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O interesse de investidores pessoas físicas de perfil arrojado em aproveitar a volatilidade aumentou com a disputa eleitoral. Nos últimos 10 pregões, os mini contratos de câmbio giraram uma média diária de R$ 55 bilhões na B3.

Desde 31 de agosto, o volume em minicontratos nesse subsegmento de futuros (derivativos de moedas) – impulsionado por pessoas físicas e profissionais qualificados – oscila entre US$ 12,5 bilhões e US$ 14,7 bilhões por dia de negociação, quase tão representativo quanto o de contratos “normais” de câmbio que giraram no mesmo período um volume médio diário de US$ 19,45 bilhões, movimentado principalmente por grandes bancos e fundos.

Para o analista-chefe da Rico Investimentos, Roberto Indech, houve, recentemente, crescimento “muito forte” de investidores para operar minicontratos de dólar futuro e de índice de ações.

“É possível operar com uma quantidade menor de recursos nesses minicontratos, com a possibilidade de ganhos maiores, mas também com riscos mais elevados”, afirmou o analista.

Para o estrategista-chefe da Levante Investimentos, Rafael Bevilacqua, o ambiente eleitoral conturbado é o principal motivo para o aumento da volatilidade no mercado. “Só é bom para quem gosta [de volatilidade], o trader. O minicontrato serve para o investidor pessoa física proteger seu patrimônio em dólar; são pessoas se defendendo da eleição”, explica.

Na visão do analista Modalmais, Leandro Martins, o volume em minicontratos de dólar no home broker só tem crescido neste ano eleitoral. “No mercado está próximo do topo [histórico], embora nas últimas duas semanas tenha se observado um pequeno recuo pontual”, observou o analista.

No início de agosto, o dólar Ptax, a média do Banco Central, referência para minicontratos de US$ 10 mil estava em R$ 3,7491 – ao passo que a Ptax fechou em R$ 4,1695 ontem, alta de 11,2% no valor “nocional” (referente a noção) dos minicontratos em 47 dias.

Mas, na prática, o valor “nocional” dos minicontratos influencia pouco na decisão das ordens porque os investidores se desfazem muito rapidamente das suas posições.

Martins lembrou que, no passado, os traders (negociadores) preferiam fazer operações no mesmo dia (day-trade) apenas com ações da Petrobras e da Vale, que tinham mais liquidez. “A preferência atual é por trade em minicontratos”, comparou. Segundo dados da B3, a Modalmais está entre as cinco principais corretoras que giram minicontratos de dólar, ao lado da UBS Brasil, XP, Clear e Brasil Plural.

Roberto Indech, da Rico, completou que o custo no mercado para se negociar minicontratos no day-trade é muito baixo, a partir de R$ 0,09 por ordem. “É um produto simples; o investidor entra; compra e vende no mesmo dia; e não carrega a posição para o dia seguinte para não chamar margem [garantias]”, detalhou o analista-chefe.

Bevilacqua exemplificou que a maior parte das corretoras e plataformas eletrônicas (home brokers) cobra taxas de corretagem entre R$ 0,20 até o máximo de R$ 1 por ordem.

Análise técnica

Os especialistas consultados explicaram, que diferente do mercado de ações, onde as análises fundamentalistas são mais importantes para a decisão de investimentos, no segmento de minicontratos – onde o day-trade é a prática – a operação das ordens é decidida pela análise técnica.

Em outras palavras, os investidores pessoas físicas e profissionais de mercado (traders) observam tendências em gráficos e no fluxo financeiro no mercado para mandar suas ordens. Dito de outra forma, não importa muito se o dólar está subindo ou caindo, pois se pode operar tanto na compra como na venda do contrato.

Pelos números da B3, o volume em posições que vão até a data de vencimento do minicontrato é bem menor que o movimentado em day-trade.

“Quem fica comprado em dólar, está se protegendo de uma eventual alta na cotação. E, na ponta contrária, quem está vendido em dólar, está se protegendo de uma possível baixa da moeda norte-americana”, detalhou Rafael Bevilacqua, estrategista da Levante.