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A alta do dólar e a pontuação em patamares históricos das bolsas americanas (Dow Jones e S&P 500) impulsionou os ganhos em Brazilian Depositary Receipts (BDRs), os recibos de ações estrangeiras listadas na bolsa brasileira (B3).

No ano até a última sexta-feira, o índice de BDRs (BDR-X) registrou valorização de 18,67%, e em 12 meses, alta de 31,24%. Mas vale citar que os principais fundos de investimentos com esses recibos em carteira alcançaram retornos entre 39% e 51,43%.

“As bolsas americanas estão descoladas do resto do mundo desde 2011. São empresas extraordinárias em competividade e tecnologia. A performance foi a melhor nos últimos três anos com o avanço da economia americana e depois com o corte de impostos feito pelo presidente dos EUA, Donald Trump” observou o gestor da FCL Capital, Fernando Araújo.

Mas, se por um ângulo a rentabilidade passada está muito elevada, vale a recomendação de “cautela” para o horizonte de curto prazo. “Os múltiplos no S&P 500 estão elevados, vejo menos oportunidades nos EUA, e mais em bolsas da Europa, da Ásia e outros mercados emergentes”, avisa o gestor.

Para o especialista de investimentos da Suno Research, Alberto Amparo, ao investidor que possui horizonte de longo prazo (10 anos), diversificar a carteira de ações entre papéis brasileiros e globais é recomendável. “Não existe percentual ideal, mas entre 5% a 10% em BDRs é uma alternativa para minimizar a volatilidade de ações locais do Ibovespa”, diz.

Amparo alertou aos investidores que se declaram qualificados para aplicar diretamente em BDRs via B3 que algumas ações das maiores empresas americanas estão supervalorizadas. “Ainda há oportunidades nos EUA, mas é importante fazer uma análise mais fundamentalista para escolher bem os papéis”, recomenda.

Fundos em gestoras

Para o investidor que não possui muitas informações sobre os ativos estrangeiros listados no Brasil, uma alternativa é aplicar em fundos globais de gestoras independentes ou via fundos de BDRs Nível 1 de bancos tradicionais, acessíveis a partir de aportes iniciais de R$ 200 no Banco do Brasil; com R$ 10 mil no Bradesco e na Caixa Econômica Federal, ou R$ 50 mil no Itaú Unibanco.

“A vantagem de um fundo global é a atuação do gestor na carteira operando os papéis em Nova York (EUA) ou Londres (Inglaterra). E BDRs não possuem muita liquidez, são pouco líquidos [na B3] para operar diretamente”, lembrou o gestor da FCL Capital.

Em termos de performance com base no desempenho passado, os fundos de BDRs entregaram resultados similares e até superiores ao BDRX, o índice dessas ações na B3.

O BB Ações Globais BDR Nível 1 com taxa de administração de 1,9% ao ano, entregou ganhos de 18,71% em 2018 até ontem, e 51,43% em 12 meses. Ao passo que o Ações Caixa BDR Nível 1 registrou rentabilidade de 31,93% neste ano, com taxa de administração de 1,5% ao ano no banco público.

Entre os bancos privados, o fundo Itaú BDR Nível 1 Ações, mostrou rentabilidade bruta de 13,83% em 2018, e de 39% nos últimos 12 meses. Já a carteira Bradesco BDR Nível 1 – com taxa de administração de 2,5% ao ano – obteve ganhos de 12,52% neste exercício e de 45,56% em 12 meses.

Cenário global

Em relatório divulgado ontem, a Mapfre Investimentos avisou que o cenário global é de menor crescimento e maior risco por causa do aumento dos juros no exterior. “Lá (nos EUA), a inflação anual dos preços ao consumidor supera a meta de 2% ao ano desde meados do ano passado, com a menor taxa de desemprego em quase 50 anos. Essa alta ocorre não apenas na inflação cheia, em razão da alta dos preços do petróleo. O núcleo da inflação, que expurga preços de energia e de alimentos, supera a meta de 2% desde março de 2018. Ou seja, o índice não se limita a preços poucos sensíveis à política monetária. Diante disso, a taxa de juros nos EUA seguirá em elevação”, relata.

“A reunião do Banco Central Europeu, entretanto, deverá demonstrar que a expansão da economia global se tornou menos equilibrada e pode ter atingido o pico em algumas economias importantes. Na área do euro e no Reino Unido, há surpresas negativas com a atividade econômica”, complementa. “Na Ásia, a China e um número de outras economias também experimentam taxas de crescimento um pouco mais fracas após as medidas comerciais anunciadas recentemente. Enfim, os riscos para o crescimento global tendem a ser negativos”, diz o relatório.