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Com nova aposta na venda de máquinas para pequenos varejistas, a Cielo também anunciará novas parcerias com terminais co-branded. O movimento é para reverter os resultados menores e a expectativa é de que a melhora aconteça no segundo semestre.

De acordo com o presidente da Cielo, Eduardo Gouveia, mesmo com a concorrência mais acirrada ante a entrada de novos players, a “baixa penetração” no mercado de cartões é um estímulo.

“Há espaço para elevar nosso espaço com a venda das máquinas, por exemplo, principalmente entre aqueles que não aceitavam o cartão de crédito”, comenta.

Ele pondera, ainda que mesmo que a base continue “pressionada pela mortalidade [das empresas] e pela maior competição”, os esforços da companhia são para melhorar o lucro e aumentar a participação no mercado.

“Nossa aposta é fazer novas parcerias com Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal e redes de varejo com terminais co-branded, além de trabalhar forte no marketing, para normalizar e equilibrar a nossa base”, complementa Gouveia, da Cielo.

Essas parcerias seriam semelhantes às que a companhia já tem com o Bradesco, por exemplo, onde as tradicionais máquinas ganham uma roupagem do novo sócio como forma de ampliar o “engajamento da distribuição” e, de quebra, subir as receitas com a entrada de novos clientes.

Além disso, parte da estratégia da adquirente é de aumentar a base de usuários também pela “descomplicação” do uso da máquina e conciliação com o dia a dia dos lojistas com empresas de menor porte.

“É para empacotar os produtos e vender o portfolio de forma massificada. O Cielo Controle, por exemplo, já é um vencedor com quase 200 mil clientes que preferem pagar um preço fixo mensal onde já estão inclusos a máquina, a manutenção, o serviço, a bobina, o prazo e a comissão”, exemplifica Gouveia.

Na teoria, o modelo de “mensalidade” seguiria o controle de linhas telefônicas, onde o cliente “vende 100 e recebe 100” e paga uma taxa que varia conforme o volume de vendas, com um preço adaptado para cada franquia.

“Soluções mais simples têm nos dado bastante expectativa sobre ser um mercado realmente promissor”, avalia o presidente da adquirente.

Nessa linha, as 12 parcelas cobradas na Stelo – para pequenos varejistas – e na Mobile – focado em microempreendedores e autônomos – são cada uma de R$ 64,90 e R$ 39,90, respectivamente.

O presidente da Cielo ainda afirma que a perspectiva é que os esforços da companhia mostrem um retorno positivo já no “médio prazo”.

“Acreditamos que todo o investimento que estamos fazendo em tecnologia já começa a gerar frutos no meio tempo. No curtíssimo prazo ainda teremos um resultado apertado, mas é uma estratégia vencedora que já deve trazer melhorias no segundo semestre”, opina.

Números da companhia

No balanço da Cielo, a crescente competição no mercado, o desempenho do varejo aquém do esperado e os efeitos da queda da taxa básica de juros (Selic) na receita financeira, na remuneração de caixa e também na antecipação de recebíveis pressionaram o lucro da adquirente, que registrou R$ 932 milhões no primeiro trimestre deste ano.

O valor corresponde a uma queda de 6,8% em relação ao observado em igual período de 2017 (R$ 1,001 bilhão) e recuo de 10,5% na comparação com os três meses imediatamente anteriores (R$ 1,042 bilhão).

Os resultados menores influenciaram nos papéis ON da companhia, que registraram desvalorização de 6,20% na bolsa (B3), cotados a R$ 17,99.