reprodução / Pexels

 

Segundo a SBP, os sinais de que a criança está apta para a iniciar a alimentação complementar são: Sentar sem apoio, sustentar a cabeça e o tronco, segurar objetos com as mãos, e explorar estímulos ambientais.

Além disso, desaparecimento do reflexo de protrusão é importante. Esse reflexo é aquele que faz com que a língua empurre para fora da boca tudo o que for de consistência diferente da do leite materno.

Assim que ele sumir, aparecem os movimentos voluntários e independentes da língua, fazendo com que o alimento role na boca e a criança o mastigue.

 

Introdução alimentar BLW Na Prática

No BLW, a cena é clássica: um bebê no cadeirão de alimentação, sujo até de comida até os cabelos, mas com um sorrisão daqueles.

Pais adeptos ao método incentivam o bebê se alimentar independentemente, mas nunca sozinho. Afinal, um dos princípios é que o momento da refeição sempre seja compartilhado entre a família.

Além disso, o bebê é apresentado a todos os grupos alimentares desde o início. No entanto, os alimentos devem estar em formatos que evitem o engasgo e que o bebê consiga pegar com as próprias mãozinhas e levar à boca.

Por fim, acreditam na autorregulação do apetite do bebê, deixando que ele decida quando já comeu o suficiente e quanto tempo vai levar para isso.

De maneira prática, utilizar o BLW na introdução alimentar de uma criança funciona da seguinte maneira:

Postura

Sempre colocar o bebê sentado para se alimentar.

Formato dos alimentos

O BLW sugere que os alimentos sejam oferecidos assim, em pedaços
Imagem: Reprodução / Pinterest

Oferecer alimentos cortados em pedaços largos, para que o bebê possa pegar com as duas mãos, pois ele ainda não tem o movimento de pinça (que é juntar o dedo indicador com o polegar);

Quantidade

Dê o alimento enquanto o bebê quiser comer. Pode acontecer de o bebê comer duas bananas pratas em um dia e no outro ele comer apenas meia laranja, porque ele está aprendendo e se adaptando. No começo, inclusive, ele pode simplesmente levar a comida até a boca e rejeitá-la.

Esse é um processo normal até que a criança se acostume aos novos alimentos. Não há problema em respeitar esse tempo, pois o bebê continuará se nutrindo com o leite, já que a amamentação deve ser mantida.

A autora do método, Gill Rapley, defende que o BLW não é um método específico de introdução alimentar, mas uma abordagem que encoraja os pais a confiarem na capacidade do bebê de auto alimentar-se.

Ademais, acredita na individualidade de cada bebê e seu ritmo, enfatizando as habilidades natas e o empoderamento dos pais em reconhecer em seus filhos seus próprios sinais.

 

Benefícios do Método BLW

Para os defensores do BLW, o método vê o alimento de forma educativa, experimentando variadas texturas, core, cheiros e sabores. Também diminui as chances de a criança rejeitar alimentos saudáveis ao decorrer da vida, pois terá uma relação mais positiva com a comida.

Afinal, vai aprender a comer quando está com fome e parar de comer quando não está, evitando ter compulsão alimentar na vida adulta, por exemplo.

Ainda, os pais gastam menos tempo preparando as refeições do filho, já que deve-se oferecer praticamente a mesma comida que eles comerão. Um incentivo a mais para mudar a dieta!

 

O que diz a SBP a respeito dos métodos de introdução alimentar

De acordo com a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a alimentação não tem só a ver com o fator nutricional. Afinal, nos primeiros seis meses de vida, o aleitamento materno será a fonte ideal do ponto de vista nutricional, emocional e de estímulo motor.

Depois disso, a alimentação complementar cumpre o papel de nutrir, além de estimular aspectos motores aproveitando esta fase de intensa curiosidade em explorar o meio ambiente.

Nesse ínterim, a SBP diz que não há evidências de que o método tradicional de introdução alimentar com colher seja menos estimulante ou menos importante que o BLW.

O indicado é que se siga as orientações a respeito da alimentação complementar dadas pelos órgãos oficiais da saúde, tanto do ponto de vista nutricional como comportamental.

 

Orientações da Sociedade Brasileira de Pediatria

A SBP orienta compartilhar o momento da refeição
Imagem; Reprodução / Unsplash

 

As orientações são que se deve dar alimentos processados; no máximo, amassados. Também incentivam que a família respeite o ritmo de desenvolvimento neuropsicomotor de cada criança, sem adiantar ou pular fases. Ainda que desde o início da Alimentação Complementar é importante fazê-la junto às refeições em família, incentivando a interação entre os membros da casa.

Independente do método, os pais devem ser exemplo de hábitos alimentares saudáveis e terem paciência o suficiente para respeitar o tempo da criança.

O papel dos pais na alimentação é de facilitar o processo. Isto quer dizer: proporcionar um ambiente tranquilo sem coagir ou punir a criança por não querer comer determinados alimentos, por exemplo.

Para a Sociedade Brasileira de Pediatria, não há desvantagem em oferecer alimentos amassados na colher, mas assim como no BLW as crianças também devem experimentar com as mãos, explorar as diferentes texturas dos alimentos como parte natural de seu aprendizado.

Deve-se estimular a interação com a comida, evoluindo de acordo com seu tempo de desenvolvimento.

 

Fonte: Sociedade Brasileira de Pediatria

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