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Mesmo com restrições, o crédito às famílias cresceu 0,5 ponto percentual para 25,3% do Produto Interno Bruto (PIB) nos últimos 12 meses, ao mesmo tempo em que a inadimplência atinge 62,9 milhões de pessoas, 41% da população adulta brasileira.

Segundo especialistas consultados pelo DCI, a inadimplência das famílias aumentou e deve continuar elevada pelo menos até o final de 2019 por causa da lenta recuperação do mercado de trabalho e da renda.

Por outro lado, os empréstimos para pessoas físicas até evoluíram em linhas com algum tipo de garantia – como imóveis, veículos e consignado em folha de pagamento de salários. “Os bancos estão sendo restritivos e não precisam assumir riscos maiores”, argumentou a economista-chefe da Reag Investimentos, Simone Pasianoto ao DCI.

Em nota, o presidente da Confederação Nacional dos Dirigentes Lojistas (CNDL), José Cesar da Costa, disse que a inadimplência segue elevada. “A recuperação econômica mais lenta do que o esperado cria dificuldades para a gestão do orçamento das famílias, frustrando planos e a volta do consumo. A reversão desse quadro passa por uma aceleração da atividade econômica, em especial, do emprego e renda, que são os fatores que mais pesam para a confiança do consumidor”, afirmou.

Segundo dados da CNDL e do SPC Brasil, as dívidas bancárias – que englobam cartão de crédito, cheque especial e empréstimos pessoais – tiveram a alta mais expressiva em agosto: 7,03% na comparação com o mesmo mês de 2017.

“Em termos de participação, mais da metade (52%) de todos os compromissos financeiros não quitados pelo brasileiro foi contraída em bancos ou financeiras, seguidas do comércio (18%), TV por assinatura, internet e telefonia (14%) e empresas prestadoras de serviços básicos (8%) como água e luz”, informou o recente levantamento das entidades.

Na opinião de Pasianotto, para reduzir essa inadimplência (calotes e atrasos), as famílias terão que fazer um ajuste no orçamento doméstico. “Se não, as contas nunca fecham”, orientou a economista.

Renegociação de dívidas

O economista e professor da Saint Paul Escola de Negócios, Alan Ghani, também prevê que o endividamento das famílias só deverá recuar quando a economia estiver crescendo de forma sustentável para melhorar o mercado de trabalho e a renda da população. “A recuperação da renda fará baixar o endividamento”, afirmou.

Ele criticou propostas recentes de candidatos à presidência que sugerem programas de governo de renegociação de dívida. “Não existe mágica, renegociação de dívida é um tipo de calote. O problema maior é o de sinalização, de risco moral aos inadimplentes”, avaliou.

Como explicar os efeitos de “risco moral” aos inadimplentes em programas públicos, vale citar o caso do Refis, de refinanciamento de impostos atrasados. “O inadimplente não paga, já esperando o próximo Refis para entrar”, diz.

Simone Pasianotto também observou que o problema de endividamento por juros no Brasil já não é tão grave como em outros países emergentes como Turquia, Argentina, Rússia, México e Indonésia.