Pouco dinheiro? Aprenda a criar uma reserva de emergência

Se uma pessoa tem o salário de R$ 2.000 e gasta R$ 1.800 com despesas essenciais, poderá destinar os R$ 200 à reserva de emergência, mesmo que 20% do seu orçamento seja equivalente a R$ 400. Também é possível valer-se de uma renda extra ou realocar recursos já disponíveis para a reserva. 

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Reserva de emergência é aquele dinheiro guardado para uso de gastos imprevistos, como em casos de doença, perda de emprego ou simplesmente a geladeira parar de funcionar. Para esse momentos, ter uma reserva pode resolver seu problema. A boa notícia é que construir o fundo emergencial é possível mesmo com pouco dinheiro. 

Nesse sentido, em um momento de incertezas geradas pela crise da pandemia do novo coronavírus, esse montante pode ser fundamental. Para quem não tem esse estoque, Renata Berenguer, professora de Finanças e mestra em Administração pela UFPE (Universidade Federal do Pernambuco), dá algumas recomendações de como construir uma reserva de emergência. 

Características de uma reserva de emergência

A primeira indicação é colocar essa reserva em um ativo seguro e com alta liquidez. A seguridade diz respeito a um investimento de baixa oscilação, ou seja, baixo risco. Portanto, o dinheiro deve ser colocado em um investimento de renda fixa. A professora alerta que não faz sentido, por exemplo, colocá-lo em ações, que podem variar continuamente. Caso a pessoa precise do dinheiro em um momento que o papel está em baixa, perderá parte do recurso. 

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Já a liquidez se refere ao tempo que o investidor consegue resgatar o valor investido. Para a reserva de emergência, a liquidez deve ser alta, para ser possível tê-la em mãos assim que ocorra um imprevisto. Vender um imóvel, por exemplo, exige um tempo de negociação, portanto não seria o ideal contar com essa transação para lidar com eventualidades. Em alguns ativos, há a definição de “D+0”, que significa que a pessoa pode ter acesso ao dinheiro no mesmo dia que solicitar o resgate. Em caso de “D+1”, é possível resgatar o capital no dia seguinte ao pedido. Todavia, há limites de horários em algumas situações. 

Renata ressalta ainda que todos devem construir esse estoque, até os mais jovens devem ter esse objetivo em mente. 

Cofrinho quebrado, com moedas no centro
A reserva de emergência deve apresentar alta liquidez (Pixabay)

A rentabilidade será baixa, mas isso não é um problema

Os riscos baixos se relacionam com uma rentabilidade menor. Entretanto, é notável que a rentabilidade alta não é o intuito da reserva de emergência. A mestra em Administração ressalta que atualmente a taxa Selic, taxa básica de juros, está em uma porcentagem pequena.

Portanto, os fundos relacionados a ela estariam automaticamente associados a essa queda. Desse modo, a escolha deve ser por um título cuja rentabilidade acompanhe a inflação, para não haver perda do poder de compra. 

Quanto deve ser destinado à reserva de emergência?

É recomendado que a reserva financeira tenha o equivalente entre três e seis meses do que representariam as despesas “normais”. Para calcular esse valor, basta verificar os gastos mensais com itens essenciais; como contas de água e luz, aluguel e alimentação.

Feita essa conta basta multiplicar por três, que seria o mínimo de meses recomendados. Caso a pessoa possa e queira ter maior conforto, é possível incluir nas despesas um valor para lazer, afirma a Berenguer. A professora diz também que, para ter maior segurança, pode-se optar pelo montante de seis a 12 meses de despesas.

Como se organizar?

A respeito do processo de formação da reserva, a professora afirma que o ideal é destinar uma quantia por mês para colocar no fundo. Esse valor pode ser o equivalente a 20% do orçamento mensal. No entanto, a realidade para muitos brasileiros não permite que essa porcentagem fique disponível. Por isso, o valor que for possível poupar deve ser direcionado ao objetivo. 

Se uma pessoa tem o salário de R$ 2.000 e gasta R$ 1.800 com despesas essenciais, poderá destinar os R$ 200 à reserva de emergência, mesmo que 20% do seu orçamento seja equivalente a R$ 400. Também é possível valer-se de uma renda extra ou realocar recursos já disponíveis para a reserva. 

Reserva de emergência. Pessoa usando a calculadora, na cena há moedas, um cofrinho e um notebook.
É preciso planejamento para montar uma reserva de emergência

Simulação com R$ 50 por mês

A média salarial dos brasileiros no ano de 2019 foi de R$ 2.308, de acordo com PNAD (Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios) Contínua. Para exemplificar, imagine que uma pessoa ganhe exatamente esse valor e tenha as despesas essenciais em R$ 2.100. Considerando três meses de gastos, o valor mínimo recomendado para a reserva é de R$ 6.300.

Com o mínimo de R$ 50 por mês, o investidor chegará a esse valor em 10 anos e 6 meses, isso sem contar os rendimentos do título aplicado. Incluindo os rendimentos, a professora estima que a pessoa poderá chegar a esse valor em, ao menos, 9 anos e 6 meses. Renata ressalta ainda que o investidor deve verificar se consegue cortar gastos na tentativa de sempre destinar um valor maior ao ativo.

Apesar do tempo parecer longo, é importante manter a regularidade dessa reserva. Mesmo que ela não atinja o valor recomendado, o investidor terá salvo uma parte dele. Se a pessoa não tiver nenhum valor guardado ou descontinuar a reserva, será obrigada a recorrer a um empréstimo.

Onde colocar a reserva de emergência? 

O estoque deve ser colocado em papéis de renda fixa que apresentem liquidez diária. São algumas opções: 

  • Tesouro Selic: é um tipo de título do Tesouro Direto. Sua rentabilidade está aliada à taxa Selic e tem liquidez diária;
  • CDB: é a sigla para Certificado de Depósito Bancário. É necessário escolher um papel com liquidez diária e que pague 100% do CDI (Certificado de Depósito Interbancário);
  • Fundos DI: são fundos de investimento em que 95% estão em títulos atrelados à Selic ou ao CDB. É preciso verificar se há cobrança de taxa antes de optar por um fundo desse tipo. 

Se o título atingir o vencimento antes de ser necessário utilizar o valor, basta colocar o capital em outro ativo. Além disso, os títulos têm preços unitários e não é necessário comprar um em sua totalidade. Com isso, pode-se chegar ao valor desejado e parar de transferir o dinheiro. 

Portanto, o primeiro passo é criar a reserva de emergência para só depois avançar nos investimentos. É recomendado também abrir conta em corretora para realizar essa reserva, já que muitas oferecem maiores opções e não cobram taxas. Caso o investidor queira, é possível abrir uma conta pelo próprio celular em alguns minutos. 

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