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São Paulo - Os meios de pagamento digitais tendem a extinguir, a partir de 2017, o uso do cartão físico em transações. Apesar do preparo das adquirentes nos processos de biometria e carteira digital, falta de confiança de clientes pode interferir na aderência do produto.

De acordo com dados da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), em dez anos, não somente a quantidade de pontos de venda (POS) mais do que dobrou, (alta de 217%), de 1,4 milhão de unidades em 2005, para 4,4 milhões em 2015, como o volume de transações com cartões de crédito e débito aumentou mais de cinco vezes (537%) no mesmo período de comparação (de R$ 169,5 bilhões para R$ 1,08 trilhão). Segundo Fernando Chacon, presidente da Rede, a evolução dos sistemas de pagamentos digitais gera uma forte tendência de extinção dos cartões físicos na realização de transações.

Ele ressalta que uma das formas da Rede foi a implantação da carteira digital que, por si só, já tira a necessidade do plástico, bastando o cadastro do cartão na plataforma para já ser possível realizar pagamentos.

A carteira (que pode ter cartões e meios de pagamento não só do Itaú como de outros bancos) tem previsão de receber toda a base de clientes usuários dos meios digitais do Itaú em julho.

"Ela está acelerada para funcionar dentro de aplicativos e do mundo físico de lojas e já entraremos em 2017 com a possibilidade de não ter o cartão quando for ao varejo", explica o presidente.

Segundo André Petroucic, CEO da Verifone, o surgimento de devices (dispositivos) nesse mercado voltados para essas tecnologias, passarão a demandar esse tipo de pagamento no dia a dia.

"Essa é uma realidade já presente e com tendência a acelerar ainda mais. A biometria facial e digital, assim como outros tipos de autenticações já estão 'vindo com tudo'. Isso não somente vai aumentar as compras e a receita, como vai reduzir o custo do varejista, que vai trocar todo o frente de caixa que ele tem hoje por um terminal de pagamento integrado. É uma mudança em como nos relacionamos com os estabelecimentos comerciais para uma experiência física do mundo on-line", explica.

Os executivos, no entanto, ressaltam que apesar do segmento já estar preparado para essas adaptações, ainda existem fatores que impossibilitam a completa aderência dos meios digitais de pagamento.

"A indústria esta preparada e já aceita pagamentos NFC [por aproximação do celular no leitor para efetuar a transação]. No caso da Cielo, por exemplo, temos mais de 1 milhão de terminais habilitados. No entanto, esse negócio não decola porque, não somente há a falta de confiança dos consumidores em usar o produto, como também não há uma distribuição dos bancos de dispositivos com essa funcionalidade. Mas da parte das credenciadoras, essa parte já é efetiva", comenta Rômulo de Mello Dias, presidente da Cielo.

"Tudo vai migrando para a era mais digital e o difícil nesse mundo é a autenticação do cliente. Mas a partir disso, o maior desafio é incentivar as pessoas a aprenderem como usar e possibilitar experiências cada vez mais ricas. Nesse sentido, o boca a boca é que vai desenvolver essa indústria e, assim, isso vai evoluindo cada vez mais nesse conceito", disse João Pedro Paro Neto, presidente da Mastercard, ao DCI.

Menos incentivos

Os executivos destacam que a substituição por transações eletrônicas traz "benefícios em todas as partes" e que a moeda tende a diminuir no País.

"O dinheiro muito provavelmente vai sobreviver, mas vai diminuir drasticamente sua presença, até por conta de um custo não desprezível associado a ele. Muitos países tem desestimulado o uso do dinheiro e no Brasil não deve ser diferente", afirma Dias, da Cielo.