Escândalo HSBC: entenda a investigação envolvendo bancos globais

Entenda a megainvestigação internacional revelou o operações financeiras criminosas envolvendo alguns dos maiores bancos do mundo. HSBC, Entre eles, está o HBSC, JP Morgan Chase, Bank of New York Mellon, Deutsche Bank e Standard Chartered Bank estão envolvidos na investigação. Transações ultrapassam os 2 trilhões de dólares.

Recentemente, uma megainvestigação internacional revelou operações financeiras criminosas envolvendo alguns dos maiores bancos do mundo. Entre eles, está o HBSC, instituição multinacional que já se envolveu em outras fraudes nos últimos anos. As informações que comprovam o escândalo HSBC foram analisadas por cerca de 400 jornalistas, de 88 países.

Eles fazem parte do Consórcio Internacional de Jornalistas Investigativos (ICIJ). Segundo os jornalistas, as transações teriam beneficiado mafiosos, corruptos e fraudadores pelo mundo.

Além do HSBC, estão envolvidos na investigação alguns gigantes como JP Morgan Chase, Bank of New York Mellon, Deutsche Bank e Standard Chartered Bank. Também, e acordo com o ICIJ, as movimentações somam mais de 2 trilhões de dólares entre 1997 e 2017.

Os dados que dão base à investigação saíram de documentos secretos do governo americano obtidos pelo BuzzFeed News. O noticiário, então, compartilhou o Escândalo HSBC com o consórcio de jornalistas . Aqui no Brasil, participaram do projeto as revistas Época, Piauí e o site Poder360.

 

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Em quais crimes o dinheiro está envolvido

Muito dinheiro em várias notas de cem dólares
Imagem: Reprodução / Unsplash

O JPMorgan teria movimentado cerca de 514 bilhões de dólares relacionados a atividades suspeitas, retirando grandes valores de fundos públicos na Venezuela, Ucrânia e Malásia. Ainda, há comprovações de que mais de 1 bilhão de dólares foram movimentados para um fugitivo do gigantesco escândalo 1MDB. Esse caso ocorreu em 2015, quando o primeiro-ministro da Malásia foi acusado de desviar recursos de uma companhia pública para suas contas bancárias pessoais.

Além disso, o banco ainda teria transferido 1 milhão de dólares para a conta da companhia de um acusado de ter enganado o governo da Venezuela que seria responsável pelos apagões elétricos no país.

Então, como se não fosse o bastante, o JPMorgan teria repassado 50 milhões de dólares em transações para o ex-gerente de campanha de Donald Trump, Paul Manafort. Paul sofre acusação de corrupção envolvendo um partido político ucraniano.

Também o Deutsche Bank, por exemplo, teria envolvimento no Escândalo HSBC em 1,3 trilhões de dólares. Esse valor está relacionado a lavagem de dinheiro e atividades criminosas. Já o HSBC, teria lavado mais de 881 milhões de dólares para cartéis de drogas na América Latina.

 

Escândalo HSBC

O HSBC leva o nome do escândalo pois está entre os grandes envolvidos na sujeira. Em 2012, o banco assinou um acordo de suspensão de ação penal. Assim, esse acordo veio depois de o banco admitir lavar pelo menos 881 milhões de dólares para cartéis de drogas latino-americanos. O custo desse acordo teria o valor de 1,9 bilhões de dólares, além da promessa de acabar com o fluxo de dinheiro ilegal.

Em contrapartida o governo concordou em suspender as acusações criminais contra o banco e arquivá-las após cinco anos sem atividades criminosas. No entanto, esse novo relatório demonstra que o HSBC não cumpriu esse período. Esse escândalo financeiro até mesmo inspirou a Netflix para criar a série “Na Rota do Dinheiro Sujo”.

 

Dirty Money, em português "Na Rota do Dinheiro Sujo", conta escândalos do HSBC
Imagem: Reprodução / Pinterest

Além disso, vale lembrar que o histórico do HSBC em fraudes não é dos melhores. Infelizmente o banco já esteve envolvido em outros escândalos financeiros, como o caso de lavagem de dinheiro conhecido como Swissleaks.

Tendo em vista esse histórico, não é de surpreender que toda essa situação não fosse novidade para os bancos. Segundo a Rede de Combate a Crimes Financeiros (FinCEN), os próprios órgãos de controle dos bancos já tinham consciência desse cenário. Inclusive, ressaltaram a colaboração deles com autoridades para combater esse tipo de problema. O HSBC se manifestou dizendo que a denúncia trata de informação “histórica” e que desde 2012 trabalha para lidar com a questão.

 

Envolvimento do Brasil na trama

De acordo com as investigações, os beneficiados com o Escândalo HSBC estão concentrados principalmente em países do leste europeu, da África, da América Latina e do Oriente Médio. Em suma, são na maioria outros criminosos financeiros, narcotraficantes e governantes acusados de corrupção.

Apesar de não ter números expressivos no caso, o Brasil também está envolvido no conluio. A companhia brasileira citada nos documentos é a Odebrecht, que não é nova nos cenários de crimes fiscais. A princípio, empreiteira teria comprado uma filial do banco Meinl Bank Antigua, em 2010. Com sede em Antígua e Barbuda, ela o utilizava para lavagem de dinheiro.

O Standard Chartered Bank relatou pagamentos suspeitos de mais de 187 milhões de dólares feitos a contas desse banco. Ainda de acordo com a investigação, o Deutsche Bank foi intermediário de movimentações de mais de 560 milhões de dólares para a empresa entre 2010 e 2016.

 

Fachada da Odebrecht, envolvida no Escândalo HSBC
Imagem: Reprodução / Pinterest

No entanto, apesar do envolvimento da Odebrecht, os impactos no Brasil devem se limitar à baixa nas ações da bolsa de valores e a consequente alteração de preços de ativos. Assim, é improvável que mais alguma empresa brasileira esteja envolvida na trama.

Atualmente o Banco Central (BC) acompanha com firmeza as movimentações bancárias brasileiras, com uma regulação forte sobre as instituições financeiras. Além disso, as leis brasileiras sobre lavagem de dinheiro são bastante severas.

 

Reflexos na Bolsa de Valores

 

Para o mercado financeiro, a segunda-feira amanheceu em queda por conta do escândalo HSBC. As ações dos bancos, então, foram abaixo. Às 12h23, os papeis do JPMorgan Chase & Co na bolsa de NY operavam em queda de 4,26%. Desde fevereiro as ações da empresa caíram de 135 dólares e permaneceram em grande parte dos últimos seis meses abaixo de 100 dólares.

Deutsche Bank, por sua vez, caía 8,91%. Já o HSBC operava em queda de 4,95% nas bolsas de Londres, a 288,95 libras esterlinas – em fevereiro desse ano os papeis valiam aproximadamente 550 libras esterlinas.

 

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Fonte Estadão

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