Fatores distintos afetam balanço de bancos

SÃO PAULO

Bradesco e Santander reagiram de forma diferente às dificuldades da economia no ano passado. O banco espanhol apurou lucro de R$ 5,74 bilhões em 2013, queda de 9,7% em relação a 2012. A instituição financeira privada nacional teve lucro líquido ajustado de R$ 12,2 bilhões, alta de 5,9% ante o resultado do ano anterior.

O primeiro desafio foi o baixo crescimento da economia no ano passado. No início do ano as expectativas para o crescimento do PIB estavam próximas aos 3%, mas os dados mostraram que esse cenário seria diferente, com uma taxa perto dos 2%. Com isso, as projeções sobre crescimento do crédito também caíram, como explicou o presidente do Bradesco, Luiz Carlos Trabucco.

“No ano passado, o crescimento do PIB nos surpreendeu negativamente, e por isso fomos obrigados a rever nossas metas de crescimento do crédito para baixo. Isso afeta a nossa rentabilidade”, afirmou Trabucco.

Além do baixo crescimento, outro fator que pesou nos balanços foi a queda na margem financeira. A taxa básica de juros (Selic) voltou a subir desde abril de 2013, mas os spreads (diferença entra a taxa de captação e repasse para o tomador) continuaram comprimidos o que afetou os balanços.

No Santander o spread médio de crédito caiu de 12,2% em 2012 para 10,5% em 2013. Com isso, a margem financeira do banco caiu de R$ 32,38 bilhões em 2012 para R$ 29,827 bilhões no passado, o que representa perda de 7,9%. No Bradesco, a queda foi menor, 1,2%, no mesmo período.

“No ano passado houve uma queda brusca da margem financeira, o que afetou a lucratividade do banco. Mas acreditamos que essa tendência perdeu força e podemos ver até mesmo uma leve recuperação em 2014”, analisou o presidente do Santander Brasil, Jesus Zabalsa.

O Bradesco conseguiu superar esse desafio fortalecendo outras fontes de recursos. As receitas com serviços, por exemplo, fecharam 2013 em R$ 19,78 bilhões, alta de 13% ante 2012. O resultado das operações com seguros cresceu 17,2%, totalizando um lucro de R$ 4,471 bilhões ao banco.

O Bradesco também focou na contenção da inadimplência e na redução das Provisões para Crédito de Liquidação Duvidosa (PDD). O índice de calotes no Bradesco caiu de 4,1% em dezembro de 2012 para 3,5% em igual período do ano passado. O PDD do banco caiu de R$ 13,01 bilhões para R$ 12,04 bilhões entre 2012 e o ano passado.

O Santander também reduziu drasticamente sua taxa de inadimplência que passou de 5,5% ao final de 2012 para 3,7% no ano passado. O banco espanhol também reduziu sua PDD, mas menos do que o concorrente privado, de R$ 14,99 bilhões para R$ 14,22 bilhões.

Além da menor redução no PDD, o Santander também teve uma menor capacidade de gerar recursos em outros segmentos de sua atividade que não o crédito. As receitas com prestação de serviços e tarifas bancárias subiram de R$ 9,680 para R$ 10,67 bilhões, alta de 10,3%, mas não o suficiente para repor as perdas com a queda da margem financeira.

O banco espanhol busca agora expandir sua atuação. O presidente Jesus Zabalsa afirmou que o Santander pretende concluir nas próximas semanas a compra da credenciadora de cartões, GetNet, do qual já é sócio. “Nosso objetivo é ganhar mercado e diversificar nossas fontes de receitas”, afirmou Zabalsa.

O banco também apostará no crédito rural. “Esse é o setor mais dinâmico da economia atualmente. Nós já tivemos uma carteira importante nesse segmento quando da compra do Banespa, mas acabamos nos afastando. Vamos retomar essa linha com força por que é área mais dinâmica da economia brasileira e que deve evoluir bastante nos próximos anos”, completou Jesus.

Os dois bancos tiveram um crescimento parecido na carteira de crédito ampliada. O Santander passou de R$ 255,96 bilhões para R$ 279, 81 bilhões, alta de 9,3% entre 2012 e 2013.

Já no Bradesco, a carteira de crédito fechou o ano passado com um total de R$ 427,3 bilhões, o que representa alta de 10,8% ante os R$ 385,5 bilhões registrados no final de 2012.

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