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Exceto para aplicadores conservadores que precisam de liquidez em fundos DI e de curto prazo com risco soberano, a orientação para quem possui perfil moderado ou arrojado é buscar multimercados e fundos de ações para o horizonte de médio e longo prazo.

Na opinião de gestores consultados pelo DCI, a trégua de 90 dias na guerra comercial entre Estados Unidos e China, e as recentes declarações de representantes do Federal Reserve (Fed, o BC dos EUA) proporcionaram uma breve acomodação do risco global que permitirá oportunidade em mercados financeiros de países emergentes como o Brasil.

“Para o horizonte de médio e longo prazos, com base no cenário atual, os fundos de ações são uma boa opção. Até o preço internacional do petróleo, que havia caído muito nos últimos meses, com novos sinais da OPEP [Organização dos Países Exportadores de Petróleo] para 2019 devem reagir”, apontou o gestor da Guide Investimentos, Erick Scott Hood.

De fato, na última sexta-feira, o cartel do petróleo (OPEP) e a Rússia decidiram reduzir a produção em 1,2 milhão de barris diários a partir de primeiro de janeiro de 2019. A notícia ajudou os papéis da Petrobras – muito presentes nas principais carteiras de investimentos – a fecharem no azul, com alta de 0,73% na PN, e de 1,64% na ON, enquanto o Ibovespa encerrou em baixa de 0,82%, aos 88.115 pontos.

Nesse ambiente de constante volatilidade nos ativos e após altas expressivas na bolsa de valores (Ibovespa) e em fundos de ações em outubro e novembro, o investidor que selecionar um bom gestor de fundo de ações terá oportunidades de ganhos maiores.

“Na escolha de fundos de gestão ativa precisa olhar para a qualidade do time, e até verificar o tamanho da equipe e se estão acompanhando os papéis o tempo todo”, recomenda o gestor da Levante Investimentos, Felipe Bevilacqua.

Ele está otimista com as perspectivas para o mercado de capitais em 2019 e com o início do novo governo. “As empresas já estão fazendo emissões de crédito [debêntures] em dezembro, e são esperados mais de 30 IPOs [ofertas iniciais de ações] no próximo ano”, visualiza o especialista.

Para mitigar [reduzir] os riscos da volatilidade, Bevilacqua sugere a estratégia de multimercados – equity hedge – que operam com proteção. “É uma estratégia que gosto muito, pode ter uma posição comprada maior que a vendida”, contou.

O gestor também alertou os cotistas sobre o erro comum de se olhar apenas a rentabilidade passada na escolha dos fundos. “As classes de ações tiveram bom desempenho nos últimos meses”, observou.

Passado de ganhos

No acumulado de 12 meses até 3 de dezembro, as principais categorias de fundos de ações tiveram ganhos entre 16,89% (investimento no exterior) e 23,99% (índice ativo). Na outra ponta, o conservador que aportou em renda fixa de curto prazo teve ganho de 5,46%.