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São Paulo - O movimento global de B Corps (Empresas B) - segmento que promete se utilizar dos negócios para resolver problemas sociais e ambientais da humanidade - confirma a expansão no Brasil, uma iniciativa que atrai grandes investidores e recursos bilionários.

Entre 2,3 mil companhias certificadas como B Corps em 50 países desde 2006, o Brasil registrou 97 empresas nos últimos quatro anos. "É possível fazer diferente, ser competitivo e gerar resultados", afirmou o co-fundador e presidente do Sistema B Brasil, Marcel Fukayama.

Ele aponta o interesse de investidores institucionais internacionais por negócios sustentáveis ao redor do mundo. "Fundos de pensão [globais] podem destravar US$ 6 trilhões em recursos nos próximos anos. Muitos players querem fazer negócios com Empresas B", disse Fukayama, após participar do 18° Congresso do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC), iniciado ontem, em São Paulo.

Entre os cases de sucesso de B Corps apresentados aos participantes do evento estavam: a Natura Cosméticos, a Mãe Terra, e a plataforma de equity crowdfunding Broota.

A head (responsável) de sustentabilidade da Natura, Renata Puchala, fez questão de lembrar que a companhia de cosméticos é considerada a Empresa B mais valiosa do mundo. "Isso é um modelo de negócios. Não é romântico, é visionário", explicou a executiva sobre a atuação da empresa aberta listada no Novo Mercado da B3.

Para diferenciar do "romantismo", Renata contou que quando o consumidor não desejar mais um produto, este não será continuado apenas para ajudar uma determinada comunidade, mas que a empresa investe em pesquisa e inovação aliada ao desenvolvimento ambiental e social.

"Provamos, por exemplo, que a [árvore] Ucuúba vale três vezes mais de pé do que sua madeira vendendo Manteiga de Ucuuba Ekos", destacou Renata sobre a forma de preservação da floresta e o apoio às comunidades da Amazônia.

Outro caso de sucesso de B Corp divulgado no congresso foi o da Mãe Terra. A empresa adquire e comercializa produtos orgânicos para seus clientes e tem entre seus princípios privilegiar pequenos agricultores (agricultura familiar). "Nosso processo de certificação de Empresa B demorou cerca de um ano e meio", contou a executiva, Marcela Scavone. "Crescemos de um milhão de consumidores/mês para sete milhões de consumidores/mês entregando alimentos naturais e mais saudáveis", afirmou.

A empresa cresce a um ritmo superior a 30% ao ano. Questionada pelo DCI sobre o interesse de investidores pela empresa, Marcela Scavone, respondeu que teria "novidades em breve", desconversou.

E de fato, a novidade apareceu rápido por meio de um comunicado da Unilever, que anunciou a compra da Mãe Terra no Brasil. "A aquisição fortalecerá nosso portfólio de alimentos permitindo que aceleremos nossa expansão nos segmentos naturais e orgânicos que crescem de forma importante", disse o presidente da Unilever Brasil, Fernando Fernandez, em comunicado.

Segundo a nota, a Unilever gerenciará a Mãe Terra de forma a preservar sua visão e sua cultura diferenciadas, ao mesmo tempo que continuará acelerando o desenvolvimento do negócio. O valor da transação não foi divulgado. "As condições da transação deste contrato são sigilosas", diz a nota.

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Outra certificada B Corp no Brasil, a plataforma de equity crowdfunding Broota, também relatou o interesse de um fundo para "alavancar" o potencial do negócio, mas esbarra em negociações entre os 70 primeiros sócios. "Consultamos, 68 estavam muito felizes, mas um diz que não faz sentido [se desfazer]. Continuamos conversando", disse o CEO do Broota, Frederico Rizzo.

Após a regulamentação da atividade pela CVM, Rizzo relatou a procura de empresas maduras por captação e a tendência de tíquetes menores nas ofertas para formar um maior número de apoiadores.