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Os fundos imobiliários vêm ganhando maior destaque entre os brasileiros, mostrando-se como uma boa opção de investimento no mercado financeiro, inclusive em cenários turbulentos, como o atual período eleitoral.

De acordo com dados mais recentes, em agosto de 2018, foram registrados 159 fundos na B3, avanço de 2,30% ante o mesmo período de 2017, que contabilizou 130 fundos.

Também nesse período, o valor de mercado dos fundos imobiliários passou de R$ 33,91 bilhões no oitavo mês de 2017, para R$ 41,76 bilhões em agosto último, enquanto o número de investidores passou de 101.753 para 172.843 mil, alta de 9,86%.

Os fundos imobiliários são aplicações de renda variável, mas, diferente das ações, investem em imóveis em vez de empresas. O investidor compra cotas que têm participação em lojas de shoppings ou escritórios de prédios, por exemplo, com um aporte financeiro razoavelmente baixo, a partir de R$ 100.

“Os fundos são uma alternativa para àqueles que querem ter investimentos imobiliário, mas não podem pagar o valor inteiro do imóvel”, explica o diretor comercial da Easynvest, Fabio Macedo.

“Além disso, o investidor conta com uma mitigação dos riscos, uma vez que os fundos possuem vários ativos e uma pessoa habilitada fazendo a gestão”, comenta.

Assim como um imóvel próprio alugado, as cotas garantem uma remuneração mensal ao investidor. Porém, o retorno dos fundos pode ser maior, pois o gestor pode diversificar os investimentos e tem acesso a grandes empreendimentos, além de contar com a isenção de Imposto de Renda (IR) sobre os rendimentos.

Segundo o analista da Ativa Investimentos, Pedro Guilherme Lima, os fundos se encaixam em um perfil de investidor um pouco mais experiente. “É ideal para quem está começando a entrar no mercado de ações, de renda variável, mas ainda está aprendendo e não quer tanto risco”, diz ao DCI.

“A correlação dos fundos com outros tipos de ativos, que costumam sofrer mais com períodos de crise, é baixa ou baixíssima. Esse mercado é basicamente indexado à inflação, beneficiado por momentos de alta do dólar, por exemplo, e por ajustes dos contratos de aluguel”, comenta o analista de Fundos Imobiliários da XP Investimentos, Gustavo Bueno.

Época de eleições

Segundo o professor de Finanças do Instituto Brasileiro de Mercado de Capitais (Ibmec/SP), Arthur Moraes, os fundos imobiliários podem ser considerados uma boa alternativo de investimentos em um cenário de instabilidade do mercado financeiro, causado pelas eleições presidenciais.

“Quem começou a investir em ações vê loucura de período eleitoral e se assusta, mas no mercado de fundos imobiliários isso não acontece. É uma modalidade com uma volatilidade muito menor do que o mercado de ações”, afirma.

“É um investimento que pode surfar em qualquer ambiente econômico. Nosso cálculo é que o pior para o mercado já passou, foi em 2016. Agora as taxas de vacância são cada vez mais baixas, vemos um aumento de aluguel e os empreendimentos estão mais baratos”, diz Gustavo Bueno.