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Apesar de ainda se posicionar como “o banco das micro e pequenas empresas (MPEs)”, a carteira de crédito do segmento no Banco do Brasil (BB) caiu 24,5% no terceiro trimestre deste ano contra igual período de 2017, de R$ 51,7 bilhões para R$ 39 bilhões.

De acordo com o novo presidente do BB, Marcelo Augusto Dutra Labuto, o movimento de queda veio pela recomposição do mix de produtos na carteira de MPEs e as perspectivas, de agora em diante, são positivas.

“O movimento de clean up [limpeza] da carteira e a mudança de um mix de longo para curto prazo trazem a percepção de que a carteira não está crescendo. Mas a inflexão foi em setembro, o primeiro mês a mostrar crescimento, e a ideia é que nesse ciclo e ao longo de 2019, esse aumento seja percebido mais fortemente”, explica o presidente.

A inadimplência total do banco, por sua vez, ficou em 2,83% de julho a setembro – o menor patamar desde os três primeiros meses de 2016 (quando era de 2,56%).

A queda, excluindo-se os efeitos de um caso específico que impactou os índices do banco nos últimos trimestres, foi de 0,69 ponto percentual ante igual período de 2017 (3,52%). Contando o caso específico (3,94%), o recuo foi de 1,11 ponto percentual.

Segundo Labuto, o BB não somente “já tem as condições necessárias para se equiparar com os demais competidores” como também deve atuar de forma mais agressiva da ponta comercial com os MPEs.

“A melhora geral do ambiente macroeconômico traz um ambiente mais saudável para a colocação de crédito e acredito que poderemos ser mais competitivos ao mesmo passo que também manteremos a qualidade da carteira”, afirma.

“Isso não quer dizer, porém, que vamos mudar a nossa política de crédito”, reitera o vice-presidente de controles internos e gestão de riscos do BB, Márcio Hamilton Ferreira.

“O que temos é um direcionamento diferente do mix, o que pode trazer outra categoria de risco”, acrescenta.

O presidente do BB explica, porém, que o crescimento na carteira de micro e pequenas empresas não voltará a níveis anteriores no curto prazo.

“Viemos de uma carteira de R$ 100 bilhões para R$ 39 bilhões. Isso ainda demora um tempo, até porque as características são bastante diferentes”, reforça o executivo.

Equilíbrio na composição

Outro ponto abordado por Labuto é que, parte da estratégia do banco em nivelar sua rentabilidade com a de seus pares privados é trazer uma maior participação das receitas com tarifas e serviços.

“O objetivo é chegar em um equilíbrio onde a participação do crédito e dessas receitas no lucro sejam em torno de 50%. A meta é diversificar essa base”, completa o presidente.

As receitas com tarifas e serviços mostraram um aumento de 4,7% no terceiro trimestre ante igual período de 2017, de R$ 6,562 bilhões para um total de R$ 6,871 bilhões.