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O aumento da aversão ao risco na economia mundial, após o presidente dos EUA, Donald Trump, ameaçar tarifas extras em US$ 200 bilhões de produtos importados da China provocou um novo dia de fortalecimento do dólar. A moeda subiu 1,91%, a R$ 3,8755.

O real foi a segunda moeda no mundo que mais perdeu valor ante o dólar nesta quarta-feira, 11, atrás apenas da divisa da Turquia. Após a decisão de Trump, Pequim falou que vai retaliar e analistas começaram a especular que uma das formas seria sobretaxar o petróleo comprado dos EUA, o que ajudou as cotações da commodity a despencarem em Londres e Nova York, acentuando o movimento de aversão ao risco.

Com a pressão para a alta da moeda vinda do exterior, o Banco Central (BC) ficou novamente de fora do mercado de câmbio, marcando o 13º dia seguido sem ofertas extraordinárias de novos contratos de swap (venda de dólar no mercado futuro).

A instituição fez ontem, assim como vem fazendo nos últimos dias, apenas a rolagem de contratos, em operação que somou US$ 700 milhões.

Exportadores que na terça venderam dólares e ajudaram a moeda cair 1,71%, para R$ 3,80, ontem reduziram suas operações, enquanto os importadores intensificaram as compras, segundo operadores.

Para o diretor em Nova York da área de moedas da BK Asset Management, Boris Schlossberg, a reação só não foi pior porque a decisão de Trump ainda é uma proposta, não uma medida efetiva.

“Os mercados esperam que o estilo característico de negociação de Trump, 'de fazer muito barulho e depois recuar', possa resultar em menos danos do que se pensava inicialmente”, avalia.

“Estamos nos movendo para um estágio onde as tarifas podem começar a ter um efeito mais palpável na atividade dos emergentes”, ressalta o economista de mercados emergentes da consultoria Capital Economics, William Jackson.

Mercado acionário

O cenário internacional adverso também foi determinante para o viés negativo do Índice Bovespa, que fechou o pregão de ontem em baixa de 0,62% ontem, aos 74.398,55 pontos.

Em meio à forte onda de aversão ao risco no exterior, porém, o bom desempenho de ações específicas, como os papéis da Eletrobras e dos bancos, impediu uma queda maior do índice. Os negócios somaram R$ 9,8 bilhões.

Descoladas do cenário externo, as ações bancárias fecharam majoritariamente em alta, sem motivo específico.

O destaque ficou com Banco do Brasil ON, que subiu 1,99% Itaú Unibanco PN e as units do Santander subiram 0,40%. As exceções foram Bradesco ON (-0,32%) e PN (-0,40%).

A expectativa otimista em torno da privatização das distribuidoras da Eletrobras prevaleceu ao longo do dia, o que garantiu às ações da companhia os avanços de 2,19% (ON) e 2,17% (PNB).

Os juros futuros terminaram a sessão regular em alta. A taxa do contrato de Depósito Interfinanceiro (DI) para janeiro de 2019 encerrou em 6,830%, de 6,798% no ajuste e 6,805% no fechamento da sessão estendida de ontem, e a do DI para janeiro de 2020 subiu de 8,12% no ajuste e 8,18% no fechamento de ontem para 8,20%.

A taxa do DI para janeiro de 2021 encerrou em 9,18%, de 9,09% no ajuste e 9,15% no encerramento e o DI para janeiro de 2023 terminou a 10,54%, de 10,44% no ajuste e 10,47% no fechamento. /Estadão Conteúdo