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Na menor taxa histórica, o crédito consignado atingiu recorde também no volume de concessões em outubro, com R$ 18,2 bilhões em empréstimos. Com melhora do cenário econômico e a expectativa de aumento da concorrência, tendência é de alta em 2019.

Os últimos dados do Banco Central (BC) apontam que, em outubro, o crédito consignado atingiu R$ 18,185 bilhões em concessões, alta de 33,7% em relação a igual mês de 2017 (R$ 13,599 bilhões) e o recorde histórico da linha. 

Segundo o diretor comercial e de produtos do Banco Pan, Alex Sander Gonçalves, o principal “motor de impulso” do consignado foram os juros.

Ainda conforme o BC, por exemplo, as taxas também ficaram no menor patamar já registrado em outubro com 24,3% ao ano (a.a.), recuo de 2,3 pontos percentuais na mesma base de comparação (estava em 26,6%% a.a.).

“Como o consignado é uma linha puxada principalmente por servidores públicos e pensionistas, esse é um bom motivador do avanço observado”, comenta o especialista, mas reitera que, para o ano que vem, as taxas já alcançaram um patamar suficiente.

“Os juros já caíram bastante desde 2016 e, quando comparado a qualquer outra linha, o consignado já tem taxas bem baixas. Mas a redução ainda depende muito da Selic [taxa básica de juros] nos próximos tempos”, completa Gonçalves.

O último relatório Focus do BC aponta que a estimativa para a Selic em 2019 é de terminar em torno de 7,75%. Atualmente, está em 6,5%.

Em relação ao futuro, apesar das expectativas serem positivas, os especialistas ponderam algumas vertentes que podem interferir ou mostrar reflexos no apetite de credores e tomadores ao longo de 2019.

“O consignado está relacionado ao risco de crédito que as instituições financeiras estão dispostas a assumir e, para o ano que vem, existem componentes político e fiscal bastante fortes a serem considerados”, afirma o cofundador da Creditoo, Ramires Paiva.

De acordo com ele, dependendo dos indicadores econômicos, por exemplo, outras linhas podem ganhar destaque, como o crédito pessoal e os financiamentos para veículos.

“Isso porque, assim, faria sentido tomar mais risco e, em termos de juros, outras linhas são mais atrativas do que o consignado. Mas, para isso, a concorrência crescente no mercado é um bom contraponto”, explica o executivo.

Para Gonçalves, no entanto, mesmo com a melhora do mercado de crédito como um todo, as perspectivas para a linha ainda são positivas.

“Esperamos, para 2019, um crescimento semelhante ao observado neste ano. Ainda mais porque existe uma possibilidade de melhora nas contas dos governos estaduais, o que retomaria o consignado nessas administrações”, avalia.

Já para Paiva, a aposta é nos funcionários de empresas privadas. “É um mercado ainda muito incipiente e cuja operação tem potencial”, acrescenta.

Parcelas mais caras

Outro ponto de atenção, segundo o professor especialista em ciências contábeis do Mackenzie Jocineiro dos Santos, é a não correção da tabela de Imposto de Renda para 2019.

“Isso significa maior pagamento de impostos e, consequentemente, parcelas de consignado maiores do que o previsto pelos consumidores. Sem o aumento de renda necessário, existe uma forte possibilidade de alta na inadimplência, por exemplo. É preciso atenção”, conclui.