Lojas da Tok&Stok fecham em SP e marca faz liquidação; veja unidades
Clientes lotam liquidação da Tok&Stok em São Paulo antes do fechamento de lojas
Foto: Tok&Stok/Divulgação
O fechamento de lojas da Tok&Stok em São Paulo tem movimentado consumidores em busca de ofertas com grandes descontos. Na unidade do D&D Shopping, na zona sul da capital, o fluxo intenso de clientes chamou atenção nos últimos dias, impulsionado pela liquidação final promovida pela rede.
Com o encerramento das atividades marcado para o próximo sábado, dia 23 de maio, a loja passou a oferecer reduções de preços entre 50% e 70% em móveis, objetos de decoração e utilidades domésticas. O cenário dentro da unidade é de prateleiras esvaziando rapidamente e alta procura por produtos com valores reduzidos.
A unidade do D&D não é a única afetada pela reestruturação da empresa em São Paulo. Nas últimas semanas, a Tok&Stok também encerrou as operações da loja da Pompeia e da unidade instalada no Shopping Cidade São Paulo, na Avenida Paulista, que seguia um formato mais compacto.
O movimento de fechamento não ficou restrito ao estado paulista. Em Salvador, a marca também desativou a loja localizada no Salvador Shopping. A operação, aberta em 2021, fazia parte de uma proposta mais contemporânea da varejista, com foco em ambientes integrados, experiência de compra e seleção de itens voltados ao universo da casa e decoração.
O que aconteceu com a Tok&Stok?
A Tok&Stok atravessa um dos períodos mais delicados de sua trajetória. Desde 2023, a varejista vem promovendo fechamento de lojas e tentando reorganizar sua estrutura financeira diante do aumento das dívidas e da desaceleração do setor de móveis e decoração.
Naquele ano, a empresa já havia encerrado sete unidades em diferentes estados brasileiros, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro, Pernambuco, Ceará, Paraná, Rio Grande do Sul e Distrito Federal. Para tentar reorganizar as finanças, a companhia contratou a consultoria Alvarez & Marsal em um processo de reestruturação de uma dívida estimada em cerca de R$ 600 milhões.
Entre os fatores que pressionaram a operação estão o aumento dos juros, a dificuldade de acesso ao crédito e a redução do consumo das famílias. O setor de móveis costuma ser um dos mais afetados em momentos de aperto financeiro, já que itens como sofás, armários e decoração acabam sendo adiados pelos consumidores.
Outro desafio enfrentado pela empresa envolve a logística. Diferentemente de outros segmentos do varejo, o mercado de móveis trabalha com produtos maiores e mais caros para armazenar e transportar. Isso aumenta os custos operacionais, especialmente em períodos de vendas mais fracas.
Nos últimos anos, muitas redes do setor passaram a apostar em lojas menores funcionando como showrooms, enquanto os estoques ficam concentrados em centros de distribuição. Embora o modelo reduza despesas com espaço físico, ele também torna a operação mais vulnerável a atrasos e problemas na cadeia logística.
A pandemia chegou a impulsionar o mercado de casa e decoração, já que milhões de brasileiros passaram mais tempo dentro de casa e investiram em reformas e conforto. Porém, com a retomada das atividades presenciais, o consumo voltou a migrar para viagens, lazer e serviços.
No caso da Tok&Stok, o processo coincidiu ainda com mudanças societárias, disputas entre investidores e dificuldades na integração com a Mobly, aumentando os desafios enfrentados pela companhia.