Como Diniz superou a pressão e deu a volta por cima no São Paulo

O técnico Fernando Diniz esteve prestes a ser demitido mais de uma vez no São Paulo, mas sua permanência levou o time à liderança

No dia 5 de março de 2020, antes da paralisação do futebol na pandemia, já se falava na possível demissão de Fernando Diniz no São Paulo. Afinal, naquele dia, o time perdeu para o Binacional do Peru na estreia da Libertadores.

Eliminação no Paulistão

Quatro meses depois, na volta do Paulistão, o tricolor se classificou com a terceira melhor campanha na fase de classificação. Mas veio a eliminação para o Mirassol nas quartas de final, em pleno Morumbi. Novamente, torcedores e comentaristas pediram a demissão de Fernando Diniz do São Paulo.

Mas o diretor de futebol Raí sempre foi a favor da permanência de Diniz no São Paulo. No final de 2019, quando o time patinou na reta final do Brasileirão, já havia pressão para trocar de técnico. No entanto, Raí bancou Fernando Diniz desde então, e fez o mesmo depois que o técnico se viu pressionado pelo vexame diante do Mirassol.

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Queda na Libertadores

O começo devagar no Brasileirão e as derrotas para River Plate e LDU na Libertadores, selando a eliminação na fase de grupos, tornaram a situação de Diniz ainda mais delicada no São Paulo. Em meio à campanha pela demissão do treinador, Raí bateu o pé e voltou a defender a continuidade do trabalho.

Quando o time então conseguiu uma vitória convincente ao golear o Flamengo, veio um novo baque: a eliminação da Copa Sul-Americana diante do Lanús. Apesar das novas reclamações dos torcedores contra Diniz, começava ali a arrancada do São Paulo no Brasileirão e na Copa do Brasil.

Jejum de títulos

Após a eliminação contra o Lanús em casa com um gol sofrido nos acréscimos, o diretor de futebol Raí voltou a dar explicações sobre a permanência de Diniz como técnico do São Paulo. Ele explicou que entende a pressão, pois o tricolor não ganha um título desde 2012, quando foi campeão justamente da Sul-Americana.

“Há um ponto de dificuldade no São Paulo, que é estar há muito tempo sem ser campeão. Isso tudo dá uma dimensão ainda maior. Mas há a necessidade de resistir, de ter ousadia e coragem”, declarou Raí na época, admitindo que gavia pressão dentro do próprio clube pela demissão de Diniz.

Fernando Diniz e Raí
Rubens Chiri/SPFC

“Você nunca vai ter unanimidade entre conselheiros, diretoria. Mesmo decepcionados, nós fazemos questão de ressaltar o trabalho que tem sido feito. A gente quer transformar isso em resultados”, concluiu Raí.

A volta por cima de Diniz no São Paulo

E não é que Raí estava certo? Pelo menos os resultados vieram, e a forma de jogar do time passou a encantar a torcida. Afinal, o elenco do São Paulo finalmente assimilou a proposta de Diniz e passou a mandar nos jogos, transformando a posse de bola em chances concretas. Além disso, até mesmo as jogadas ensaiadas passaram a surtir efeito, como no gol da vitória sobre o Sport que ampliou a vantagem do time na liderança do Brasileirão.

Assim, o São Paulo foi de “time sem sangue” a favorito ao título do Brasileirão. E já não se fala mais na demissão de Diniz, pelo menos por enquanto. Os próximos jogos serão decisivos, já que o tricolor terá pela frente um clássico contra o Corinthians, um duelo direto contra o Atlético-MG e a semifinal da Copa do Brasil contra o Grêmio.

Trajetória de Diniz no São Paulo

Fernando Diniz chegou ao São Paulo em setembro de 2019, depois da saída do técnico Cuca. Nas últimas rodadas do Brasileirão de 2019, ele até conseguiu engatar uma sequência positiva, mas as derrotas para Palmeiras, Fluminense e Grêmio deixaram o torcedor desconfiado. Ainda assim, já naquela época, Raí saiu em defesa do técnico e assegurou sua permanência para 2020.

Antes do São Paulo, Fernando Diniz teve passagens por Athletico-PR e Fluminense, mas não conseguiu se firmar. O trabalho de maior destaque do técnico foi pelo Audax, quando chegou à decisão do Campeonato Paulista em 2016.

Antes de iniciar a carreira como treinador, Fernando Diniz jogou como meio-campo e teve passagens por grandes clubes como Corinthians, Palmeiras, Fluminense e Cruzeiro. Ele pendurou as chuteiras em 2008, com a camisa do Gama-DF.

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